Contratos milionários beneficiam contador ligado ao CEV, escola da família de Rafael Fonteles.

Contratos relacionados à intermediação de apresentações artísticas com recursos públicos colocaram em evidência o nome do contador Carlos Lustosa Filho, ex-presidente do Conselho Regional de Contabilidade e contador do grupo CEV, instituição fundada pelo professor Nazareno Fonteles, pai do governador Rafael Fonteles. De acordo com informações divulgadas por veículos de comunicação, a empresa Desempenhos Contábeis S/S Ltda., representada por Lustosa, aparece em contratos que ultrapassam R$ 1 milhão envolvendo a contratação de shows e eventos artísticos. A participação da empresa chamou atenção por sua atividade principal estar associada ao setor contábil. Além de atuar como contador do grupo CEV, Lustosa também ocupou cargo comissionado no governo estadual, fato que ampliou a repercussão do caso. Até o momento, não há informação de investigação, condenação ou decisão de órgão de controle apontando irregularidades nos contratos. Ainda assim, a ligação de Lustosa com instituições ligadas à família do governador tem gerado comentários e interpretações nos bastidores políticos, especialmente em razão dos valores envolvidos nas contratações realizadas com recursos públicos.


Força de Jeová anima aliados, mas amplia ruídos na Prefeitura de Teresina. 

O vice-prefeito de Teresina, Jeová Alencar, voltou a demonstrar sua capacidade de mobilização política ao reunir um grande público no tradicional Clube dos 100, no Parque Piauí, zona Sul da capital. O evento reuniu atletas, lideranças comunitárias, apoiadores e integrantes do grupo político ligado ao vice-prefeito, empolgando aliados da União Progressista. Nos bastidores, porém, o encontro também gerou comentários. A coluna recebeu relatos de pessoas ligadas à administração municipal afirmando que terceirizados da prefeitura teriam sido incentivados a comparecer ao evento e a convidar familiares. As informações, entretanto, não foram confirmadas oficialmente. Se por um lado Jeová exibe força e capilaridade eleitoral em sua principal base política, por outro continua acumulando críticas dentro de setores da própria administração do prefeito Silvio Mendes. Integrantes do governo municipal avaliam que seu estilo individualista de fazer política tem provocado desgastes e dificuldades na convivência interna, alimentando uma espécie de guerra fria nos bastidores do Palácio da Cidade. Entre alguns aliados, existe a preocupação de que esses atritos possam acabar produzindo reflexos políticos no futuro, inclusive junto a segmentos que deverão apoiar Joel Rodrigues na disputa majoritária. Trata-se, porém, de uma avaliação restrita aos bastidores políticos. Individualista ou não, terceirizados ou não, o fato é que Jeová Alencar conseguiu lotar o Clube dos 100, transformar o evento em uma demonstração de força política e animar a militância da União Progressista, reafirmando sua influência na zona Sul de Teresina.

Fenômenos das redes sociais ganham força na disputa para a Câmara Federal. 

A eleição de 2026 poderá marcar a consolidação de um fenômeno que vem crescendo a cada ciclo eleitoral: a força das redes sociais na construção de candidaturas competitivas. No Piauí, pelo menos três nomes despontam como exemplos dessa tendência e já são observados com atenção por partidos e analistas políticos. Um deles é o delegado Charles, que reúne mais de um milhão de seguidores nas redes sociais e possui forte presença digital junto ao público piauiense. Sua atuação na área da segurança pública lhe garantiu elevada popularidade e visibilidade. Nos bastidores, analistas avaliam que ele poderá figurar entre os candidatos mais votados do estado na disputa por uma vaga na Câmara Federal, repetindo fenômenos eleitorais anteriormente observados com nomes ligados à segurança pública. Outro nome é o da vereadora Samanta Cavalca. Apesar de não ter conquistado mandato em disputas anteriores de maior alcance, ela acumulou expressiva votação em eleições recentes e mantém um público fiel nas redes sociais e entre eleitores identificados com pautas conservadoras. A expectativa entre observadores é que sua candidatura chegue à disputa federal com densidade eleitoral relevante. Também aparece nessa lista o comunicador conhecido como Cachorro, figura popular na internet e em programas transmitidos por plataformas digitais. Com forte identificação junto ao eleitorado conservador e presença constante nas redes, ele é apontado como um dos nomes capazes de ampliar a competitividade da chapa à qual estiver filiado. Embora ainda falte muito para a definição do quadro eleitoral, o avanço desses nomes reforça uma tendência cada vez mais evidente: candidatos com grande alcance digital e capacidade de comunicação direta com o eleitor podem desempenhar papel decisivo na disputa por vagas na Câmara dos Deputados. Se as redes sociais já influenciam o debate público, em 2026 elas poderão ser determinantes para impulsionar candidaturas que nasceram fora das estruturas políticas tradicionais.

Joel cresce e preocupa o Karnak. 

