Respeitamos, como sempre respeitaremos, a decisão da Justiça. Mas vamos recorrer, utilizando todos os instrumentos legais para apresentar nossa versão e defender o exercício do jornalismo. A decisão foi divulgada ontem pela comunicação do Governo do Estado, dando ampla repercussão ao fato de que este colunista teria sido condenado, por ausência de contestação, a indenizar o delegado-geral da Polícia Civil, Luccy Keiko, por calúnia e difamação. É preciso deixar claro que não comparecemos à audiência por um problema de comunicação e, consequentemente, não tivemos naquele momento a oportunidade de apresentar nossa versão. Respeitamos a decisão judicial, mas temos o direito de recorrer e é exatamente o que faremos. O que causa estranheza é a mobilização do delegado e da comunicação do Governo para espalhar a informação da condenação, como se uma decisão judicial, ainda passível de recurso, fosse uma sentença definitiva sobre a atuação deste colunista. O caso envolve uma informação de evidente interesse público: um episódio de estupro ocorrido nas dependências da Delegacia-Geral de Polícia. Em nenhum momento nossa intenção foi fazer ataques pessoais ao delegado-geral. O que fizemos foi informar, questionar e cobrar esclarecimentos sobre um fato grave ocorrido dentro de uma instituição pública. Respeitamos a Justiça, mas não vamos aceitar que uma decisão judicial seja utilizada para tentar desqualificar ou intimidar o exercício do jornalismo. A Justiça terá sempre o nosso respeito. A liberdade de informar também terá a nossa defesa. Vamos recorrer. E vamos continuar fazendo jornalismo.
MAIS DE R$ 2 MILHÕES DESVIADOS: PREFEITURA DE UNIÃO PRECISA EXPLICAR O QUE ACONTECEU.
Até agora, ninguém explicou claramente o que aconteceu com mais de R$ 2 milhões das contas da Secretaria Municipal de Saúde de União. Segundo informações divulgadas pelo Teresina News, pessoas teriam se passado por suporte da Caixa Econômica Federal, conseguido o contato do setor financeiro e, posteriormente, orientado servidores a manter os computadores da Tesouraria e da Secretaria de Saúde ligados, sob a alegação de que seria realizada uma atualização do sistema. Depois disso, os hackers teriam conseguido acesso aos equipamentos e realizado as movimentações que resultaram no desvio milionário. O caso exige esclarecimentos urgentes da Prefeitura de União e da Secretaria Municipal de Saúde. Como os criminosos conseguiram acesso aos computadores? Quem autorizou os procedimentos? Houve algum alerta do sistema bancário? Quando o município percebeu o desvio? E, principalmente, para onde foram os mais de R$ 2 milhões? Dinheiro público não pode simplesmente desaparecer sem que a população saiba o que aconteceu. É preciso esclarecer os fatos, identificar eventuais falhas de segurança e apontar os responsáveis.
SENADO APROVA CRIAÇÃO DA COMENDA NIÈDE GUIDON.
O nome do Piauí ganha mais uma homenagem no Senado Federal. A Comissão de Ciência e Tecnologia (CCT) aprovou nesta quarta-feira (12) a criação da Comenda Niède Guidon, proposta pelo senador Marcelo Castro (MDB-PI). A honraria será destinada a reconhecer cientistas, pesquisadores e instituições que contribuam para o avanço da ciência brasileira. A comenda presta homenagem à arqueóloga franco-brasileira Niède Guidon, falecida em junho de 2025, que dedicou décadas de sua vida à pesquisa arqueológica e à preservação do patrimônio histórico brasileiro. Niède foi responsável por pesquisas pioneiras na Serra da Capivara, no Piauí, e teve papel decisivo na criação da Fundação Museu do Homem Americano (Fumdham). Seu trabalho colocou o parque no mapa da arqueologia mundial e ajudou a fortalecer a pesquisa científica no Estado. Após a aprovação na CCT, o projeto seguirá para a Comissão Diretora do Senado antes de chegar ao Plenário. Uma homenagem que reconhece não apenas a trajetória de Niède Guidon, mas também o legado científico que ela deixou para o Piauí e para o Brasil.
