A operação da Polícia Federal que atingiu endereços ligados ao senador Ciro Nogueira movimentou os bastidores de Brasília e intensificou as leituras políticas em torno do ambiente de disputa dentro do Supremo Tribunal Federal.
Aliados do parlamentar avaliam que Ciro pode ter sido atingido pelo embate interno travado entre os ministros André Mendonça e Alexandre de Moraes, especialmente após a derrota da indicação de Jorge Messias ao STF.
Nos bastidores da capital federal, a avaliação que circula é de que o “timing” da operação acabou ampliando ainda mais as especulações políticas. Há menos de dez dias, Ciro Nogueira aparecia na conta do governo como voto considerado importante para a aprovação de Messias ao Supremo. O apoio esperado, porém, não teria sido consolidado.
O resultado foi a rejeição da indicação, com 34 votos favoráveis — abaixo dos 41 necessários — marcando a primeira derrota de um indicado presidencial ao STF desde 1894. O detalhe que chamou atenção em Brasília é que o mandado que colocou a Polícia Federal na porta do senador foi justamente assinado por André Mendonça.
Sem acusação formal contra Ciro Nogueira, aliados sustentam que o senador acabou inserido no ambiente de tensão política e jurídica que hoje domina Brasília.
Silas Freire