Flávio cresce no Piauí, mas os anônimos não podem ser esquecidos.

Flávio Bolsonaro recebeu 517.028 votos no Piauí, alcançando 24,09% no primeiro turno. Na comparação com Jair Bolsonaro na mesma etapa de 2022, o avanço foi de 110.131 votos e 4,19 pontos percentuais. O resultado alimenta a expectativa de crescimento no segundo turno; chegar aos 30% ou ultrapassar essa marca, porém, ainda depende da conquista de novos eleitores.  Na avaliação desta coluna, o movimento pró-Flávio ultrapassa as estruturas partidárias. Há lideranças buscando unificação, mas também há eleitores anônimos que levantaram a bandeira desde o início, sobretudo no interior, quando a candidatura enfrentava dificuldades e aparecer ao seu lado ainda não parecia politicamente conveniente. Agora que a disputa chegou ao segundo turno, é fácil engrossar as caravanas, aparecer nas fotografias e disputar o microfone. Os apoios que chegam podem somar, mas não devem apagar quem sustentou a campanha antes da chegada dos políticos que hoje procuram ocupar a frente do movimento. A fotografia da reta final não pode apagar o filme inteiro da campanha. O reconhecimento também precisa alcançar quem saiu às ruas por convicção, sem cargo, sem estrutura partidária e sem esperar recompensa. Esses anônimos merecem espaço na história do movimento que ajudaram a construir.


CIRO GOMES CONTESTA DERROTA NO CEARÁ E DIZ QUE ELEIÇÃO FOI “ROUBADA”. 

Ciro Gomes anunciou que sua campanha recorrerá à Justiça Eleitoral para contestar a vitória de Elmano de Freitas (PT) no Ceará. Segundo publicação da CartaCapital, Elmano recebeu 53,19% dos votos válidos, contra 46,22% de Ciro. Em manifestação na rede social X nesta terça-feira, 6, Ciro afirmou que se sente “roubado” e acusou a campanha adversária e integrantes do Judiciário de interferirem no resultado. Disse ainda que já ganhou e perdeu eleições, mas que nunca havia repudiado o resultado das urnas. A disputa agora ganha um novo capítulo: a contestação anunciada por Ciro. A acusação é grave e precisa vir acompanhada de provas. Caberá à campanha apresentar os elementos que sustentam a denúncia e à Justiça Eleitoral examiná-los.

LAHESIO DIZ QUE FOI PERSEGUIDO POR DINO E MANDA RECADO APÓS ELEIÇÃO AO SENADO. 

Ex-prefeito de São Pedro dos Crentes e recém-eleito senador pelo Maranhão, Lahesio Bonfim (Novo) desabafou contra o hoje ministro do STF, Flávio Dino. Em discurso nesta terça-feira (6), afirmou ter sofrido perseguição política quando administrava o município e Dino governava o estado. Segundo Lahesio, durante a pandemia, sua gestão enfrentou dificuldades e humilhações para conseguir vacinas contra a Covid-19. Ele também relatou ações da Polícia Civil do Maranhão que, em sua versão, foram usadas para constrangê-lo diante dos apoiadores. Ao encerrar, disparou: “Agora, Flávio Dino, eu estou indo atrás de você.” O mundo dá voltas. O ex-prefeito que acusa Dino de perseguição vai ocupar uma cadeira justamente na instituição que pode processar e julgar ministros do STF por crimes de responsabilidade. Depois de tomar posse, Lahesio poderá votar em um eventual impeachment de Dino, caso o processo chegue a julgamento. A perda do cargo exige 54 votos no Senado.

RAFAEL PROMETE REVER ÁGUA E ICMS ENQUANTO BUSCA MAIS VOTOS PARA LULA. 

O governador Rafael Fonteles anunciou fiscalização mais firme sobre a Águas do Piauí, tentativa de antecipar investimentos e estudo para reduzir gradualmente o ICMS. Determinou ao vice eleito, Washington Bandeira, atenção aos dois assuntos  justamente os problemas que a oposição cobrou durante a campanha. No imposto, a possibilidade anunciada é encaminhar um projeto de lei em 2027. O anúncio acontece quando Rafael assume a missão de ampliar a votação de Lula no Piauí, de aproximadamente 71% para 80% no segundo turno. Na leitura desta coluna, o governador tenta transformar as cobranças que recebeu em discurso para conquistar votos para o presidente. O calendário eleitoral ajuda a explicar a pressa em anunciar; a população precisa saber quando virão os resultados.  Enquanto isso, Ciro Nogueira, uma das principais lideranças do Centrão, reforçou seu apoio a Flávio Bolsonaro. O confronto de Rafael com Ciro pode aumentar o custo político dessa disputa para o próprio governador, mas atribuir uma eventual derrota de Lula exclusivamente a essa briga seria antecipar uma conclusão que as urnas ainda não deram. Estudo não reduz imposto e anúncio não enche torneira. Rafael não apresentou solução para os problemas antes do segundo turno: apresentou intenções para a próxima gestão. O eleitor deve cobrar prazo, investimento e execução. Quem está sem água e pagando imposto alto precisa de providência concreta, não de mais uma promessa embalada em pedido de voto.

GUSTAVO SURGE COMO FOGO DE MONTURO E AMEAÇA CONSENSO DE BRUNO NA CÂMARA. 

A articulação para antecipar a eleição da Mesa Diretora da Câmara Municipal de Teresina ganhou um ingrediente capaz de mexer no resultado. Um requerimento assinado por 19 vereadores pede a realização do pleito, com previsão de votação até o início de novembro. Bruno Vilarinho, líder da prefeitura na Casa, vinha trabalhando para transformar os apoios reunidos em uma candidatura de consenso.  Mas assinatura em requerimento não é voto depositado. O vereador Gustavo de Carvalho (PT), que reassumiu o mandato antes das eleições estaduais, movimenta-se para disputar a presidência. Seu nome já aparece como alternativa ao acordo construído por Bruno, colocando em dúvida a perspectiva de candidatura única.  Nos bastidores, circula a informação de que Gustavo recebe estímulos para concorrer e poderia contar com o apoio do Palácio de Karnak e de Jeová Alencar, no Palácio da Cidade. Esses apoios ainda precisam de confirmação pública, mas, se concretizados, dariam ao petista força para buscar vereadores que hoje estão na conta de Bruno. Gustavo surge como fogo de monturo: movimento silencioso, mas capaz de crescer por baixo do consenso anunciado. Se conseguir reunir as duas forças políticas em torno de seu nome, poderá construir uma maioria e superar Bruno. A presidência da Câmara, que parecia encaminhada, pode acabar numa disputa bem diferente daquela desenhada pelas assinaturas.