A recente escolha da deputada federal Erika Hilton (PSOL-SP) para presidir a Comissão de Defesa dos Direitos da Mulher na Câmara dos Deputados transformou-se no centro de um intenso embate no legislativo. Um vídeo que tem circulado amplamente nas redes sociais mostra a deputada Clarissa Tércio (PP-PE) tecendo duras críticas à nomeação, questionando a legitimidade de uma mulher transexual para liderar as pautas do colegiado.
Durante a sessão, Clarissa Tércio utilizou seu tempo de fala para argumentar que a comissão foi criada para dar voz às necessidades específicas das mulheres brasileiras e que essas vivências seriam exclusivas de mulheres biológicas.
"Como eu posso ser representada por uma pessoa que não entende o que eu passo? Como que a gente vai colocar aqui uma pessoa que nunca gerou, que nunca amamentou, que nunca menstruou, que não sabe o que é saúde da mulher?", questionou a parlamentar pernambucana no vídeo.
"Perda de Espaços"
Em sua argumentação, Clarissa Tércio afirmou que a luta histórica das mulheres por espaços estaria sendo ameaçada. A deputada listou temas como violência contra a mulher e desigualdade no trabalho, defendendo que "só quem vive essa realidade é que tem propriedade para falar sobre elas". Ela finalizou seu discurso criticando a aceitação do cenário por parte de outras parlamentares: "O maior absurdo é ver mulheres biológicas concordando com isso."
Reação e Possível Quebra de Decoro
A fala de Clarissa Tércio gerou indignação imediata entre parlamentares da base governista e defensores dos direitos LGBTQIA+. A eleição de Erika Hilton é considerada um marco histórico, sendo a primeira vez que uma parlamentar trans assume a presidência de uma comissão tão relevante na Câmara.
Em resposta aos ataques sofridos durante a instalação do colegiado, a equipe de Erika Hilton e o PSOL estudam acionar o Conselho de Ética da Câmara dos Deputados contra parlamentares que proferiram falas semelhantes, apontando crime de transfobia. Vale lembrar que, desde 2019, o Supremo Tribunal Federal (STF) equiparou a transfobia e a homofobia ao crime de racismo no Brasil.