Washington Bandeira afirmou, em entrevista à imprensa, que Flávio Bolsonaro nunca trabalhou e foi direto ser deputado. Mas Bandeira também precisa esclarecer sua passagem pelo gabinete do então deputado federal Nazareno Fonteles, onde foi assessor parlamentar enquanto cursava Direito em Brasília. Segundo registros oficiais da Câmara, Bandeira ocupava o cargo de secretário parlamentar SP-08 no gabinete de Nazareno Fonteles e foi exonerado em 31 de maio de 2007. Segundo relatos recebidos pela Coluna Silas Freire, servidores da Câmara que conheciam a rotina do gabinete não reconhecem que Bandeira cumprisse expediente ou prestasse assessoria durante os quatro anos mencionados nessas informações. Os relatos levantam uma suspeita que exige esclarecimento: ele efetivamente exercia a função ou apenas recebia o contracheque de um cargo em comissão? Cabe a Washington vir a público apresentar os registros de sua atuação, explicar quais serviços prestava e como conciliava o trabalho com a universidade. Quem cobra trabalho dos outros também deve responder sobre o próprio.
QUASE TRÊS MILHÕES DE VOTOS NÃO PODEM SER TRATADOS COMO NADA.
Deltan Dallagnol recebeu 2.904.594 votos para o Senado pelo Paraná. Agora, o TSE deve julgar nesta quinta-feira (8), às 10h, o registro de sua candidatura, autorizado pelo TRE paranaense. Está em jogo o futuro do ex-procurador, mas também a escolha de quase três milhões de eleitores. Eleito deputado federal em 2022, Dallagnol perdeu o mandato após o TSE cassar seu registro em 2023. Neste ano, voltou às urnas e conquistou votação suficiente para chegar ao Senado, embora sua candidatura ainda dependa da decisão definitiva da Justiça Eleitoral. A crítica desta coluna é direta: eventuais abusos precisam ser demonstrados e julgados, mas a vontade popular merece respeito e segurança jurídica. Depois de uma candidatura autorizada pelo tribunal regional, anular quase três milhões de votos exige fundamento sólido e uma explicação convincente ao país. A Justiça deve proteger a democracia. Não pode deixar que o eleitor enxergue perseguição onde deveria encontrar justiça.
KARNAK ENTRA NA DISPUTA DA CÂMARA E COMPLICA OS PLANOS DE BRUNO VILARINHO.
O vereador Gustavo de Carvalho (PT) entrou na disputa pela presidência da Câmara Municipal de Teresina com o apoio de Rafael Fonteles, segundo declaração do deputado Rubens Vieira nesta quarta-feira (7). O parlamentar também apontou o respaldo do atual presidente, Enzo Samuel, e de partidos da base governista. A articulação coloca um adversário no caminho de Bruno Vilarinho (PRD), que vinha trabalhando para ser candidato de consenso. Nos bastidores acompanhados pela coluna, Gustavo pode contar ainda com apoio de setores do Palácio da Cidade. Se essas adesões se confirmarem, Bruno terá de enfrentar uma divisão dentro da própria estrutura municipal, apesar de ocupar a liderança do prefeito Silvio Mendes na Câmara. Bruno, porém, tem força para reagir: um requerimento com assinatura de 20 dos 29 vereadores em apoio ao seu nome foi divulgado nesta terça-feira (6). Com o Karnak respaldando Gustavo, a disputa ganha outro peso político. O que parecia caminhar para um acordo agora exige conferir quem mantém a palavra e quem muda de lado até a votação.
MARDEN PERDE QUASE CINCO MIL VOTOS E COMEMORA VITÓRIA APERTADA ATACANDO A IMPRENSA.
