A visita do presidente Lula ao Piauí nesta quarta-feira coloca em evidência uma questão que deve ser explorada pela oposição contra o governador Rafael Fonteles: a proximidade política entre os dois, diante da dificuldade de apontar grandes obras estruturantes financiadas diretamente pelo governo federal durante a atual gestão estadual. Rafael busca associar sua imagem à popularidade de Lula no Piauí, mas permanece a pergunta: qual grande obra estruturante o governo federal trouxe ao Estado como resultado direto da articulação política do governador com o presidente? O VLT de Teresina, principal obra da agenda presidencial, também envolve recursos obtidos por meio de operações de crédito do Estado. Assim, a presença de Lula reforça a parceria política, mas não significa que os recursos utilizados na obra sejam integralmente provenientes do governo federal. A questão é saber quanto o governo Lula destinou, em recursos federais próprios, para novas grandes obras estruturantes iniciadas durante a gestão Rafael Fonteles. E, principalmente, qual delas pode ser apresentada como resultado direto da relação entre o governador e o presidente. Enquanto isso, o Piauí contratou empréstimos bilionários para financiar parte de seu programa de investimentos. Politicamente, a oposição deve explorar justamente essa diferença: Rafael tem Lula ao seu lado, mas precisa apresentar quais grandes investimentos federais foram efetivamente conquistados para o Piauí a partir dessa proximidade. Empréstimo contratado pelo Estado é dívida pública e não pode ser apresentado como recurso federal a fundo perdido.
PESQUISA INTERNA E “ESPIRAL DO SILÊNCIO” TERIAM CHAMADO ATENÇÃO NO KARNAK.
Uma pesquisa para consumo interno atribuída ao IPPI estaria circulando entre lideranças governistas com números diferentes dos apresentados em levantamentos eleitorais divulgados oficialmente. Segundo informações repassadas por integrantes do meio político, o levantamento teria apontado uma diferença de 23 a 25 pontos entre Rafael Fonteles e Joel Rodrigues, além de um número expressivo de eleitores ainda sem definição. Os dados, porém, não foram registrados na Justiça Eleitoral nem divulgados oficialmente. Por isso, não podem ser tratados como resultado de pesquisa eleitoral pública e permanecem no campo das informações não confirmadas. O levantamento também teria identificado sinais da chamada “espiral do silêncio”, fenômeno em que eleitores deixam de declarar sua preferência por acreditarem que determinada corrente política é minoritária ou por receio da reação do ambiente em que estão inseridos. A possibilidade ganha relevância diante da recente adesão do prefeito de Uruçuí, Gilberto Júnior, à candidatura de Joel Rodrigues. Não há, entretanto, comprovação pública de que a decisão tenha relação com o suposto levantamento. A movimentação também coloca em evidência o comportamento de prefeitos e lideranças municipais diante da disputa pelo Governo do Estado. Uma eventual mudança na percepção sobre o equilíbrio da eleição pode influenciar novas adesões ao longo da campanha. Nesse cenário, a visita de Lula a Teresina assume importância eleitoral. O presidente mantém forte votação no Piauí, e sua presença deverá ser utilizada para mobilizar a base governista, reforçar a candidatura de Rafael Fonteles e buscar eleitores ainda indecisos. Enquanto novas pesquisas oficiais são aguardadas, o cenário eleitoral permanece marcado pela diferença entre os levantamentos já divulgados e os números atribuídos à pesquisa interna. A evolução desse quadro deverá ser acompanhada pelas próximas pesquisas registradas e divulgadas oficialmente.
FAMÍLIA DIAS TENTA AMPLIAR ESPAÇO POLÍTICO ENQUANTO REJANE ENFRENTA AÇÕES NA JUSTIÇA.
