Acuado, Roger Linhares corre para a sombra de Rafael Fonteles.

Nos bastidores da política piauiense, a adesão do ex-prefeito de José de Freitas, Roger Linhares, ao grupo do governador Rafael Fonteles está sendo interpretada menos como uma simples mudança eleitoral e mais como um movimento de sobrevivência política. Roger, que até ontem estava no palanque de Joel Rodrigues, agora corre para os braços do governo. E a pergunta que circula nos bastidores é inevitável: por quê justamente agora? O ex-prefeito deixa a oposição no momento em que enfrenta uma situação cada vez mais delicada em relação às duas gestões que comandou em José de Freitas. Há contas reprovadas pelo Tribunal de Contas, além de representações, procedimentos e questionamentos encaminhados pelo Ministério Público envolvendo sua administração. São casos que passam por licitações, processos administrativos, contratações e compras públicas de valores expressivos e que ainda terão seus desdobramentos na Justiça. E é justamente esse cenário que alimenta a leitura política da adesão. Roger estaria percebendo que o cerco institucional está se fechando e que, diante da possibilidade de condenações e de novos desdobramentos judiciais, aproximar-se do grupo que comanda o Estado seria uma forma de recuperar força e prestígio político. Nos bastidores, há quem vá além e enxergue na movimentação uma tentativa de se proteger politicamente diante da possibilidade de que os processos avancem e possam resultar, dependendo das decisões e das provas produzidas, em novas ações judiciais, responsabilizações e até operações policiais.

O CÚMULO DA JUDICIALIZAÇÃO CONTRA A IMPRENSA. 

A decisão do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), que autorizou uma operação de busca e apreensão contra Raimundo Cutrim, apontado como fonte do jornalista Luis Pablo, provocou forte reação das principais entidades de imprensa do país. A Abert, a ANJ e a Aner manifestaram profunda preocupação e rejeição à medida, alertando que ações judiciais capazes de atingir o sigilo das fontes representam uma ameaça à liberdade de imprensa e criam um precedente extremamente perigoso. O episódio é visto por entidades do setor como o cúmulo da interferência do Judiciário sobre o exercício do jornalismo. A Constituição Federal é expressa ao assegurar o sigilo da fonte quando necessário ao exercício profissional. A preocupação é objetiva: se uma fonte pode ser alvo de busca e apreensão por fornecer informações a um jornalista, o que impede que outras fontes sejam intimidadas amanhã? A manifestação das entidades de imprensa deixa claro que a defesa do sigilo da fonte não significa defender qualquer pessoa investigada, mas preservar uma garantia constitucional indispensável ao jornalismo e à própria sociedade. O caso maranhense reacende, portanto, um debate grave: até onde pode ir o poder judicial sem ultrapassar os limites que protegem a liberdade de imprensa? Para as entidades jornalísticas, esse limite não pode ser ultrapassado.

PORTO PIAUÍ ACUMULA FALHAS ANTES MESMO DE COMEÇAR A OPERAR. 

As informações levantadas pelo repórter investigativo José Ribas Duran, em parceria com a Silas TV, expõem uma série de falhas na condução da operação do Porto Piauí. O que deveria representar a consolidação de uma estrutura estratégica para o desenvolvimento econômico do Estado começa a enfrentar questionamentos básicos de planejamento, segurança e execução. Um dos principais pontos levantados é o calado das embarcações. A Marinha estabelece limite de 4,2 metros para acesso ao Porto de Luís Correia, enquanto o navio KONTA II, escolhido pelo próprio governo para testar a operação, teria aproximadamente 4,9 metros de calado quando carregado. A diferença de quase meio metro levanta uma questão elementar: como uma embarcação acima do limite autorizado poderia realizar a operação planejada? As falhas também aparecem na execução. Em junho, uma primeira autorização para a manobra do KONTA II terminou sem que o teste fosse realizado. A autorização foi revogada. Em julho, uma segunda tentativa igualmente fracassou, desta vez porque dois rebocadores não possuíam a certificação necessária. Ou seja: duas autorizações concedidas, duas oportunidades perdidas e nenhum teste realizado. Para uma operação que envolve milhões de reais, contrato de longo prazo e a promessa de transformar o Porto Piauí em uma nova porta de entrada e saída de cargas, a sequência de problemas revela, no mínimo, deficiências de planejamento e coordenação da equipe responsável. E o problema deixa de ser apenas técnico quando se considera o contrato firmado com a Lion Mining, que previa o início da exportação de minério de ferro em maio de 2026. O cronograma não foi cumprido e o projeto permanece sem conseguir superar etapas básicas de sua operação. Os questionamentos apresentados por José Ribas Duran, em parceria com a Silas TV, colocam o governo diante de uma cobrança inevitável: houve planejamento adequado antes da escolha do navio? As características do KONTA II eram conhecidas? Por que foram autorizadas manobras sem que todos os requisitos operacionais estivessem efetivamente assegurados? E quem será responsabilizado pelos atrasos? O Porto Piauí é um projeto estratégico e merece funcionar. Mas não existe porto competitivo sem planejamento, segurança, cumprimento das exigências técnicas e capacidade de execução. A investigação aponta que o problema pode estar justamente aí: o discurso de um porto pronto para operar parece ter chegado antes da própria operação.