Marden Menezes (PSD) garantiu a quinta e última vaga do partido na Assembleia Legislativa com 32.135 votos, apenas 306 à frente de Draga Alana, que recebeu 31.829. Em 2022, quando estava na oposição, Marden somou 36.919 votos. Agora, no campo governista, perdeu 4.784 votos quase cinco mil. Mesmo anunciando sua melhor estrutura eleitoral, com mais prefeitos e municípios, o deputado saiu das urnas menor. A vitória na última vaga confirmou o aperto apontado pelos críticos. Marden, porém, reclamou do que considera perseguição na imprensa e afirmou que previsões de derrota divulgadas na televisão prejudicaram sua campanha. A disputa também teve um fator fora do palanque: buscas da Polícia Federal em imóveis ligados a Draga Alana e uma abordagem ao candidato no dia da eleição. Draga negou irregularidades. Na avaliação da coluna, a repercussão pode ter enfraquecido o concorrente e favorecido Marden na chegada, embora não seja possível medir esse efeito nas urnas. Culpar a imprensa não é solução para a queda na votação nem modo de comemorar uma vitória. Apontar o aperto eleitoral é trabalho da imprensa. Quem precisa explicar por que perdeu quase cinco mil votos, mesmo com o Karnak ao lado, é o deputado.
ELEIÇÃO DEIXA RELAÇÃO ESTREMECIDA ENTRE OS FERREIRAS E ROGÉRIO CASTRO EM SÃO RAIMUNDO NONATO.
O clima entre o grupo de Avelar Ferreira e o prefeito Rogério Castro já não seria o mesmo depois da eleição em São Raimundo Nonato. Segundo relatos de bastidores, aliados de Avelar avaliam que sua candidatura a deputado estadual poderia ter alcançado uma votação bem maior no município, considerando os apoios políticos reunidos. A conta incluía os grupos de Marcelo Castro, do prefeito Rogério Castro e de aliados do Karnak na região, com exceção do núcleo de Hélio Isaías e Carmelita Castro. Para os Ferreiras, essa soma de forças não se traduziu nas urnas como esperavam. A frustração teria atingido a relação com a prefeitura.Na avaliação de observadores políticos locais, esse desgaste pode tornar mais acirrada a disputa de 2028 pelo comando de São Raimundo Nonato e de municípios vizinhos. Ainda não há nomes definidos para uma eventual candidatura desse grupo, mas a escolha deverá provocar uma discussão mais profunda entre as lideranças. A eleição passou; o desconforto entre antigos aliados ficou.
JESUS RODRIGUES PEDE CASSAÇÃO DE RAFAEL E WASHINGTON POR GASTOS COM PUBLICIDADE.
O ex-deputado federal Jesus Rodrigues levou ao TRE-PI um pedido de cassação da chapa de Rafael Fonteles e Washington Bandeira. A ação aponta gastos com publicidade acima do limite eleitoral e pede também a inelegibilidade de Rafael por oito anos, sob alegação de abuso de poder político e econômico. Segundo os dados do Portal da Transparência citados na ação, o governo empenhou R$ 74,9 milhões em publicidade entre janeiro e junho de 2026, diante de um limite calculado pelo autor de R$ 57 milhões. O excesso apontado chega a R$ 17,9 milhões, ou 31,5%. A lei proíbe, no primeiro semestre eleitoral, publicidade acima de seis vezes a média mensal dos valores empenhados e não cancelados nos três anos anteriores. É nessa regra que o pedido se apoia. Agora, cabe ao TRE-PI analisar os cálculos, examinar as provas e decidir sobre o pedido de cassação. A vitória nas urnas não afasta a obrigação de cumprir as regras eleitorais.
MORAES TEME IMPEACHMENT E MUDA DE POSTURA, AVALIA MÁRIO SABINO.
O jornalista Mário Sabino atribuiu ao temor de um impeachment decisões recentes do ministro Alexandre de Moraes envolvendo bolsonaristas. Na coluna publicada nesta quarta-feira (7), no Metrópoles, Sabino sustenta que o avanço da oposição no Senado teria levado o ministro a tentar diminuir a pressão política sobre si. Para fundamentar sua avaliação, o colunista cita a autorização para Flávio Bolsonaro visitar o pai, Jair Bolsonaro, e a progressão de Débora Rodrigues dos Santos, conhecida como “Débora do batom”, ao regime semiaberto. Também menciona o arquivamento de uma investigação envolvendo Marcos do Val, Oswaldo Eustáquio, Allan dos Santos e Ednardo Raposo. O título escolhido resume a crítica: “Alexandre de Moraes é um homem com medo”. Na leitura de Sabino, a mudança teria uma razão política: a possibilidade de o Senado passar a cobrar a responsabilidade do ministro. A avaliação é do jornalista e não representa, por si só, uma confirmação de que as decisões tenham sido motivadas pelo receio de impeachment.
Silas Freire