Medo dos indecisos e a “missão Ravena”

A preocupação do governador Rafael Fonteles com o eleitorado indeciso apontado na última pesquisa Datafolha, divulgada pela Rede Globo, começa a aparecer também no discurso político e nas movimentações da base governista. É nesse cenário que setores da oposição identificam o que chamam de “missão Ravena”. Ravena Castro, candidata ao Governo do Estado por uma pequena legenda, passou a concentrar parte de seu discurso na área da saúde e a fazer críticas à candidatura da médica Dra. Lúcia, do PSDB, que transformou justamente a saúde pública em uma das principais bandeiras de campanha. Dra. Lúcia tem percorrido unidades de saúde, denunciado problemas e apresentado propostas para a área. A estratégia da oposição é transformar as dificuldades do setor em um dos principais pontos de desgaste do governo. Na avaliação de adversários de Rafael Fonteles, o confronto entre Ravena e Dra. Lúcia teria potencial para retirar a médica do foco sobre a gestão estadual e dividir o eleitorado que demonstra insatisfação com os serviços públicos. Ravena, que tem formação na área do Direito e também se apresenta como estudante de Medicina, vem endurecendo o discurso contra médicos e chegou a classificá-los como “elite”. O embate já apareceu em debates e entrevistas, inclusive na Rede Meio Norte, onde as duas candidaturas protagonizaram momentos de confronto. Para setores da oposição, o desafio do PSDB  é não transformar Ravena em sua principal adversária. A avaliação é que, ao responder diretamente às provocações, Dra. Lúcia poderia deixar em segundo plano justamente a pauta que pretende explorar: os problemas da saúde pública e a insatisfação do eleitorado. A conta política é simples: quanto mais a oposição disputar entre si, menos espaço sobra para discutir o governo. E, com uma parcela significativa do eleitorado ainda indecisa, é justamente essa fatia que pode definir os rumos da eleição nos próximos 30 dias.


VAGA EM JOGO: EVALDO PERDE FORÇA E BRENO E ENZO TRAVAM DISPUTA ACIRRADA PELA ALEPI

A disputa por uma vaga na Federação que deve eleger representantes para a Assembleia Legislativa do Piauí em 2026 começa a ganhar contornos de uma verdadeira queda de braço entre Evaldo Gomes, Breno Macedo e Enzo Samuel. Entre os observadores da política, o veterano Evaldo Gomes aparece hoje em desvantagem considerável nas apostas para garantir a cadeira no próximo ano. O deputado conta com uma estrutura logística muito forte, mas estaria encontrando dificuldades para transformar essa estrutura em apoio político e eleitoral. Nos bastidores, críticos apontam falta de empatia na relação com lideranças e eleitores e até uma postura considerada prepotente, o que teria dificultado a aproximação de novas lideranças com sua candidatura. Com Evaldo enfrentando esse cenário, as atenções se concentram na disputa entre os novatos Breno Macedo e Enzo Samuel. A avaliação, por enquanto, é de uma eleição “cabeça a cabeça”, sem condições de apontar, a olho nu, quem terá mais força para conquistar a cadeira. A guerra está aberta. Os olhos da política piauiense estarão atentos para saber quem chegará à Assembleia Legislativa e quem ficará de fora do Parlamento estadual em 2026. 

FUSÃO NA CHAPA DE FEDERAIS MIRA PRESERVAR VAGA DO “PT RAIZ. 

Uma fusão de candidaturas na chapa de deputados federais da federação formada por PT, PV e PCdoB deve acontecer até o dia 7 de setembro. A articulação já é tratada como praticamente definida nos bastidores e teria o aval do governador Rafael Fonteles. A operação prevê que uma das candidaturas seja retirada para fortalecer outra, sem alterar, na avaliação dos articuladores, a expectativa de a federação eleger quatro deputados federais. Mas há uma estratégia política por trás da fusão: preservar uma vaga para o chamado PT raiz. A avaliação interna é de que, sem essa operação, o partido poderia acabar perdendo espaço para uma candidatura de fora da tradição histórica do PT. Na conta dos bastidores, a movimentação também teria como objetivo evitar que uma das vagas da federação fique com o delegado Charles ou com o deputado Santana, este último visto por setores petistas como alguém que chegou ao PT por circunstância eleitoral, e não por uma trajetória histórica dentro do partido.

A LOBISTA QUE “PILANtrou” TAMBÉM NO PIAUÍ. 