O crescimento de Joel Rodrigues no cenário eleitoral já começa a provocar preocupação dentro do Palácio de Karnak. Fontes ligadas ao governo afirmam que levantamentos internos têm mostrado uma aproximação cada vez maior do nome da oposição em relação ao governador Rafael Fonteles. A informação que circula nos bastidores é que, mesmo após episódios que adversários acreditavam que poderiam desgastar sua imagem, Joel manteve força política e continua avançando nas pesquisas. Segundo essas avaliações, a diferença observada atualmente seria plenamente reversível dentro da dinâmica natural da disputa eleitoral. Diante desse cenário, interlocutores do governo relatam que o acompanhamento das pesquisas deverá ser intensificado nos próximos meses. A percepção entre aliados é que a disputa poderá ser mais competitiva do que se imaginava há algum tempo. Nos bastidores da oposição, a leitura é de que o crescimento de Joel tem causado desconforto em setores do governo, que passaram a reagir de forma mais intensa ao avanço do adversário. Já governistas sustentam que o favoritismo continua com Rafael Fonteles. O fato é que, faltando ainda um longo caminho até as eleições, o avanço de Joel Rodrigues já é tema frequente nas conversas políticas e desperta preocupação em áreas estratégicas do Palácio de Karnak.

A pergunta que não quer calar: por que tanta pressa no contrato do lixo?

A pergunta continua ecoando nos meios jurídico e político de Teresina: por que tanta pressa para escolher uma empresa que ficará responsável por um contrato que pode movimentar cerca de R$ 500 milhões na coleta e destinação do lixo da capital? O caso ganhou ainda mais força depois que o Tribunal de Contas identificou problemas no processo licitatório e determinou a suspensão do certame. A decisão aumentou as dúvidas sobre a necessidade de tanta urgência por parte da Prefeitura. O que chama atenção é que a empresa atualmente responsável pelo serviço continua operando em regime emergencial e, quando cobrada, tem conseguido manter a limpeza da cidade. Pela legislação, existem mecanismos que permitem a continuidade do serviço enquanto uma nova licitação é preparada de forma segura, transparente e sem atropelos. Então, por que a corrida contra o tempo? Quem tem tanta pressa para concluir um contrato bilionário? Quem será a empresa que desperta tamanho interesse? São perguntas que a população tem o direito de fazer, especialmente quando se trata de um dos maiores contratos da administração municipal. É claro que o problema do lixo em Teresina existe e precisa ser enfrentado. Também é verdade que a Prefeitura precisa melhorar a fiscalização, a organização e a gestão do serviço. Mas justamente por envolver valores tão elevados, a escolha da futura empresa deveria ocorrer com máxima transparência, ampla concorrência e absoluta segurança jurídica. Quando um processo é acelerado demais, surgem desconfianças. E quando o próprio Tribunal de Contas manda parar para revisar o caminho, a cautela passa a ser obrigação. A cidade precisa de uma solução para o lixo. O que não precisa é de pressa demais para entregar um contrato de meio bilhão de reais.

Ciro avança sobre a base governista. 

O senador Ciro Nogueira segue ampliando seu espaço dentro de setores da própria base do governo estadual. Nos últimos dias, duas visitas à residência do líder progressista chamaram atenção pelos recados políticos transmitidos nos bastidores. Uma delas foi da vereadora de Teresina, Luci Silveira, que estava distante do grupo político de Ciro desde a saída de sua filha, a deputada estadual Bárara do Firmino, da sigla. No encontro, porém, a parlamentar deixou clara sua disposição de apoiar a reeleição do senador, sinalizando uma reaproximação política. Outro visitante foi o prefeito de São João do Piauí, Ednei Amorim, tio do deputado estadual Gil Carlos, considerado um dos parlamentares mais influentes da base do governador Rafael Fonteles. Gil Carlos possui forte espaço na estrutura governamental, inclusive com sua esposa ocupando a presidência do Iapep Saúde. Mesmo assim, Ednei Amorim esteve na residência de Ciro Nogueira para agradecer recursos e ações destinadas ao município de São João do Piauí e manifestar apoio à sua candidatura à reeleição para o Senado. Os movimentos reforçam uma realidade cada vez mais presente no cenário político piauiense: aliados do Palácio de Karnak que mantêm apoio ao governador Rafael Fonteles, mas que não abrem mão de preservar seu voto para o senador Ciro Nogueira. A convivência entre esses dois campos políticos tem se tornado cada vez mais frequente à medida que as articulações para 2026 ganham intensidade.

PF rejeita novamente delação e divergências na imprensa chamam atenção. 

A segunda rejeição da proposta de colaboração premiada apresentada pelo empresário Daniel Vorcaro continua gerando repercussão nos meios político e jurídico. O episódio também expôs divergências entre informações divulgadas por diferentes veículos de comunicação sobre o conteúdo da delação. Enquanto reportagens apontavam supostas novidades envolvendo personagens já conhecidos das investigações relacionadas ao caso Banco Master, o jornal O Globo informou nesta quinta-feira que investigadores ouvidos pela publicação afirmaram não existir qualquer fato novo relacionado ao senador Ciro Nogueira no material apresentado até o momento. A informação contrasta com interpretações divulgadas anteriormente por outros veículos, que sugeriam alterações relevantes em trechos atribuídos ao conteúdo da colaboração. Diante desse cenário, permanecem as dúvidas sobre os motivos que levaram os órgãos de investigação a não avalizarem a delação pela segunda vez. A rejeição levanta questionamentos sobre a consistência das informações apresentadas, a existência de elementos ainda considerados insuficientes pelos investigadores e quais pontos precisariam ser esclarecidos para que um eventual acordo possa avançar. Por enquanto, o que existe são versões e interpretações em disputa. As conclusões definitivas continuam dependendo da análise das autoridades responsáveis pelo caso.