O recado foi dado. A ameaça também. Mas, na prática, não funcionou como o esperado dentro do PT no Piauí. Mesmo após o endurecimento do presidente do partido, Fábio Novo, lideranças petistas continuam declarando apoio a Ciro Nogueira principalmente no interior e fazem isso sem muito constrangimento. Não chega a ser uma rebelião aberta. Mas está longe de ser obediência ao presidente. O motivo é claro: Ciro mantém presença ativa nos municípios, com liberação de recursos, obras e apoio direto às gestões locais. Para prefeitos e lideranças, romper esse vínculo tem custo político e administrativo. Na ponta, a conta é essa: : entre seguir a orientação do partido ou manter quem entrega resultado, muitos estão escolhendo a segunda opção. Isso escancara um limite dentro do PT: o comando existe, mas não consegue se impor de forma uniforme. O partido vive hoje um descompasso entre o discurso da direção e a prática das bases. É notório que Fábio Novo tenta apertar prefeitos e vereadores mirando 2026. Mas essas lideranças tem seguido a lógica da sobrevivência política e, em muitos casos, essa lógica passa por Ciro. O resultado é um desgaste interno que já não dá mais para esconder.
Georgiano articula Feitosa no PSD e movimento pode afetar base de Carlos Augusto.
O deputado Georgiano Neto iniciou articulação para filiar o coronel Feitosa ao PSD, movimento que já provoca repercussões no cenário político do sul do estado. Liderança em Uruçuí e com origem na base do deputado Carlos Augusto, Feitosa pode mudar de grupo político, o que tende a impactar diretamente a configuração de apoios locais. Em declarações recentes, Carlos Augusto havia sinalizado que uma eventual filiação de Feitosa ao MDB não geraria impasse. No entanto, a possibilidade de ingresso no PSD altera o cenário e amplia a tensão política. Nos bastidores, a avaliação é de que a articulação liderada por Georgiano pode resultar na perda de um apoio estratégico de Carlos Augusto, com reflexos em projetos eleitorais mais amplos. O movimento também dialoga com a estratégia do deputado Júlio César, que trabalha o fortalecimento de sua base com foco na disputa pelo Senado. A leitura entre aliados é de que a eventual filiação vai além de uma simples mudança partidária, sendo interpretada como reposicionamento político com potencial de alterar alianças e redistribuir forças. Outro ponto observado é o prazo de filiação partidária, especialmente por Feitosa ser militar, fator que pode influenciar na viabilidade de candidatura.
Prefeitos se afundam nas próprias irregularidades e pressão do MP só aumenta.
Não é mais caso isolado. A cada semana, novos gestores entram na mira do Ministério Público do Estado do Piauí, e o roteiro começa a se repetir: contratos sob suspeita, valores que não fecham e explicações que não aparecem. O episódio envolvendo o prefeito Jabes Júnior, no município de Riacho Frio, é mais um capítulo desse cenário. Um contrato de transporte escolar com diferença de valores que salta aos olhos e que já virou alvo de investigação formal. Mas o ponto aqui vai além de um caso específico. Tem prefeito que não está apenas errando , está se aprofundando no erro. Começa com um contrato questionado e termina com uma sequência de problemas. E quanto mais avança, mais difícil fica explicar. O Ministério Público tem apertado o cerco, e não é por acaso. O volume de denúncias e indícios vem crescendo, principalmente em contratos de alto valor e serviços essenciais, como transporte e saúde. A gestão pública não comporta improviso nem abuso e quem insiste nesse caminho acaba deixando rastro. No ritmo que as investigações caminham, a tendência é clara menos silêncio, mais apuração e, para muitos gestores, um custo político cada vez mais alto.
Reportagem expõe realidade do Porto de Luís Correia e contraria discurso oficial.