O escândalo envolvendo a lobista Roberta Luchsinger, investigada pela Polícia Federal no caso que envolve o INSS e o filho do presidente Lula, ganhou um capítulo no Piauí. Chamada de “pilantra” pelo próprio Lula durante entrevista ao Jornal Nacional, Roberta também teve trânsito político no estado e aparece em registros ao lado de importantes nomes do PT. Segundo reportagem do DitoIsto, a lobista esteve no Palácio de Karnak em pelo menos duas ocasiões para audiências com Regina Sousa, então vice-governadora e posteriormente governadora do Piauí. Em 2022, ela também participou de atos de campanha de Rafael Fonteles e Wellington Dias. Nas redes sociais, Roberta publicou fotografias ao lado de Rafael e Wellington e afirmou que faria o possível para “ajudar os amigos” no Piauí. Rafael Fonteles chegou a responder à publicação. O comentário, posteriormente, foi retirado. A circulação de Roberta não teria se limitado ao PT. A reportagem também registra encontros com o então prefeito de Teresina, Dr. Pessoa, que chegou a gravar uma mensagem afirmando ser fã da lobista. O Governo do Piauí afirma que não manteve contratos com Roberta ou com empresas ligadas a ela. A assessoria de Wellington Dias também negou a existência de contratos com o governo estadual ou com o Ministério do Desenvolvimento Social. O ponto que chama atenção, portanto, não é apenas a investigação nacional envolvendo Roberta, mas o trânsito que ela conseguiu estabelecer no meio político piauiense. A questão agora é entender o que a lobista buscava no Piauí, quem a recebeu e quais portas políticas foram abertas para ela no estado.

HUGO MOTTA ESTÁ UMA ARARA COM DEPUTADO DO PIAUÍ. 

O presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta, está uma arara com um deputado piauiense que ele próprio teria ajudado a apadrinhar nos espaços de poder da Câmara Federal. O parlamentar teria recebido apoio de Motta para ganhar espaço nas comissões e nas articulações do Orçamento da União, numa operação que também tinha como objetivo prestigiar a Paraíba, Estado de Hugo Motta, e fortalecer politicamente o grupo de sua família. Só que, na hora H, o deputado piauiense teria dado um verdadeiro balão em Hugo Motta. Segundo os bastidores de Brasília, depois de contar com o apoio do presidente da Câmara para conquistar espaço e influência, o parlamentar teria tomado decisões que contrariaram os interesses de Motta e deixado de cumprir aquilo que, politicamente, havia sido combinado. A irritação teria sido grande. Motta teria entendido que o deputado usou a porta que ele abriu e, depois de entrar, bateu a porta na cara do anfitrião. Agora, a conversa que circula em Brasília é que Hugo Motta promete dar o troco. E, segundo interlocutores, não seria um troco pequeno. A palavra usada nos bastidores é “vingança”. E é justamente aí que a situação pode ficar delicada para o parlamentar piauiense. Há comentários de que Motta estaria disposto a retirar dele espaços, prestígio e proteção política dentro da Câmara. Também circula a informação de que os “pepinos” do deputado no Judiciário poderiam ganhar velocidade. Essa informação é tratada aqui como bastidor e não significa que Hugo Motta esteja interferindo em processos judiciais ou determinando qualquer providência contra o parlamentar. Mas, politicamente, o recado parece estar dado: quem recebe o apadrinhamento de Hugo Motta não deveria esquecer de onde veio a força. O deputado piauiense teria esquecido. E agora Hugo Motta está uma arara. Em Brasília, quando alguém dá um balão em quem controla boa parte dos espaços de poder da Câmara, a conta costuma chegar. E, nesse caso, a fatura promete ser salgada.

FUNDÃO: A CONTA QUE NINGUÉM EXPLICA. 

A distribuição do fundo eleitoral já provoca insatisfação entre candidatos de diferentes partidos no Piauí, tanto da base governista quanto da oposição. Candidatos a deputado federal e estadual reclamam da diferença nos valores recebidos. Há relatos de postulantes considerados competitivos que teriam recebido até três vezes menos recursos do que determinadas candidatas. Um dos casos que circula no meio político envolve um candidato que teria recebido cerca de R$ 100 mil, enquanto uma candidata apontada como ligada à filha de um caseiro do partido teria recebido milhões. Até o momento, não há explicação pública sobre os critérios utilizados para a distribuição dos recursos. Também circulam suspeitas sobre possíveis candidaturas utilizadas para movimentação de recursos do fundo eleitoral. Caso sejam comprovadas irregularidades, a situação poderá ser apurada pelos órgãos de controle e pela Justiça Eleitoral. A prestação de contas das campanhas deverá revelar como os recursos foram distribuídos e utilizados. O fundo eleitoral é público. Os critérios para sua distribuição também precisam ser transparentes.

IA TURBINOU OS BÍCEPS DE LULA E MARCELO CASTRO. 

A inteligência artificial virou a solução encontrada pela assessoria do senador Marcelo Castro diante da resistência do presidente Lula em gravar o tradicional vídeo ao lado dos senadores que disputam as vagas da base governista no Piauí. Na imagem produzida por IA, Marcelo Castro aparece ao lado de Lula, de mãos dadas e no alto de uma montanha, em uma cena que tenta transmitir força, união e vigor. O detalhe que chamou atenção nas redes sociais, porém, foram os músculos. Os bíceps de Lula e Marcelo Castro aparecem turbinados, com proporções que lembram fisiculturistas. A montagem rapidamente virou motivo de piada entre internautas no Piauí, que ironizaram tanto o uso da inteligência artificial quanto o visual musculoso dos dois. A estratégia, que pretendia transmitir força política, acabou entregando outro resultado: Lula e Marcelo Castro podem até não ter gravado o vídeo juntos, mas já estão prontos para disputar um campeonato de musculação.