O nome de José Martinho Ferreira de Araújo voltou ao centro de uma história que exige respostas. Segundo reportagem do Estadão sobre mensagens e comprovantes obtidos pela Polícia Federal, a lobista Roberta Luchsinger determinou depósitos a funcionários do Ministério do Desenvolvimento Social, entre eles Martinho, chefe do cerimonial e primo de terceiro grau do ministro Wellington Dias. A investigação precisa esclarecer por que o dinheiro foi enviado e qual era a relação da lobista com os servidores da pasta. Para os piauienses, Martinho não é um nome novo. Em 2014, quando trabalhava no gabinete de Wellington no Senado, ele foi detido pela Polícia Rodoviária Federal na Bahia, durante uma abordagem na BR-242, com R$ 180 mil em espécie escondidos sob o banco traseiro do carro. Na ocasião, afirmou que o dinheiro era seu, negou ligação da quantia com Wellington e foi liberado após prestar depoimento. Agora, o primo e assessor de confiança aparece como destinatário de dinheiro enviado por uma lobista investigada no caso do INSS. Wellington Dias precisa dizer publicamente o que sabia desses repasses, por que Martinho os recebeu e que providências tomou ao conhecer o caso. O parentesco e a antiga apreensão de dinheiro não provam participação do ministro em crime; tornam ainda mais urgente uma explicação clara. Silêncio, desta vez, não basta.
JUSTIÇA MANDA RETIRAR PROPAGANDA DE PORTAIS; MP CHAMA CONECTA PIAUÍ DE PORTA-VOZ DA CHAPA GOVERNISTA.
Os portais Conecta Piauí e 180graus entraram na mira da Justiça Eleitoral por publicações favoráveis a candidatos da base de Rafael Fonteles. Nos dois processos houve ordem de retirada de conteúdo. No caso do Conecta, o Ministério Público Eleitoral foi além: afirmou que o portal ultrapassou a cobertura jornalística e passou a atuar como “verdadeiro porta-voz eleitoral da chapa governista”. Segundo o parecer do MP, o Conecta reproduziu peças de campanha, números de urna e o slogan “Time do Povo” em suas publicações. A Procuradoria pediu que a ordem de remoção seja confirmada e que o portal e os candidatos beneficiados recebam multa. Esse pedido ainda não é uma condenação definitiva. No processo do 180graus, a decisão de 23 de setembro é direta: o juiz Auderi Martins Carneiro Filho determinou a retirada de 41 vídeos gravados nos estúdios do portal. Apontou roteiros, identidade de campanha, jingles e slogans e concluiu, em análise liminar, que o veículo ultrapassou a atividade jornalística. Fixou multa de R$ 10 mil por dia em caso de descumprimento, até R$ 100 mil. O recado das decisões é duro. Portal de notícia não pode vestir propaganda eleitoral de reportagem e oferecer sua estrutura para promover uma chapa. O leitor tem direito de saber quando está diante de jornalismo e quando estão tentando lhe vender um candidato.
PERMANÊNCIA DE ANDREI RODRIGUES NA PF SE TORNA INSUSTENTÁVEL.
O presidente do Supremo Tribunal Federal, Edson Fachin, pediu manifestação da Procuradoria-Geral da República sobre a permanência de Andrei Rodrigues na direção da Polícia Federal, segundo publicação da GloboNews. O pedido mostra que a crise chegou ao comando da instituição e ainda está longe de uma solução. Andrei foi afastado por decisão do ministro André Mendonça e reconduzido por Flávio Dino. Fachin suspendeu as decisões conflitantes, mantendo o diretor no cargo enquanto a controvérsia é examinada. O diretor nega que a PF tenha monitorado ilegalmente o ministro e defende os relatórios produzidos pela corporação. Uma instituição do tamanho da Polícia Federal precisa de um comando acima dessa disputa. Com a permanência do diretor-geral submetida à análise da PGR, sua posição se tornou politicamente insustentável. O país precisa de uma resposta clara, e a PF precisa preservar sua credibilidade.
NO SERTÃO, A CAMPANHA SE MISTURA E RAFAEL NÃO PODE CONTAR VOTO ANTES DA URNA.
Uma foto recebida pela coluna mostra material de Carmelita Castro, candidata a deputada federal pelo PT e ex-prefeita de São Raimundo Nonato, sobreposto a um panfleto de Joel Rodrigues, adversário do governador Rafael Fonteles. A imagem, sozinha, não permite afirmar que Carmelita pediu voto para Joel ou que os dois impressos foram distribuídos juntos. Mas a cena retrata a salada política que o eleitor encontra no interior. As pesquisas apontam vantagem de cerca de 29 a 30 pontos para Rafael. Ainda assim, sertão afora, candidaturas proporcionais, lideranças locais e escolhas para governador nem sempre caminham no mesmo rumo. A nove dias da eleição, é nesse voto cruzado que a oposição enxerga uma brecha e que o Karnak precisa prestar atenção. Fotografia de campanha rende conversa. O tamanho dessa mistura, só a urna vai mostrar.
ELIZEU AGUIAR CHAMA GESTÃO DE RAFAEL DE “GOVERNO DA MÍDIA E DOS APADRINHADOS” E QUESTIONA PESQUISAS.
O candidato ao Governo do Piauí pelo Novo, Elizeu Aguiar, fez duras críticas a Rafael Fonteles durante sabatina no programa Vai Encarar, da SilasTV, nesta quinta-feira. Para ele, o governador não conseguirá administrar o Estado sem enxugar a máquina pública. Elizeu apontou o número de secretarias e coordenadorias com status de secretaria e definiu a gestão como “o governo da mídia e o governo dos apadrinhados”. Elizeu também disse que não acredita nas pesquisas eleitorais apresentadas. Segundo o candidato, nas cidades por onde tem passado, ele encontra uma rejeição a Rafael que não vê refletida nos levantamentos. Questionou ainda o fato de outros candidatos continuarem sem aparecer com mais força nos números, mesmo depois dos debates e da propaganda eleitoral. A avaliação é do candidato, feita a partir do contato dele com eleitores durante a campanha. Na sabatina, Elizeu insistiu em dois pontos: o próximo governador terá de reduzir a estrutura do Estado, e o retrato das ruas, na visão dele, é diferente do que mostram as pesquisas.
Silas Freire