Enquanto os piauienses ainda nem foram às urnas, o governador Rafael Fonteles já estaria tratando a própria reeleição como praticamente definida e discutindo com deputados e dirigentes partidários a composição de um eventual segundo mandato. Segundo informações que circulam no meio político, Rafael teria estabelecido um novo critério para a distribuição das secretarias: as indicações deixariam de ser individuais e passariam a ser negociadas diretamente com os partidos. Na prática, uma legenda que conquistasse determinado espaço poderia decidir entre indicar um deputado, um suplente ou um nome técnico. A mudança atingiria, inclusive, secretarias atualmente associadas a indicações pessoais de parlamentares, como Cidades e Infraestrutura. A antecipação chama atenção porque a eleição ainda nem aconteceu. Adversários seguem em campanha, o eleitor ainda não foi às urnas e o resultado das urnas permanece completamente em aberto. A movimentação, portanto, pode ser interpretada como uma demonstração de confiança do governador na reeleição. Mas também revela o risco de se montar o próximo governo antes mesmo de conquistar novamente o voto dos piauienses. Entre a distribuição de secretarias e a posse em janeiro, existe uma etapa que nenhum acordo político consegue antecipar: a eleição.
THEMÍSTOCLES ACELERA E COLOCA MARCOS AURÉLIO NA CORRIDA PELA REELEIÇÃO.
O grupo do vice-governador Themístocles Filho parece ter apertado o acelerador na campanha pela reeleição do deputado federal Marcos Aurélio Sampaio. Depois de um mandato considerado discreto e de pouca movimentação na conquista de novas lideranças, o parlamentar passou a aparecer com mais força nas articulações políticas pelo interior do Estado. Nos bastidores, a conta mais otimista já coloca Marcos Aurélio acima dos 100 mil votos, com projeções que chegam a 130 mil. É uma estimativa política, e não resultado de pesquisa eleitoral publicada. O fato é que, nas últimas semanas, o deputado acumulou adesões e novas lideranças, numa movimentação que tem a marca do pai, Themístocles, que também disputa uma vaga de deputado estadual. A estratégia, porém, não estaria limitada à eleição de Marcos Aurélio. O grupo trabalha também para fortalecer a chapa proporcional e seus aliados dentro do partido, buscando uma votação que possa chegar à casa dos 360 mil votos, patamar considerado, nos cálculos internos, capaz de garantir uma segunda vaga. Nesse cenário, Castro Neto aparece como o nome mais consolidado da chapa. Pesquisas recentes já o colocaram entre os mais citados para deputado federal no Piauí, embora qualquer projeção de votação final ainda seja prematura. A disputa pelas vagas, portanto, começa a ganhar contornos mais apertados. A oposição trabalha com a perspectiva de conquistar duas cadeiras, enquanto, no campo governista, a matemática passa pela capacidade de cada partido ou federação de atingir o quociente eleitoral e transformar votação concentrada em cadeiras. Ainda há dúvidas sobre o desempenho das chapas do PSD, do Republicanos e da Federação liderada pelo PT. Nomes como Georgiano Neto, Wilson Martins e Jardiel Jupi aparecem nas articulações e levantamentos políticos recentes, mas o desenho definitivo das vagas dependerá da votação de cada chapa e da distribuição das sobras. Levantamento publicado em julho, por exemplo, apontou forte presença desses nomes nos maiores colégios eleitorais do Estado, mas ressaltou que se tratava de uma leitura política, e não de pesquisa eleitoral oficial. A novidade, nesse tabuleiro, é que Themístocles parece ter decidido entrar pessoalmente no jogo. Para o velho líder de Esperantina, pouco importa em qual chapa ou grupo político a vaga eventualmente desapareça. A prioridade é uma só: garantir a reeleição do filho.
JUSTIÇA AFASTA FAMILIARES DE PREFEITO DE CAMPO MAIOR APÓS DENÚNCIAS DE NEPOTISMO.