Chama atenção no cenário eleitoral do Piauí a tentativa da família do ministro Wellington Dias de ampliar ainda mais sua presença na política justamente no momento em que Rejane Dias, ex-secretária de Educação e atual conselheira do TCE-PI, responde na Justiça Federal a ações relacionadas a supostas irregularidades milionárias no transporte escolar. O Ministério Público Federal levou à Justiça acusações envolvendo contratos da Educação e investigações que apontam prejuízos superiores a R$ 50 milhões em recursos destinados, entre outras finalidades, ao transporte de estudantes. Rejane nega a prática de improbidade e sustenta que as acusações não procedem. Mesmo diante desse desgaste judicial, o casal Wellington e Rejane Dias entra na campanha de 2026 trabalhando pela eleição do filho Vinícius Dias para deputado estadual pelo PT. A candidatura de Vinícius, número 13444, está deferida pela Justiça Eleitoral. A situação inevitavelmente abre espaço para um questionamento político: uma família que já ocupa posições de grande influência no poder público, e que ainda convive com graves questionamentos judiciais sobre a gestão da Educação, pretende agora ampliar sua representação na Assembleia Legislativa? Não se trata de atribuir ao filho qualquer responsabilidade pelos processos envolvendo a mãe, mas de um debate legítimo sobre concentração de poder, renovação política e responsabilidade pública. É uma discussão que certamente deverá acompanhar a família Dias durante a campanha eleitoral
JUSTIÇA BARRA NOVAS CONTRATAÇÕES TEMPORÁRIAS DE ENFERMEIROS PELA FMS.
A Justiça determinou que a Fundação Municipal de Saúde de Teresina (FMS) não realize novas contratações temporárias de enfermeiros. A decisão da 2ª Vara da Comarca de Teresina atende a pedido do Ministério Público do Piauí em Ação Civil Pública. O ponto central é que existe concurso público vigente, homologado em dezembro de 2024. Segundo o MPPI, foram criados 838 cargos efetivos de enfermeiro, mas ainda permanecem 273 profissionais exercendo atividades ordinárias e permanentes por meio de contratos temporários. Com a decisão, a FMS deverá priorizar a convocação dos aprovados no concurso para o preenchimento de funções permanentes, em vez de realizar novas contratações temporárias.
CRISE ENTRE STF E GOVERNO CONTAMINA A POLÍCIA FEDERAL E EXPÕE GUERRA INTERNA.
A crise institucional que envolve o STF e o governo Lula chegou ao coração da Polícia Federal. O que antes parecia uma disputa entre Poderes agora expõe divisões dentro da própria instituição, com delegados, setores de inteligência e a direção da PF envolvidos em questionamentos e investigações internas. A situação chegou a um ponto extremamente delicado: o ministro André Mendonça determinou que a Corregedoria da PF abra procedimentos de natureza penal e administrativo-disciplinar para investigar a atuação do diretor-geral Andrei Rodrigues, além de determinar seu afastamento preventivo. As tensões não começaram agora. Relatório interno da própria PF revelou atritos entre equipes responsáveis pelas investigações do escândalo do INSS, especialmente depois da mudança na coordenação da Operação Sem Desconto. O documento registra “tensões funcionais crescentes” e divergências sobre a condução das investigações que alcançaram Lulinha, filho do presidente Lula. A jornalista Malu Gaspar, que acompanha há décadas os bastidores da Polícia Federal, vem chamando atenção em suas análises para a gravidade do ambiente interno. O cenário descrito é de uma instituição submetida a uma pressão política e institucional poucas vezes vista, justamente quando investigações sensíveis alcançam personagens próximos ao governo e ministros do Supremo. A crise envolvendo Alexandre de Moraes e André Mendonça agravou ainda mais esse ambiente. Um relatório de inteligência da PF foi utilizado por Moraes para pedir investigação contra Mendonça; na sequência, Mendonça reagiu, questionou a origem e a utilização do documento e determinou providências contra integrantes da cúpula da própria Polícia Federal. É uma situação preocupante para o país. Independentemente de lado político, uma Polícia Federal dividida, com seus próprios integrantes sob suspeitas e investigações cruzadas, perde aquilo de que mais necessita para cumprir sua missão: confiança, estabilidade e independência. A PF é uma das instituições investigativas mais importantes da República. Transformá-la em campo de batalha de disputas envolvendo governo, STF e grupos internos seria um enorme prejuízo institucional. O Brasil precisa de uma Polícia Federal de Estado não de governo, de partido, de ministro ou de qualquer grupo político.
Silas Freire