A prefeita da cidade de Buriti dos Lopes, Laura Rosa, passou a ser alvo de investigação do Ministério Público do Estado do Piauí, que instaurou inquérito civil para apurar possíveis irregularidades na política de contratações adotada pela gestão municipal. De acordo com as informações iniciais, há indícios de uso recorrente de contratações temporárias fora das hipóteses previstas em lei. A prática, que deveria ser excepcional, pode ter sido utilizada de forma contínua para suprir demandas permanentes da administração pública. Dados preliminares apontam que mais de 200 contratações foram realizadas entre os anos de 2023 e 2025, número que levanta suspeitas sobre possível substituição de servidores concursados, o que pode configurar violação aos princípios da legalidade e da impessoalidade. O caso ainda está em fase inicial de apuração. Caso sejam confirmadas irregularidades, a gestora poderá responder a medidas judiciais, incluindo sanções administrativas e ações por improbidade.
Bastidores em Floriano: Antônio Reis tenta virar a página após desgaste com Joel Rodrigues.
Nos corredores do poder, a leitura é uma só: ao exonerar todos os comissionados, o prefeito Antônio Reis não apenas reorganiza a máquina , ele tenta reconstruir sua base política depois do rompimento com Joel Rodrigues. Entre aliados e ex-aliados, cresce a avaliação de que a decisão também busca conter um desgaste de imagem. Parte do grupo político que esteve com Reis nas eleições aponta ingratidão no afastamento de quem abriu espaço e ajudou a conduzi-lo à reeleição. Nos bastidores, o rótulo de “traição” passou a circular ainda que não seja admitido publicamente pelo núcleo do prefeito. Ao promover a “limpeza” administrativa, Reis sinaliza que quer um time próprio, mais fiel e menos vinculado ao passado recente. O movimento, porém, tem custo: rompe pontes e aprofunda o racha com o grupo de Joel, transformando divergência política em disputa aberta. Agora, o prefeito aposta que um novo arranjo, sob seu controle direto, será suficiente para retomar a narrativa e sustentar sua governabilidade. Resta saber se a estratégia vai reorganizar o jogo ou ampliar o isolamento.
Racha interno expõe desgaste no PT e atinge o governo de Rafael Fonteles.
A insatisfação dentro do PT ganhou mais um capítulo e agora veio de dentro do próprio partido. O vereador de Ilha Grande, Frank Costa, usou a tribuna da Câmara Municipal para fazer duras críticas à gestão do governador Rafael Fonteles, elevando o tom de cobrança que, até pouco tempo, era restrito aos bastidores. Em discurso contundente, o parlamentar afirmou que o município está “abandonado” pelo governo estadual, especialmente em meio ao período de cheias que atinge a cidade. Segundo ele, faltam obras estruturantes e presença efetiva do Estado. Frank Costa chegou a afirmar que o governador “não anda na cidade” e “não conhece a realidade local”. A crítica ganhou ainda mais repercussão quando o vereador comparou a situação enfrentada pelos pequenos municípios com gastos do governo em eventos, citando a contratação do DJ Alok como exemplo do que classificou como prioridades distantes da realidade do interior. No momento mais duro do pronunciamento, o vereador ele próprio filiado ao PT subiu o tom e disparou: “está na hora de varrer essa cambada”, em referência ao grupo político ligado ao governador. O episódio reforça um movimento que começa a se tornar recorrente: críticas públicas de petistas ao próprio governo. Nos bastidores, cresce o murmúrio de insatisfação entre lideranças municipais, que cobram mais atenção, presença e investimentos nas cidades do interior. Se antes as divergências eram contidas, agora ganham microfone, tribuna e eco político. E o que era ruído isolado começa a soar como um sinal de alerta dentro da própria base do governador.
Secretário de Comunicação vira alvo de acusações de “milícia digital” após decisão do Tribunal Regional Eleitoral do Piauí.
O nome de Marcelo Nolleto entrou de vez no centro do furacão político. Após ser atingido por decisão da Justiça Eleitoral que determinou a retirada de publicações contra o senador Ciro Nogueira, o episódio ganhou contornos ainda mais pesados nos bastidores. Adversários passaram a acusar Nolleto de atuar à frente de uma estrutura digital organizada para atacar opositores do governo estadual. A expressão “milícia digital” já circula com força no meio político, associada a uma suposta estratégia de disseminação de conteúdos agressivos e desinformativos. As acusações não são novas, mas ganharam novo fôlego com a decisão judicial, que apontou indícios de conteúdo ofensivo e determinou a exclusão das postagens, inclusive patrocinadas. Do lado do governo, o silêncio predomina. Já entre aliados, a avaliação é de que o caso expõe uma guerra digital cada vez mais explícita no Piauí onde a disputa política não se limita mais ao palanque, mas avança pelas redes com intensidade crescente.
Audiência na Câmara expõe precariedade das UBSs de Teresina e falta de recursos para estrutura.
Uma audiência pública realizada na Câmara Municipal de Teresina evidenciou a situação crítica das Unidades Básicas de Saúde (UBSs) da capital. O debate foi proposto pelo vereador João Pereira e reuniu parlamentares e a direção da Fundação Municipal de Saúde (FMS). Durante a audiência, a presidente da FMS, Leopoldina Cipriano, reconheceu a precariedade estrutural das unidades. Segundo ela, praticamente todas as UBSs necessitam de reparos físicos, com problemas que vão desde infiltrações e risco em tetos até aparelhos de ar-condicionado sem funcionamento. A gestora afirmou que há recursos em caixa para custeio e manutenção, mas que entraves burocráticos têm dificultado a execução desses serviços — situação já apontada anteriormente pelo prefeito. No entanto, destacou que não há verba suficiente destinada especificamente para a recuperação estrutural das unidades. Em relação ao abastecimento, Leopoldina também admitiu que ainda existem falhas no fornecimento de medicamentos, embora haja disponibilidade financeira, novamente impactada por processos burocráticos. Como encaminhamento, os vereadores decidiram acionar as bancadas federal e estadual do Piauí, solicitando apoio na destinação de recursos para intervenções urgentes na rede básica de saúde. A audiência reforçou o alerta sobre a necessidade de medidas imediatas para garantir condições adequadas de atendimento à população nas UBSs de Teresina.
Silas Freire