O repórter Efrém Ribeiro, do portal Oito e Meia, esteve no final do mês passado no Porto de Luís Correia e fez o que, até aqui, nenhuma equipe de jornalismo havia conseguido: entrou na área do porto e mostrou, de perto, a situação real das obras anunciadas pelo governo do Estado. As imagens exibidas no programa Vai Encarar, da Silas TV, revelam um cenário que destoa completamente do discurso oficial de um porto estruturado para exportação de minério. O que se vê, segundo o jornalista, está longe da promessa. De acordo com a reportagem, não há sequer contêineres adequados para armazenamento de minério. No lugar de uma estrutura robusta, aparecem montagens frágeis, com materiais que, segundo a avaliação apresentada, mais parecem servir para compor aparência do que funcionalidade real. O acesso ainda está em fase de asfaltamento, e ao avançar até o quebra-mar, o repórter constatou outro ponto crítico: não há aprofundamento de calado nem preparação visível para operações de grande porte. A movimentação no local também chamou atenção pela escassez poucos operários e alguns veículos, sem sinal de ritmo acelerado de obra. Diante desse cenário, a perspectiva de funcionamento de um porto exportador de minério até o final do ano, como anunciado pelo governo, é colocada em dúvida. A avaliação apresentada na reportagem é de que o cronograma não se sustenta na prática observada. Ainda segundo relatos citados pelo jornalista, profissionais de imprensa da região de Parnaíba afirmam que o governo estaria articulando uma possível ação simbólica, envolvendo produtores de tilápia, para criar uma imagem de movimentação no porto o que levantaria questionamentos sobre uma eventual inauguração com caráter mais ilustrativo do que estrutural. Na visão de Efrém Ribeiro, baseada nas imagens e no que foi observado in loco, o Porto de Luís Correia segue mais próximo de uma promessa do que de uma realidade concreta.
Papel em alta, remédio em falta.
Na tribuna da Câmara Municipal de Oeiras, o vereador Expedito Martins (PSD) denunciou um cenário que chama atenção pela inversão de prioridades na gestão pública. Segundo o parlamentar, a Prefeitura realizou uma licitação superior a R$ 5 milhões para aquisição de material de expediente , como papel, canetas e clipes enquanto faltam medicamentos básicos nos postos de saúde do município. A crítica ganha ainda mais peso ao apontar que pacientes, especialmente hipertensos, estariam enfrentando dificuldades para conseguir remédios nas unidades básicas. Para Expedito Martins, a situação evidencia um descompasso entre os gastos administrativos e as necessidades mais urgentes da população. A denúncia deve provocar repercussão e pressionar a gestão municipal por explicações sobre os critérios adotados na aplicação dos recursos públicos, sobretudo em uma área tão sensível quanto a saúde.
Combustível dispara, governo corre atrás e população paga a conta.
A escalada dos preços dos combustíveis volta a preocupar o brasileiro e, principalmente, a apertar o bolso de quem depende do carro ou da moto no dia a dia. Com o barril internacional em alta e reflexos diretos no mercado interno, o consumidor já sente o impacto nas bombas, muitas vezes sem entender por que o preço sobe tão rápido. O governo federal demonstra preocupação, mas, na prática, corre atrás do prejuízo. As medidas anunciadas ainda soam reativas diante de uma crise que vem de fora, impulsionada por tensões geopolíticas e pela instabilidade no mercado internacional de petróleo. Falta, na avaliação de especialistas, uma política mais eficiente para amortecer esses choques externos e proteger o mercado interno. Enquanto isso, a população se desespera com os valores cobrados nos postos. Embora esses estabelecimentos façam parte da ponta final da cadeia, o problema maior está na condução da política energética e econômica, que não tem conseguido blindar o país das oscilações globais. No Piauí, o silêncio também chama atenção. Até o momento, não há um posicionamento claro do governo do Estado sobre possíveis medidas, como revisão de impostos que incidem sobre os combustíveis, alternativa que poderia aliviar o impacto imediato para o consumidor. No fim das contas, o cenário expõe um problema conhecido: o Brasil até se beneficia quando o petróleo sobe lá fora, mas ainda não consegue transformar esse ganho em alívio para quem mais precisa , o cidadão que paga, todos os dias, o preço na bomba.
Revés no Senado força Luiz Inácio Lula da Silva a recalibrar indicação ao STF .
Após enfrentar resistência no Senado, o presidente passou a rever sua estratégia para a escolha do próximo ministro do STF. O episódio expôs fragilidades na articulação política e elevou o custo da decisão. Nos bastidores, a avaliação é clara: a indicação deixou de ser protocolar e passou a exigir construção política mais sólida. Lula ainda quer definir o nome este ano, mas já admite ajustar o perfil para evitar novo desgaste. Entre os cotados, ganham força Simone Tebet, vista como opção moderada, além de Rodrigo Pacheco e Bruno Dantas, nomes com trânsito político e técnico. O recado do Senado foi direto: mais do que confiança pessoal, a escolha agora precisa garantir votos.
Silas Freire