MDB rompe fusão cruzada com PSD e anuncia chapa própria para a Alepi

O xadrez político da base governista sofreu um abalo significativo nas últimas horas. A famosa "fusão cruzada" — acordo informal que unia o MDB e o PSD nas disputas proporcionais no Piauí — foi rompida unilateralmente pela ala histórica do Movimento Democrático Brasileiro. A decisão afeta diretamente a formação das chapas para a Assembleia Legislativa do Piauí (Alepi) nas eleições de 2026.

A reviravolta foi selada em uma reunião extraordinária realizada na noite da última quarta-feira, na residência do deputado estadual Henrique Pires. O encontro reuniu a cúpula do chamado "MDB raiz" e teve como pauta principal a sobrevivência da legenda no legislativo estadual frente ao crescimento vertiginoso do PSD, comandado pelo deputado federal Júlio César e pelo deputado estadual Georgiano Neto (atualmente filiado ao MDB por conta do antigo acordo).

O Motivo do Rompimento

O modelo de fusão cruzada, utilizado com sucesso em 2022, previa que todos os candidatos a deputado estadual do grupo se filiassem ao MDB, enquanto os candidatos a deputado federal iriam para o PSD. No entanto, lideranças emedebistas avaliaram que o PSD estaria usando essa estrutura para "engolir" as bases do MDB no interior, colocando em risco a hegemonia da sigla na Alepi.

Com a nova determinação, ficou acertado que o MDB lançará uma chapa própria e exclusiva para deputado estadual, formada apenas por nomes organicamente ligados ao partido.

Qual o destino do grupo de Georgiano Neto?

Durante a reunião, ficou estabelecido que os parlamentares com forte vinculação ao PSD, que hoje ocupam cadeiras pelo MDB — como a deputada Simone Pereira e o deputado Marden Menezes, ligados ao grupo de Georgiano Neto —, não serão "convidados a se retirar" de imediato. A única exceção apontada nos bastidores seria o deputado Thiago Vasconcelos.

Contudo, a mensagem é clara: eles não farão parte do planejamento prioritário do MDB para a reeleição. A expectativa é que Georgiano Neto e seu grupo precisem buscar uma nova engenharia partidária para abrigar suas candidaturas estaduais em 2026.

Ameaça Federal e o "Plano B"

Embora o rompimento seja focado na Alepi, os respingos podem atingir Brasília. O MDB sinalizou que aceita manter a parceria com o PSD para a Câmara Federal. Porém, a cúpula emedebista já tem um "Plano B" na manga: caso o partido de Júlio César não aceite o fim da fusão cruzada no âmbito estadual, o MDB ameaça formalizar uma parceria com o partido Republicanos, que já possui uma chapa federal bem articulada.

O movimento mostra que o MDB cansou de fazer concessões e decidiu demarcar território. Agora, a bola está com o governador Rafael Fonteles e com o ministro Wellington Dias, que precisarão de muita habilidade para evitar que esse racha proporcional contamine a chapa majoritária.