A promessa foi dramática, mas a cobrança agora é concreta. Durante o período eleitoral, o governador Rafael Fonteles, ao lado do senador Marcelo Castro, afirmou que poderia perder a visão dos dois olhos se não concluísse a obra da BR-235, no trecho entre Guaribas e Bom Jesus, importante ligação rodoviária para a região de São Raimundo Nonato. Segundo relatos encaminhados à Coluna Silas Freire, moradores perceberam a retirada de máquinas e a desmobilização do canteiro de obras em 5 de outubro, um dia após a eleição. A cena contrasta com a segurança demonstrada durante a campanha e levanta dúvidas sobre a continuidade dos trabalhos. No dia 6 de outubro, a Construtora Jurema, ligada à família do senador Marcelo Castro, anunciou a paralisação da obra, alegando falta de recursos. Embora se trate de uma rodovia federal, a execução dos serviços está sob responsabilidade da Secretaria de Estado dos Transportes (Setrans), por meio de convênio com o Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (DNIT). Em comunicado encaminhado a credores, a empresa reconheceu a existência de pendências financeiras e afirmou que honrará seus compromissos. Os relatos recebidos pela coluna também apontam dívidas com restaurantes, fornecedores e até mulheres que preparavam café para os trabalhadores. As informações precisam ser apuradas, mas aumentam a preocupação de moradores e prestadores de serviços que afirmam ter sido prejudicados pela paralisação. A retirada das máquinas logo após a votação alimentou críticas na região. Para moradores, a interrupção tão próxima do encerramento das eleições contrasta com as promessas feitas durante a campanha e levanta suspeitas de uso eleitoral da obra. A expressão “estelionato eleitoral” passou a resumir a indignação de quem esperava ver a estrada concluída. Rafael Fonteles precisa esclarecer o que aconteceu, por que os trabalhos foram interrompidos e quais providências serão adotadas para garantir a retomada da obra. Também é necessário informar como serão tratadas as pendências financeiras relatadas por fornecedores e trabalhadores. O Piauí não precisa de juramento sobre a visão do governador. Precisa de máquinas na estrada, trabalhadores recebendo e uma obra que saia do discurso e chegue ao fim.
RAFAEL SE DESESPERA POR VOTOS PARA LULA APÓS TENTAR BARRAR INVESTIGAÇÕES SOBRE A SAÚDE DO PIAUÍ.
O governo Rafael Fonteles pediu ao STF a suspensão de processos e investigações federais sobre contratos da saúde no Piauí, incluindo as operações OMNI e Difusão. A iniciativa partiu da Procuradoria-Geral do Estado, que questionou a competência dos órgãos federais para fiscalizar os recursos. A Operação OMNI apura suspeitas de direcionamento de contratação, superfaturamento e lavagem de dinheiro. A Justiça determinou o bloqueio de aproximadamente R$ 66 milhões dos investigados. A Sesapi afirma que atua dentro da legalidade e está à disposição para prestar esclarecimentos. Flávio Dino acolheu apenas parte do pedido: restringiu medidas que interrompessem os serviços estaduais de saúde, mas manteve a possibilidade de continuidade das investigações. O governo tentou suspender as apurações e não conseguiu essa autorização. Agora, Rafael pede votos para Lula e estabelece a meta de alcançar 80% no Piauí. Mas precisa responder também sobre a saúde: por que seu governo tentou suspender as investigações? Campanha nenhuma substitui essa explicação. O dinheiro público exige respostas, e a apuração precisa chegar a todos os responsáveis.
LULA DEBOCHA DE CIRO NO PIAUÍ, MAS A CONTA PODE CHEGAR NO BRASIL.
O presidente Lula debochou, neste domingo (11), na Avenida Paulista, da derrota política do senador Ciro Nogueira no Piauí. Lula afirmou que o governador Rafael Fonteles “enterrou” a carreira política do senador, usando o resultado eleitoral para provocar um de seus adversários. No Piauí, Ciro apostou em uma estratégia que não impediu sua derrota nas urnas. Agora, além de perder a disputa estadual, vê Lula transformar o resultado em motivo de deboche público. Mas Lula pode estar comemorando cedo demais. Ciro Nogueira continua à frente do Progressistas (PP) e mantém influência no Centrão, grupo importante nas articulações políticas em Brasília. Após a derrota no Piauí, o senador passou a defender o apoio a Flávio Bolsonaro no segundo turno da eleição presidencial. A derrota estadual não encerra a trajetória política de Ciro nem elimina sua capacidade de articulação nacional. Ao ironizar o senador, Lula pode ampliar o desgaste com um adversário que agora defende abertamente uma alternativa ao projeto eleitoral do petista. Ciro perdeu no Piauí, mas a disputa nacional está em outra dimensão. Com o segundo turno presidencial no horizonte, a influência de Ciro e sua capacidade de mobilizar aliados entram no cálculo político de uma eleição que ultrapassa as fronteiras do estado. No jogo político, humilhar um adversário não significa eliminá-lo. E a conta desse deboche ainda pode chegar ao Brasil.
