Sílvio Mendes fala em eleitor calado e cita “espiral do silêncio”.

O prefeito de Teresina, Sílvio Mendes, afirmou à imprensa que mais de 40% da população estaria acompanhando a disputa eleitoral sem declarar publicamente sua preferência. Segundo ele, existe uma parcela expressiva do eleitorado que permanece calada. A avaliação feita por Sílvio se aproxima do conceito de “espiral do silêncio”, fenômeno em que pessoas deixam de manifestar publicamente suas opiniões por acreditarem estar em minoria ou por receio de isolamento, constrangimentos ou represálias. Sílvio também declarou considerar Joel Rodrigues seu favorito na disputa. A existência de um eleitorado silencioso, porém, não permite afirmar que esses votos sejam de Joel. A incógnita levantada pela declaração do prefeito é outra: qual será o tamanho e para onde irá o voto dessa população que hoje prefere não revelar sua escolha?


JOEL DEFENDE INTELIGÊNCIA: INVESTIGAR MELHOR PARA PRENDER CERTO. 

Joel Rodrigues colocou a inteligência policial entre as prioridades para a segurança pública no Piauí. A preocupação é dupla: evitar que inocentes sejam presos por investigações frágeis e impedir que criminosos reincidentes voltem rapidamente às ruas por falta de provas robustas. O debate ganha ainda mais peso diante de crimes graves, como homicídios, latrocínios e execuções. Há casos em que os suspeitos já tiveram passagem pelo sistema prisional e retornaram às ruas. Para Joel, é preciso enfrentar justamente esse ciclo: investigação consistente, inteligência, tecnologia e produção de provas capazes de sustentar as prisões perante a Justiça. Teresina também registrou recentemente um caso que acendeu o alerta no sentido contrário: um missionário evangélico passou cerca de um mês preso, apontado inicialmente como traficante, até ser posteriormente colocado em liberdade diante do desenvolvimento das investigações. A crítica é às chamadas operações midiáticas, quando a exposição e a prisão parecem anteceder a consolidação das provas. Inteligência é exatamente o contrário: investigar primeiro, prender certo e entregar à Justiça elementos sólidos para que o inocente não vá para a cadeia e o criminoso não volte para a rua.


TROCADILHO PEGA E RAFAEL APOSENTA O “MANTRA”. 

Um detalhe não passou despercebido nas redes sociais do governador Rafael Fonteles. O bordão repetido quase diariamente ao final de vídeos e agendas  “nós trabalhando, Deus abençoando e os contra falando” simplesmente desapareceu das últimas manifestações do governador. A mudança ocorreu depois do debate da TV Cidade Verde, quando o candidato Jureti aproveitou o conhecido lema para fazer um duro trocadilho político: “Nós trabalhando, Deus abençoando e os Rafa Boys roubando.” A provocação transformou justamente uma marca da comunicação de Rafael em munição para os adversários. Nos bastidores, a leitura é de que o marketing teria recomendado abandonar o bordão para evitar a repetição e a repercussão do trocadilho. Coincidência ou estratégia, o fato é que o “mantra” que acompanhava Rafael diariamente sumiu. O adversário mexeu no bordão  e o bordão saiu de cena.


ESCAPA: MP VOLTA ATRÁS E AGORA PEDE DEFERIMENTO DA CANDIDATURA DE JADYEL ALENCAR. 

Uma reviravolta jurídica praticamente abre caminho para a candidatura do deputado federal Jadyel Alencar nas eleições de 2026. O Ministério Público Eleitoral, que anteriormente havia se manifestado pelo indeferimento do registro, mudou seu posicionamento após decisão do Tribunal Regional Federal da 1ª Região e o surgimento do que classificou como “fato jurídico superveniente”. Na nova manifestação, o próprio Ministério Público reconhece a perda superveniente do objeto da ação de impugnação no que diz respeito às alegações de inelegibilidade e suspensão dos direitos políticos. Mais do que isso: o procurador regional eleitoral auxiliar Antonio Cavalcante de Oliveira Junior passa a opinar expressamente pelo deferimento do registro de candidatura de Jadyel Alencar ao cargo de deputado federal pelo Piauí. A única pendência apontada no documento é de natureza formal: uma irregularidade na fotografia apresentada pelo candidato, que deverá ser corrigida. Com a mudança de posição do Ministério Público, Jadyel escapa, pelo menos dessa tentativa de impugnação, e fica com o caminho aberto para disputar a eleição, dependendo agora da decisão da Justiça Eleitoral sobre o registro. O MP que antes pediu o indeferimento agora pede o deferimento. A situação jurídica virou a favor de Jadyel Alencar.


CENTRÃO MUDA DE VISÃO E JÁ VÊ FLÁVIO BOLSONARO COMO FAVORITO. 

