Antipetismo nas ruas aponta voto útil para Ciro e pode atingir o Karnak.

Bom Jesus, no Vale do Gurguéia, foi palco nesta quarta-feira, 30, de uma carreata acompanhada de motociata em apoio a Flávio Bolsonaro com a presença do candidato a vice , Alfredo Gaspar.  A mobilização se soma a manifestações registradas em cidades como Piripiri, Jaicós e Parnaíba. É o eleitorado contrário ao PT ocupando as ruas na reta final da campanha.  Na leitura da coluna, esse movimento pode ultrapassar a disputa presidencial e favorecer Joel Rodrigues contra Rafael Fonteles. O eleitor que protesta contra o PT em Brasília pode levar essa mesma posição à escolha do governador. É uma tendência política que o Karnak precisa considerar. No Senado, a leitura da coluna é direta: Ciro Nogueira é o principal herdeiro dessa tendência pela opção do voto útil. O eleitor que escolhe Tiago Junqueira pode encontrar em Ciro o segundo nome para enfrentar os candidatos governistas. Com sua força eleitoral, Ciro tende a concentrar essa segunda escolha e colher nas urnas parte do antipetismo que aparece nas ruas. Não há medição específica que quantifique essa transferência, mas a avaliação política da coluna é clara: o movimento começa com Flávio, pode alcançar Joel e tende a desembocar em Ciro no segundo voto para o Senado. O Karnak pode descobrir que a rejeição ao PT não termina na eleição presidencial.


RAFAEL QUER VENCER JOEL EM FLORIANO: DISPUTA OU QUESTÃO DE ORGULHO?

Com uma estrutura política muito superior à da oposição, Rafael Fonteles parece não se contentar com a vantagem que apresenta nas pesquisas estaduais. O governador esteve em Floriano nesta quarta-feira, 30, levando a campanha ao principal reduto político de Joel Rodrigues. A agenda no município foi divulgada publicamente. Segundo informações de bastidores recebidas pela coluna, levantamentos internos apontariam desvantagem de Rafael na cidade. O esforço para mudar esse cenário teria passado por encontros com empresários, lideranças políticas e aproximação com a comunicação local. Na leitura da coluna, vencer ali ganhou um peso que ultrapassa a soma dos votos: seria impor uma derrota simbólica a Joel dentro de sua própria base. É aí que a articulação eleitoral ganha a cara da vaidade. Cercado de apoios e acostumado a exibir força, Rafael parece tratar uma possível derrota em Floriano como uma afronta pessoal. Mas reunir gente influente e ocupar espaços na televisão não significa levar junto a vontade de quem está em casa. Se Joel mantiver a vantagem nas urnas, apesar dessa concentração de esforços, o recado será direto: Floriano tem vontade própria. Apoio de liderança não é escritura do voto do povo.


CIRO LIDERA O PRIMEIRO VOTO; KARNAK TENTA VENDER OUTRA IMAGEM. 

O Datafolha, instituto de pesquisas do Grupo Folha, é considerado pela coluna o último levantamento divulgado com credibilidade para embasar esta análise. E, na leitura do primeiro voto, se há um nome que aparece mais consolidado, é Ciro Nogueira: 24%, contra 19% de Marcelo Castro e 14% de Júlio César. Nesse recorte, é a oposição que está na dianteira da primeira escolha do eleitor. O empate técnico aparece em outra leitura, que agrega as duas escolhas: Ciro e Marcelo têm 17% cada, e Júlio César, 15%. Essa soma não distingue a primeira da segunda preferência e não apaga a vantagem de Ciro no primeiro voto. É um cenário diferente que, na avaliação da coluna, o Karnak tenta transformar em outra imagem: a de superioridade dos candidatos governistas. Mas o primeiro voto tem resultado objetivo: Ciro está na frente. E é justamente essa fotografia da pesquisa que vem sendo confrontada por uma narrativa cada vez mais intensa no campo governista. A coluna recebeu informações de bastidores de que veículos da web estariam recebendo pagamentos do governo entre R$ 200 mil e R$ 300 mil nesta semana. Segundo essas fontes, a finalidade seria intensificar a narrativa favorável aos governistas e transmitir a sensação de enfraquecimento da oposição. Os valores e a finalidade dos pagamentos ainda precisam ser comprovados documentalmente. Mas há um fato que pode ser observado: nos últimos dias, vários veículos passaram a explorar justamente o recorte que reúne os dois votos, deixando em segundo plano aquele que mostra a primeira escolha do eleitor. É uma diferença importante. Uma coisa é apresentar integralmente os números do Datafolha. Outra é escolher apenas o recorte que interessa para construir determinada leitura da disputa. E, quando isso acontece em massa, às vésperas de uma eleição, o eleitor precisa ter cuidado para não confundir interpretação com resultado de pesquisa.

PSD PODE TROCAR DE ROSTO NA ASSEMBLEIA: NOVATOS AVANÇAM E VETERANOS LUTAM PARA FICAR. 

Na semana decisiva da eleição, os experientes contadores de votos apontam uma disputa apertada pelas cadeiras do PSD na Assembleia Legislativa. Na avaliação desses observadores, Draga Alana aparece como forte aposta para chegar à Casa. Tiago Vasconcelos também teria crescido bastante e entrado de vez na briga por uma vaga, ao lado de Edilmilson Capote. Já Simone Pereira e Mardem Menezes, nessa leitura, lutam para evitar a perda do mandato. Correndo por fora, o deputado Warton Lacerda aparece como um nome da região da Grande Teresina que pode surpreender e mudar as contas nessa reta final. São expectativas de votação traçadas por contadores de votos com pelo menos três décadas acompanhando as eleições para a Assembleia. Não é pesquisa científica nem resultado antecipado: quem decide é o eleitor, nas urnas. Os detalhes dessa disputa você acompanha hoje, no programa Vai Encarar da SilasTV, a partir das 12h30. Você não pode perder!

LICITAÇÃO DO LIXO: CONTRATO MILIONÁRIO EXIGE TRANSPARÊNCIA, NÃO PRESSA. 

O prefeito Sílvio Mendes afirmou, na semana passada, que a homologação da licitação da limpeza pública de Teresina depende de autorização judicial. Segundo a Prefeitura, o questionamento partiu de uma empresa que não participou da disputa. Mas a pressa para contratar não diminui a necessidade de examinar o processo. Na avaliação da coluna, a Justiça faz bem em agir com cautela. Uma contratação desse porte precisa ter regras claras, concorrência efetiva e fiscalização. A intenção pode até ser boa, mas o resultado precisa aparecer nas ruas: não adianta uma licitação que resolve a vida das empresas e deixa Teresina esperando pela limpeza. Sílvio Mendes, de quem se cobra uma gestão séria e correta, precisa abrir os olhos para a condução desse processo e para os interesses em disputa. Cabe ao prefeito exigir transparência de quem o cerca e explicações sobre cada questionamento. A população merece conhecer os critérios, os custos e as garantias de que o serviço será prestado. Quem precisa ganhar com a licitação do lixo é o teresinense.