MILITANTES DE JOEL RODRIGUES COBRAM DE CIRO NOGUEIRA MAIOR ARTICULAÇÃO COM LIDERANÇAS DO INTERIOR. 

Nos bastidores da pré-campanha de Joel Rodrigues, cresce uma cobrança dirigida ao senador Ciro Nogueira: a necessidade de ampliar a articulação política e criar um elo mais efetivo entre as lideranças ligadas ao senador e os grupos que estão se movimentando em torno da candidatura de Joel ao Governo do Piauí. A cobrança não é para que Ciro consiga levar todas as suas lideranças para Joel. O movimento é considerado mais complexo, especialmente porque muitos prefeitos mantêm relações políticas simultaneamente com Ciro e com o governador Rafael Fonteles. O foco está principalmente nas lideranças intermediárias: vereadores, presidentes de câmaras municipais, ex-prefeitos e grupos de oposição nos municípios. Na avaliação de participantes e entusiastas da campanha de Joel, existe hoje um número significativo dessas lideranças que simpatizam com o projeto de oposição, mas ainda não estabeleceram uma ligação mais direta com a campanha. A leitura de alguns integrantes do grupo é que está na hora de Ciro Nogueira trabalhar esse elo. Não necessariamente buscando uma adesão em massa, mas identificando lideranças estratégicas que possam desembarcar na campanha de Joel e ajudar a construir uma estrutura política mais forte no interior. Essa cobrança ganha força diante da percepção desses aliados de que a candidatura de Joel Rodrigues vem crescendo e encontrando receptividade popular. O argumento é que existe entusiasmo nas bases, mas ainda falta transformar parte desse movimento em apoio político organizado. Para os partidários, portanto, o desafio agora é aproximar o povo que demonstra disposição para a mudança das lideranças que podem ajudar a transformar essa disposição em voto e estrutura eleitoral. A avaliação de setores da campanha é simples: Joel está ganhando espaço, mas precisa de mais lideranças ao seu lado. E Ciro Nogueira pode ser a ponte para que esse movimento chegue mais longe. A cobrança, portanto, não é por uma ruptura de alianças existentes, mas por uma articulação política mais agressiva, estratégica e seletiva, capaz de trazer para o projeto de Joel nomes que hoje ainda estão apenas observando o movimento de longe.

O “PANCADINHA” LEVOU UM PANCADÃO. 

Gustavo Henrique Feijó tinha, sim, o direito de espernear. Mas, na disputa partidária pelo comando do projeto eleitoral do Avante no Piauí, a realidade é objetiva: a instância partidária nacional definiu o caminho e a candidatura de Feijó ao Governo do Estado não prosperou. A partir daí, o que resta é uma disputa individual, política e pessoal ,  mas não mais uma batalha capaz de mudar a decisão partidária. Para os adversários de Feijó, o episódio também representa o fim de uma expectativa do Palácio de Karnak: a de ter um candidato ao Governo que pudesse funcionar como uma espécie de linha de frente nos debates eleitorais, especialmente nos enfrentamentos com Joel Rodrigues. Sem a candidatura, essa função desaparece. Agora, Gustavo Henrique parte para uma briga de outra natureza. O embate com Antônio José Lira ganhou contornos próprios, inclusive com registros de queixas policiais relacionados a declarações feitas nas redes sociais. É uma disputa que deverá seguir pelos caminhos individuais e jurídicos que cada lado entender cabíveis.

GEORGIANO DIZ QUE “APAGA INCÊNDIOS” NO MDB E APOSTA EM VITÓRIA DE JÚLIO CÉSAR AO SENADO. 