Durante meses, denúncias sobre possíveis casos de nepotismo na Prefeitura de Campo Maior circularam no município. Uma delas foi apresentada ao Ministério Público pelo servidor e ex-candidato a vereador Sérgio Pereira Silva, que apontou a presença de parentes do prefeito Joãozinho Félix e de integrantes do grupo familiar em cargos da administração municipal. Agora, a Justiça passou a examinar concretamente a questão. Uma decisão judicial determinou o afastamento de familiares do prefeito por suspeita de nepotismo. A imprensa local registra o afastamento de seis pessoas ligadas à família Félix. O episódio chama atenção também pelo caminho percorrido até que a questão chegasse ao Judiciário. Sérgio Pereira, que vinha fazendo críticas e denúncias contra a administração municipal, foi anteriormente alvo de mandado de busca e apreensão e, em julho deste ano, acabou preso preventivamente em uma investigação por suspeita de extorsão contra o presidente da Câmara de Campo Maior. A defesa afirma que a prisão ocorreu após Sérgio apresentar documentos sobre possíveis irregularidades e sustenta que não houve condenação. Nesse contexto, devem ser preservados o contraditório, a ampla defesa e a presunção de inocência. É importante separar os fatos: denúncia não significa condenação, assim como investigação policial não representa culpa. Ao mesmo tempo, cabe à imprensa registrar quando uma denúncia anteriormente apresentada passa a ser objeto de investigação ou decisão judicial. Em Campo Maior, a Justiça agora coloca sob análise uma questão que já vinha sendo levantada por denunciantes: a presença de familiares de autoridades em cargos da administração pública e os limites entre relações familiares e o princípio da impessoalidade. A Justiça, agora, chega a uma questão que as denúncias já haviam colocado em evidência.
PESQUISA DATAFOLHA NÃO DIVULGADA AGUÇA ESPECULAÇÕES NO MEIO POLÍTICO DO PIAUÍ.
A não divulgação, até o momento, de uma pesquisa Datafolha para o Governo do Piauí, que chegou a ser esperada na semana passada e já teria sido registrada na Justiça Eleitoral, vem alimentando a curiosidade nos meios político e jornalístico. A pesquisa, de abrangência nacional e com recorte para a disputa estadual, teria sido contratada pelo sistema Globo de Comunicação. Embora o instituto costume disponibilizar os resultados ao contratante, a decisão sobre a divulgação cabe a quem encomendou o levantamento. A ausência da publicação tem provocado especulações sobre os números. Uma das versões que circulam é de que o governo teria tomado conhecimento do resultado e que um coordenador de comunicação de uma secretaria estadual teria ido ao Grupo Globo, em Recife, para tratar da não divulgação. Não há, porém, confirmação independente dessa informação, que permanece no campo das especulações. O silêncio em torno do levantamento aumenta a expectativa da oposição, de setores do meio político e também de jornalistas que acompanham a sucessão estadual. A principal curiosidade é saber se os números do Datafolha confirmariam ou apresentariam um cenário diferente das pesquisas que vêm sendo divulgadas por institutos ligados ou contratados pelo campo governista. Enquanto a pesquisa não é tornada pública, os números e principalmente as razões para o adiamento ou a não divulgação seguem alimentando a expectativa sobre o cenário eleitoral no Piauí.
NOVO ÁUDIO COLOCA RAIMUNDO DO LERO NO CENTRO DE POLÊMICA SOBRE PRESSÃO POR APOIO POLÍTICO.
O vereador Raimundo do Lero, de Dom Inocêncio, voltou ao centro de uma polêmica política após a circulação de um novo áudio atribuído a ele em grupos de WhatsApp da região. Na gravação, o vereador conversa com um servidor público e cobra que ele manifeste publicamente apoio ao grupo político formado, segundo o próprio Raimundo do Lero, pelo governador Rafael Fonteles, pelo deputado estadual Hélio Isaías e pelo deputado federal Castro Neto. Durante a conversa, Raimundo pede que o servidor coloque o grupo político em seu status de WhatsApp. O conteúdo da gravação é interpretado como uma cobrança de fidelidade política e levanta dúvidas sobre uma possível relação entre a manifestação pública de apoio e a manutenção de oportunidades ligadas ao grupo. O episódio ganha repercussão porque Raimundo do Lero já havia protagonizado outra controvérsia. Em 2025, um áudio atribuído ao vereador circulou com uma acusação de que uma obra teria envolvido suposto pagamento de R$ 2 milhões em propina destinados ao governador Rafael Fonteles. Na ocasião, o vereador não apresentou provas que sustentassem a acusação. Agora, o novo áudio volta a colocar o parlamentar no centro da discussão sobre a relação entre apoio político e ocupação de espaços na administração pública envolvendo cobrança de apoio ao grupo do governador Rafael Fonteles.
Silas Freire