O jogo virou nos bastidores de Brasília. Lideranças do PP, União Brasil e Republicanos passaram a considerar Flávio Bolsonaro (PL) favorito para vencer a eleição presidencial, segundo informação publicada pelo jornalista Igor Gadelha, do Metrópoles. Até agosto, caciques dessas legendas enxergavam Lula como franco favorito à reeleição. A avaliação mudou e, segundo a coluna, um dos fatores decisivos teria sido a crise no STF e o desgaste envolvendo Alexandre de Moraes, cuja imagem essas lideranças consideram politicamente associada à de Lula. A mudança ainda não significa apoio formal: os partidos do Centrão permanecem oficialmente neutros. Mas revela uma importante alteração na percepção de quem acompanha de perto os movimentos do poder em Brasília.


CONTADORES DE VOTOS CRAVAM TRÊS NOVOS NOMES NA ALEPI E A SAÍDA DE TRÊS VETERANOS. 

Os históricos “contadores de votos” da política piauiense, aqueles que há décadas fazem suas contas sobre quem entra e quem sai da Assembleia Legislativa, já estão fazendo suas apostas para a próxima legislatura. E alguns deles cravam: três caras novas estariam praticamente com as cadeiras asseguradas na Alepi, enquanto três nomes conhecidos estariam no caminho da saída. Entre os que aparecem com força para entrar está Toninho Caridade, do PSD, ex-presidente da APPM. Outro nome é Júlio César Filho, cuja chegada não seria exatamente uma surpresa: ele deverá disputar o espaço político hoje ocupado pelo irmão, Georgiano Neto, e a expectativa nos bastidores é de uma votação expressiva. A grande surpresa, porém, é o vereador da capital Draga Alana. Ele iniciou sua caminhada com uma base essencialmente em Teresina, mas sua candidatura ganhou musculatura e hoje já se espalha por diferentes regiões do Piauí. Nas contas desses tradicionais observadores, Draga Alana não apenas entraria na Assembleia: pode surpreender com uma das votações mais expressivas do estado. Se três entram, três cadeiras precisam ficar pelo caminho. E os mesmos apostadores apontam como ameaçados três veteranos: Evaldo Gomes, Nerinho e Marden Menezes. Evaldo ocupa cadeira na Assembleia desde 2010; Nerinho construiu uma longa trajetória parlamentar com forte presença política na região de Picos; e Marden Menezes também acumula sucessivos mandatos na Casa. Para esses tradicionais observadores da matemática eleitoral, os três enfrentariam hoje enormes dificuldades para retornar à Assembleia. O alerta vai principalmente para lideranças municipais que ainda apostam suas fichas nesses projetos: podem terminar a eleição sem representação na Alepi pelos próximos quatro anos. É bom deixar claro: não é a coluna que está decretando quem entra ou quem sai. É o que dizem, nos bastidores, antigos contadores de votos, apostadores e observadores da política piauiense muitos deles conhecidos por acertarem a dança das cadeiras eleição após eleição. Agora é esperar as urnas para saber se, mais uma vez, eles acertaram.


FACHIN TENTOU APAGAR O INCÊNDIO, MAS STF CONTINUA EM EBULIÇÃO. 

A quinta-feira (10) mostrou que a intervenção do presidente do STF, Edson Fachin, conseguiu frear o choque aberto entre ministros, mas está longe de encerrar uma das mais graves crises internas da Corte das últimas décadas. Fachin suspendeu os efeitos das decisões conflitantes de André Mendonça e Flávio Dino sobre o comando da Polícia Federal, manteve Andrei Rodrigues no cargo e deu prazo para que o diretor-geral apresente esclarecimentos. Também retirou Alexandre de Moraes da relatoria do inquérito das fake news e chamou o plenário para enfrentar o problema. Mas ontem ficou claro que a temperatura continua alta. Flávio Dino autorizou a operação da Polícia Federal sobre suspeitas de desvio de emendas parlamentares destinadas a projeto relacionado ao filme “Dark Horse”, determinando inclusive medidas cautelares contra o deputado Mário Frias. A movimentação foi interpretada no ambiente político como mais um capítulo de uma disputa que já ultrapassou os gabinetes do Supremo. No centro do furacão continua Alexandre de Moraes. O plenário do STF está convocado para terça-feira (15), quando deverá analisar o relatório que aponta interlocução entre Moraes e o ex-banqueiro Daniel Vorcaro, do Banco Master, além do pedido da PGR para anular o documento. Até lá, qualquer investigação envolvendo integrantes da própria Corte ficou submetida ao controle da presidência do tribunal. A crise já ultrapassou o Judiciário. Empresários e juristas passaram a discutir abertamente mudanças como mandato para ministros do STF, limites às decisões monocráticas e código de conduta para as cortes superiores. Fachin conseguiu impedir, por enquanto, que ministros continuassem derrubando decisões uns dos outros. Mas não resolveu o problema central. O incêndio foi cercado. Ainda não foi apagado.