QUEM JÁ SE IMAGINA SECRETÁRIO DE RAFAEL PRECISA ESPERAR O SEGUNDO TURNO.
A eleição presidencial do dia 25 pode mudar os planos de quem já conta com espaço no governo de Rafael Fonteles. Uma eventual vitória de Flávio Bolsonaro poderá alterar as articulações políticas e aumentar a disputa por cargos no Palácio de Karnak, especialmente entre aliados que esperavam acomodação em Brasília com a permanência do grupo governista no comando federal. Se Lula perder, políticos que contavam com espaço na estrutura federal poderão voltar os olhos para o governo estadual. O resultado seria mais concorrência por secretarias e cargos estratégicos, justamente quando Rafael precisará administrar os interesses de deputados estaduais, suplentes e aliados que esperam reconhecimento político. Nesse cenário, os deputados federais da base poderão ganhar prioridade nas negociações, pelo peso que têm na articulação com Brasília e na destinação de emendas para o Piauí. Para quem já trata uma secretaria como promessa cumprida, o cenário pode ser bem menos confortável do que parecia. É nesse contexto que surge o nome de Enzo Samuel, que ficou na suplência de deputado estadual. Segundo informações de bastidores recebidas pela coluna, ele estaria contando com uma secretaria no governo Rafael Fonteles. Mas qual seria a pasta? Quem estaria sustentando essa articulação? A suplência, por si só, não garante lugar no primeiro escalão. E, mesmo que exista uma articulação do Secretário Execultivo de Segurança Nacional , Chico Lucas em favor de Enzo, o desfecho dependerá das negociações políticas e do espaço disponível no governo. O próprio Chico Lucas também poderá precisar rever seus planos conforme o resultado da eleição presidencial e as mudanças na relação entre os governos estadual e federal. Antes de comemorar a futura cadeira, é melhor esperar o resultado das urnas. No jogo das nomeações, uma promessa pode parecer certa hoje e perder força amanhã. O segundo turno ainda pode mudar a lista de quem espera uma vaga no Karnak.
SILVIO ENSAIA REELEIÇÃO E JOGA ÁGUA FRIA NOS PLANOS DE JEOVÁ E ISMAEL.
O prefeito de Teresina, Silvio Mendes, começa a dar sinais de que pode disputar a reeleição e permanecer no comando da capital. Segundo informações de bastidores , o prefeito teria deixado o vereador Bruno Vilarinho à vontade para se articular pela presidência da Câmara Municipal, enquanto avalia os próximos passos de seu projeto político. Uma sequência de medidas políticas estaria sendo preparada para começar em novembro e avançar até janeiro. A movimentação alimenta a leitura de que Silvio começa a organizar o terreno para uma possível candidatura à reeleição. O cenário, se confirmado, joga água fria nos planos de quem poderia enxergar uma sucessão dentro do próprio grupo político. Entre os nomes citados estão o vice-prefeito Jeová Alencar e o secretário municipal de Educação, o vereador Ismael Silva. Embora os dois neguem pretensões sucessórias, seus nomes aparecem nas conversas políticas sobre o futuro da Prefeitura de Teresina. Uma eventual decisão de Silvio de concorrer novamente mudaria os cálculos de quem espera assumir o comando da capital. Por enquanto, não há confirmação oficial de candidatura. Mas os sinais atribuídos ao prefeito já movimentam o tabuleiro político teresinense. Silvio ainda não anunciou que será candidato, mas começa a mostrar que a sucessão pode não acontecer no tempo nem da forma que Jeová e Ismael imaginavam.
FLÁVIO BOLSONARO VENCERIA LULA SE RESULTADOS DAS ÚLTIMAS PESQUISAS SE REPETISSEM NAS URNAS.
Duas pesquisas divulgadas em outubro colocam Flávio Bolsonaro (PL) à frente de Lula (PT) em uma simulação de segundo turno para a Presidência da República. No Datafolha, publicado em 8 de outubro, Flávio aparece com 52% dos votos válidos, contra 48% de Lula. No levantamento Atlas/Bloomberg, divulgado no dia 9, o senador registra 52,8%, enquanto o petista tem 47,2%. Se os percentuais se repetissem nas urnas, Flávio Bolsonaro seria eleito presidente. Os números mostram vantagem do candidato do PL nos dois levantamentos, embora pesquisas eleitorais sejam retratos de um momento e não garantam o resultado da votação. O Datafolha entrevistou 2.520 eleitores nos dias 6 e 7 de outubro, com margem de erro de dois pontos percentuais e registro no TSE BR-02949/2026. Já a Atlas/Bloomberg ouviu 5.026 pessoas entre os dias 3 e 8 de outubro, com margem de erro de um ponto percentual e registro BR-03663/2026. A diferença entre os candidatos merece atenção. No Datafolha, a vantagem de Flávio está no limite da margem de erro, enquanto na Atlas/Bloomberg a distância supera a margem informada pelo instituto. Os levantamentos indicam um cenário favorável a Flávio Bolsonaro na disputa simulada. Lula, por sua vez, precisaria reverter a diferença registrada nas pesquisas para terminar à frente.
Silas Freire