A DISPUTA PELO SENADO MUDA DE RUMO NO PIAUÍ.
A corrida pelas duas vagas do Senado pelo Piauí começa a ganhar um novo desenho. Ciro Nogueira aparece na liderança em levantamento recente do Instituto Opinar, enquanto Marcelo Castro e Júlio César se colocam como nomes competitivos na disputa. O cenário da pesquisa mais recente coloca Marcelo Castro e Júlio César em uma disputa mais próxima por uma das duas vagas. O levantamento do Instituto Opinar aponta Ciro Nogueira com 38,08%, Marcelo Castro com 27,83% e Júlio César com 21,83% das intenções de voto. Esse movimento também expõe uma mudança importante no tabuleiro político. MDB e PSD deixaram de caminhar na chamada coligação cruzada e passaram a atuar de forma independente nas disputas proporcionais, enquanto o PSD ganhou espaço na composição da chapa majoritária governista para o Senado. Na prática, o que antes poderia ser visto como uma disputa entre governo e oposição começa a assumir outro formato: a briga por uma das cadeiras pode acontecer dentro da própria base do governo Rafael Fonteles. Júlio César tem ainda uma estrutura política relevante, com forte presença municipal do PSD, enquanto Marcelo Castro enfrenta o desafio de preservar o espaço construído pelo grupo político dos Castro ao longo de anos. Situações locais, como as disputas políticas em São Raimundo Nonato e Floriano, também podem pesar nessa equação. Se esse movimento se confirmar, a eleição para o Senado no Piauí poderá deixar de ser uma simples disputa entre governo e oposição. A guerra pela segunda vaga pode ser travada dentro do próprio campo governista e colocar frente a frente Júlio César e Marcelo Castro. O que está em jogo, portanto, não é apenas uma cadeira no Senado. É a força política de dois grupos dentro da própria base e o futuro do atual equilíbrio de poder no Piauí. A pesquisa foi realizada entre os dias 3 e 6 de agosto de 2026, com 1.200 entrevistados em cidades de Norte a Sul do Piauí. O levantamento está registrado no Tribunal Superior Eleitoral sob o número PI-02052/2026.
QUANDO A FONTE DO JORNALISTA VIRA ALVO.
A operação autorizada pelo ministro Alexandre de Moraes, envolvendo a fonte de um jornalista no Maranhão, acendeu um alerta entre profissionais de imprensa de todo o país. Até mesmo jornalistas que tradicionalmente defendem o Supremo Tribunal Federal passaram a demonstrar preocupação com os limites que estão sendo impostos ao exercício da profissão. A Polícia Federal sustenta que teria havido pagamento ao jornalista maranhense para que ele acompanhasse e repassasse informações sobre o paradeiro de um veículo ligado à família de Flávio Dino, então ministro do STF. A justificativa, porém, não elimina a questão central: até onde o Estado pode avançar para identificar, investigar ou constranger uma fonte jornalística? A Constituição brasileira assegura ao jornalista o sigilo da fonte, justamente para proteger a liberdade de imprensa e permitir que informações de interesse público cheguem à sociedade. Não se trata de um privilégio do jornalista, mas de uma garantia fundamental da própria democracia. Se a fonte de um jornalista pode ser investigada e exposta por determinação daqueles que deveriam ser os principais guardiões das garantias constitucionais, instala-se um precedente extremamente perigoso. O problema não é apenas o caso envolvendo o jornalista maranhense. O que preocupa é a possibilidade de esse tipo de procedimento se transformar em prática recorrente, com pressões, investigações e intimidações sobre jornalistas e suas fontes em diferentes partes do país. É preciso deixar claro: investigar eventuais crimes é dever do Estado. Mas investigar a fonte de um jornalista é uma questão completamente diferente e exige o máximo respeito às garantias constitucionais. Quando um jornalista começa a ter medo de proteger sua fonte, quem perde não é apenas a imprensa. Perde a sociedade, perde a liberdade de informação e perde a própria democracia. O sigilo da fonte não pode ser tratado como um detalhe. É uma das linhas que separam uma democracia de regimes onde a imprensa só pode informar aquilo que o poder permite.
Silas Freire