Rafael já não segura nem o voto para Lula na própria base.

Rafael Fonteles já não controla o voto de toda a base que o apoia para o governo. Oitenta por cento desses prefeitos votam em Ciro Nogueira para o Senado, fora da chapa defendida pelo governador. Agora, a dissidência começa a chegar também à disputa presidencial. O prefeito de Milton Brandão, Evangelista Resende, do MDB, divulgou seu apoio a Flávio Bolsonaro, adversário de Lula. Está com Rafael para o governo, mas escolheu outro caminho para presidente. Primeiro, Rafael não conseguiu segurar o voto da base para seus candidatos ao Senado. Agora, começa a perder também o voto para Lula. Onde passa um boi, passa uma boiada.

O PESADELO DE RAFAEL TEM DOIS NOMES: FLÁVIO E CIRO. 

Rafael Fonteles confia na própria reeleição no Piauí. O que o inquieta, segundo um dirigente de partido da base governista, é a possibilidade de Flávio Bolsonaro vencer Lula e encontrar Ciro Nogueira reeleito senador. As pesquisas apontam uma tendência favorável à reeleição de Ciro, que preside o Progressistas, partido integrante da Federação União Progressista.  O dirigente contou à coluna que ouviu do próprio Rafael que Flávio no Planalto, com Ciro fortalecido em Brasília, seria “um inferno para a sua vida”. Segundo o relato, o governador disse que faria de tudo para impedir a reeleição do senador. Mesmo numa eventual vitória de Lula, Ciro continuaria à frente de um partido com peso no Congresso. É por isso que, para Rafael, a disputa pelo Senado vai muito além de uma vaga: envolve o tamanho da força que seu maior adversário poderá ter depois da eleição.

VÍDEO DO JATINHO AUMENTA PRESSÃO, MAS STF AINDA NÃO DECIDIU CASO MORAES. 

A crise do Banco Master ganhou um novo capítulo com a divulgação de imagens de Alexandre de Moraes e da esposa, Viviane Barci de Moraes, desembarcando de uma aeronave operada pela Prime Aviation, empresa que já teve Daniel Vorcaro como sócio. O escritório de Viviane afirma que contratou o serviço de táxi aéreo por critérios operacionais e nega vínculo pessoal com o ex-banqueiro na contratação. O vídeo confirma a viagem; por si só, não mostra quem pagou por ela.  No STF, a questão central continua sem resposta. O julgamento sobre o relatório da Polícia Federal, produzido a partir do celular de Vorcaro e relacionado a Moraes, foi suspenso após pedido de vista de Flávio Dino. A Corte ainda não decidiu se há elementos para investigar o ministro.  Nesta segunda-feira (21), Moraes também se declarou impedido de relatar outra ação: um pedido de acesso a eventuais registros de entrada de sua esposa e de Vorcaro no Senado. Não é uma decisão sobre o mérito do caso Master. Mas, com novas imagens, mensagens e perguntas sem resposta, cresce a cobrança para que as relações do banqueiro com integrantes da Corte sejam esclarecidas sem demora.

JADYEL PERDE TERRENO E MDB JÁ FAZ AS CONTAS PELA SEGUNDA VAGA. 

A conta que circulava nos bastidores dava ao deputado Jadyel Alencar, do Republicanos, uma votação próxima de 120 mil votos. Agora, contadores de votos ligados à disputa dizem que ele pode perder de 30 mil a 40 mil votos nessa reta final. O motivo apontado por essas fontes são desentendimentos com bases eleitorais e compromissos que, segundo elas, não teriam sido cumpridos. São relatos e projeções de bastidor, ainda sem confirmação independente. Jadyel é deputado federal pelo Republicanos. O MDB acompanha a movimentação de perto. Na avaliação de seus aliados, uma queda desse tamanho pode abrir caminho para a chapa tentar eleger seu segundo deputado federal, Marcos Aurélio Sampaio. A eleição de uma segunda cadeira, porém, depende da votação total das chapas, não apenas do desempenho de Jadyel.  Dentro do Republicanos, o crescimento atribuído ao capitão Fábio Abreu é visto como um possível reforço para a chapa. Mas não elimina a preocupação relatada nos bastidores: se Jadyel perder parte expressiva dos votos que seus aliados esperavam, a disputa pelas cadeiras federais pode mudar de figura nas últimas semanas.

METADE DESAPROVA LULA; REELEIÇÃO FICA CADA VEZ MAIS DIFÍCIL. 

A pesquisa Quaest contratada pelo Grupo Globo traz um retrato duro para Lula: 50% desaprovam seu governo e 44% aprovam. A avaliação negativa da gestão chegou a 42%. São números pesados para um presidente que pede mais quatro anos no poder.  Com metade do eleitorado desaprovando seu governo em plena campanha, Lula enfrenta um desgaste que não se resolve com discurso. A reeleição ficou difícil. Para virar esse quadro, ele terá de convencer eleitores que hoje olham para seu governo e dizem que não aprovam o que veem.