Silas TV 

O deputado federal Georgiano Neto segue atuando nos bastidores para administrar as tensões internas do MDB e, ao mesmo tempo, mantém firme a aposta na eleição de seu pai, Júlio César Lima, para o Senado Federal. Em entrevista à Silas TV, Georgiano afirmou que trabalha com a percepção de que existe um equilíbrio entre os três principais nomes da disputa pelas duas vagas ao Senado, sem arriscar apontar quem ficaria de fora. A certeza manifestada por ele, entretanto, é outra: Júlio César estará entre os eleitos. A declaração alimenta uma leitura que já circula nos bastidores da política piauiense: a eleição para o Senado pode reservar uma surpresa e colocar em risco uma reeleição que, até pouco tempo atrás, parecia consolidada. O nome que começa a aparecer como possível “patinho feio” da disputa é o do senador Marcelo Castro. A avaliação de setores políticos é que Marcelo enfrenta um processo de fragilização eleitoral enquanto Sílvio Nogueira consolida sua posição e Júlio César passa a receber, direta ou indiretamente, sinais de fortalecimento dentro da base governista. Há ainda uma leitura mais ousada nos bastidores: o governador poderia trabalhar para eleger um senador de sua base, mas não necessariamente para garantir a reeleição de Marcelo Castro. Nesse cenário, a surpresa seria justamente a ascensão de Júlio César Lima. A disputa, portanto, começa a ganhar contornos diferentes. O PSD não estaria necessariamente trabalhando para derrotar um nome específico, mas para garantir uma das duas vagas ao Senado. Foi justamente essa a mensagem transmitida por Georgiano na entrevista à Silas TV: o partido está disposto a disputar uma vaga e, no cenário desenhado pelo deputado, se existe uma cadeira em jogo, o PSD quer ocupá-la  seja ela de quem for. O jogo ainda está longe de terminar, mas uma coisa já mudou: a reeleição de Marcelo Castro deixou de ser tratada por alguns setores como uma certeza absoluta. E, enquanto Georgiano continua “apagando fogo” dentro do MDB, seu discurso revela que o PSD já trabalha com uma convicção: Júlio César pode ser a surpresa que ninguém quer admitir, mas que muita gente já começa a considerar possível.

CRISTINA DO FIRMINO REAFIRMA VOTO EM JOEL RODRIGUES E ADMITE DESEJO DE DISPUTAR ESPAÇO NA POLÍTICA. 

Cristina do Firmino, filha do saudoso ex-prefeito de Teresina Firmino Filho, participou ontem de entrevista à Silas TV e falou sobre seu futuro político, sua relação com a memória do pai e o atual cenário eleitoral do Piauí. Cristina afirmou que o futuro pertence a Deus, mas não escondeu que tem vontade de ingressar na política. Disse que não está, neste momento, condicionando sua participação à ocupação de qualquer cargo, mas que acompanha atentamente o cenário e mantém o desejo de, em algum momento, participar diretamente da vida pública. Durante a entrevista, Cristina também declarou voto e apoio a Joel Rodrigues. Segundo ela, sente que esse é o lado político que seu pai, Firmino Filho, estaria ocupando caso estivesse vivo: o campo de oposição ao PT. Ao comentar a situação de Teresina, Cristina fez duras críticas ao PT. Na avaliação dela, o partido estaria contribuindo para o enfraquecimento da cidade ao apostar na lógica de que “quanto pior, melhor”, alimentando a expectativa de que, em algum momento, possa voltar a governar a Prefeitura de Teresina. Para Cristina, essa postura também estaria prejudicando a relação institucional entre o Governo do Estado e a Prefeitura, dificultando ações conjuntas que poderiam beneficiar o município. Ela fez questão, porém, de afirmar que não carrega mágoas pessoais da própria família em razão das escolhas políticas de alguns de seus integrantes. Segundo Cristina, parte da família decidiu acompanhar o PT e o governo de Rafael Fonteles por questões ideológicas, e ela optou por manter distância política dessas posições. A declaração mais objetiva da entrevista foi a reafirmação do compromisso com Joel Rodrigues, deixando claro que, no atual cenário, seu voto está definido. Cristina também explicou por que permaneceu afastada da política e das urnas durante esse período. Segundo ela, o principal motivo foi a maternidade. A filha de Firmino Filho contou que passou por um período intenso de amamentação e que ainda vive uma fase em que considera fundamental estar próxima da filha durante a primeira infância. Sem anunciar candidatura ou cargo, Cristina deixou uma porta aberta para o futuro. Disse que tem vontade de ser política, acompanha o cenário e, por enquanto, prefere deixar os próximos passos nas mãos de Deus.