Imprensa nacional expõe dívidas do Piauí e levanta dúvidas sobre a gestão fiscal de Rafael Fonteles.

A situação financeira do Piauí ganhou destaque na imprensa nacional em meio à possibilidade de o governador Rafael Fonteles (PT) assumir o Ministério da Fazenda no governo Lula. Reportagens da Folha de S.Paulo e do Metrópoles, além de uma análise publicada por O Antagonista, colocam em evidência o aumento dos investimentos estaduais, mas também o déficit bilionário, o recurso a empréstimos e o acúmulo de precatórios atrasados.

Segundo os dados divulgados, o déficit primário acumulado na gestão chegou a R$ 3,7 bilhões. Os investimentos públicos passaram de R$ 7,1 bilhões nos quatro anos anteriores para R$ 13,1 bilhões entre 2023 e 2026. Entretanto, entre 2023 e 2025, as operações de crédito corresponderam a cerca de 90% dos investimentos. O estoque de precatórios vencidos e não pagos alcançou R$ 3,2 bilhões em 2025.

Os números contrastam com a imagem de gestor técnico construída por Fonteles, que foi secretário estadual da Fazenda antes de assumir o governo. Embora o Piauí tenha registrado aumento da arrecadação e avanços em indicadores de investimento público, os dados fiscais levantam dúvidas sobre a sustentabilidade desse modelo de expansão dos gastos.

O governo aprovou, em 2025, uma regra fiscal para limitar o crescimento das despesas, em vigor desde 2026. Ainda é cedo, porém, para avaliar seus resultados.

A repercussão nacional ocorre justamente quando Fonteles aparece entre os nomes cotados para comandar a economia brasileira. Caso seja escolhido, terá de demonstrar como pretende conciliar investimentos públicos, controle das despesas e equilíbrio das contas em um cenário fiscal muito mais amplo e complexo.

A experiência de Rafael Fonteles no Piauí agora será observada também pelos resultados das contas públicas. O crescimento dos investimentos é um dado relevante, mas o déficit, as operações de crédito e os precatórios mostram que a situação fiscal do estado também precisa entrar na avaliação de seu nome para o Ministério da Fazenda.