Rafael na Fazenda? O currículo impressiona, mas o Piauí real cobra resultados.

Rafael Fonteles conseguiu vender uma imagem positiva fora do Piauí. Cotado para o Ministério da Fazenda, reúne formação acadêmica respeitável, talento reconhecido na matemática e uma reeleição com mais de 70% dos votos. Mas o currículo do governador precisa ser confrontado com a realidade dos governados. Na avaliação desta coluna, a vitória expressiva também reflete uma oposição fragilizada, cujas bases frequentemente se misturaram às do governo. Resultado eleitoral merece respeito, mas não dispensa fiscalização. A fama de rigor fiscal exige explicações diante de mais de R$ 20 bilhões em empréstimos autorizados desde 2023 autorização não significa dinheiro recebido  e de operações destinadas a refinanciar dívidas anteriores. O mercado precisa examinar essa conta inteira. Os avanços no Ideb são reais e merecem reconhecimento. Convivem, porém, com uma dívida educacional histórica: no Censo de 2022, seis cidades piauienses estavam entre as dez com maiores taxas de analfabetismo do Brasil. Um problema anterior ao mandato, mas que permanece como responsabilidade de governo. Nas grandes promessas, o hidrogênio verde sofreu um revés com o cancelamento da licença da Solatio, embora o governo sustente a continuidade de outros projetos. Sobre o porto de Luís Correia, esta coluna contesta a narrativa oficial e cobra comprovação da efetiva exportação para a China: deslocamento de carga para transbordo em alto-mar, isoladamente, não comprova a conclusão anunciada. Enquanto isso, o básico continua cobrando respostas. As carências de abastecimento e a necessidade de carros-pipa mostram a distância entre a propaganda e a vida de quem precisa de água para beber. Rafael tem um currículo que impressiona. O Piauí precisa de resultados que cheguem à torneira, à escola e à mesa da população.

CIRO E RUEDA ANUNCIAM APOIO, MAS OS VOTOS NÃO VÊM NO PACOTE. 

Antonio Rueda e Ciro Nogueira anunciaram, nesta terça-feira (27), o apoio da Federação União Progressista à reeleição de Davi Alcolumbre para a presidência do Senado. Nos bastidores, segundo a CNN Brasil, a articulação envolve também um aceno do União Brasil à permanência de Hugo Motta no comando da Câmara. Na avaliação desta coluna, o movimento fortalece o governo Lula, interessado na recondução dos dois presidentes. O problema é que anunciar apoio em nome dos partidos não significa entregar os votos das bancadas. Guilherme Derrite, do PP, eleito senador por São Paulo e ligado à segurança pública, já avisou que não votará em Alcolumbre. Defende um candidato único da direita, citando Rogério Marinho e Tereza Cristina como alternativas. A resistência também apareceu na manifestação de Tereza Cristina, que lembrou que a eleição será decidida pelo voto livre, soberano e secreto dos senadores. É um recado direto: a posição da cúpula não encerra a discussão dentro de casa. Ciro e Rueda podem negociar o apoio das direções partidárias. Convencer parlamentares eleitos com discurso de direita a acompanhar uma articulação que favorece o governo será outra tarefa. A assinatura é dos dirigentes; o voto pertence a cada parlamentar.

LULA SOMA QUASE 15 MIL VOTOS EM 106 URNAS ONDE FLÁVIO BOLSONARO ZERA; RESULTADO CHAMA ATENÇÃO. 

Uma votação de espantar. Segundo levantamento da Paris Group publicado pela coluna Painel, da Folha de S.Paulo, Lula somou 14.860 votos em 106 urnas nas quais Flávio Bolsonaro não recebeu um único voto. A reportagem também registra que Lula ficou zerado em quatro urnas. O petista ainda ampliou sua votação entre os turnos em um estado onde Flávio manteve ampla vantagem. Mas é a concentração de votos nessas 106 urnas que desperta atenção e merece uma explicação acessível ao eleitor. Onde ficam essas seções? Qual o perfil do eleitorado? Quantos votos brancos e nulos foram registrados? Uma avaliação dos boletins de urna e do contexto de cada comunidade pode esclarecer esses resultados. O espanto não comprova fraude, mas a cobrança por transparência é legítima. Um resultado tão concentrado merece ser explicado com dados e clareza.

CONTRATOS MILIONÁRIOS NA MIRA DO MP: GESTÃO DE OSVALDO DA ABELHA BRANCA ACUMULA PROBLEMAS EM PAULISTANA. 

O prefeito de Paulistana, Osvaldo da Abelha Branca (MDB), enfrenta mais uma frente de investigação sobre sua administração. Segundo o GP1, o Ministério Público do Piauí instaurou três inquéritos civis para apurar possíveis irregularidades em contratações que ultrapassam R$ 10 milhões, envolvendo energia solar, consultoria e serviços de saúde. O caso se soma a outros questionamentos. Em setembro, o Ministério Público do Trabalho abriu investigação sobre denúncia de assédio eleitoral, tendo o prefeito e o município como noticiados. A portaria citada na reportagem não detalha as condutas denunciadas. A administração também teve uma licitação de publicidade de aproximadamente R$ 198 mil suspensa pela Justiça, por indícios de ilegalidade na modalidade adotada. A decisão previu multa pessoal ao prefeito em caso de descumprimento. Politicamente, o acúmulo desses casos aumenta o desgaste e pode tornar mais difícil a condução do restante do mandato. Osvaldo terá de responder com documentos e explicações. A possibilidade de interrupção do mandato, porém, depende de fundamentos e decisões específicos: as investigações citadas não permitem antecipar esse desfecho.

DIESEL BEIRA R$ 10 NO SUL DO PIAUÍ ENQUANTO ELITE PETISTA COMEMORA E DISPUTA MINISTÉRIOS. 

Enquanto a elite petista comemora a vitória de Lula e faz suas apostas sobre quem vai ser ministro, o diesel chega a quase dez reais no Sul do Piauí. De um lado, a festa pelo poder. Do outro, o aperto de quem precisa abastecer para trabalhar. O combustível caro pesa no frete, encarece a produção e pressiona o preço dos alimentos. Caminhoneiros, produtores e consumidores sentem no bolso, enquanto os interesses da população ficam fora da disputa por cargos. Que vantagem o piauiense leva com esse desfile de vaidades nas redes sociais e na imprensa? O povo quer respostas para o custo de vida. Disputa por ministério não enche tanque nem põe comida na mesa.

TRUMP VOLTA A QUESTIONAR ELEIÇÃO BRASILEIRA; GOVERNO AMERICANO ANUNCIA VISTOS PARA FLÁVIO BOLSONARO. 

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, voltou a levantar suspeitas sobre a eleição brasileira nesta terça-feira (27), durante comício em Corpus Christi, no Texas. Sem apresentar provas, o republicano retomou as acusações de fraude, mantendo o resultado brasileiro sob ataque em seu discurso político. No mesmo dia, o Departamento de Estado confirmou que emitirá vistos para Flávio Bolsonaro e seus familiares, permitindo a entrada deles nos Estados Unidos. A medida sinaliza acolhimento ao senador, mas não confirma concessão de asilo político nem participação americana em sua saída do Brasil. Na segunda-feira (26), Trump também anunciou recompensa de US$ 1 milhão por denúncias de fraude eleitoral que levem à prisão e condenação dos responsáveis. A oferta foi feita no contexto das eleições dos Estados Unidos, sem referência ao Brasil.

SEM TITULAR DESDE AGOSTO, ESPORTE DE TERESINA FICA FORA DE JOGO. 

A Secretaria de Esportes de Teresina está sem titular desde agosto, quando o vereador Zé Neto, do MDB, deixou o comando da pasta. Se durante sua passagem a atuação da secretaria já era pouco percebida, imagine agora, sem secretário. O esporte da capital precisa de planejamento, manutenção dos espaços públicos e apoio aos atletas e aos projetos dos bairros. Não pode ficar esperando que a prefeitura resolva uma cadeira vazia. A gestão municipal precisa explicar a demora e dizer quem vai assumir essa responsabilidade. Para quem espera incentivo ao esporte, o placar continua zerado.