Seis anos após a morte de uma feirante atropelada no balão da Tabuleta, em Teresina, a família continua recorrendo à Justiça em busca de responsabilização e indenização. O acidente aconteceu em 2020 e, segundo familiares e testemunhas, o veículo envolvido era conduzido pelo deputado Jadyel Jupi. De acordo com relatos apresentados pela família, o motorista teria realizado uma conversão considerada arriscada e em velocidade incompatível com a manobra. A feirante foi atingida e morreu em decorrência do acidente. Na esfera criminal, a Polícia Civil do Piauí não encontrou elementos suficientes para indiciar Jardiel Jupi por crime culposo. Insatisfeitos com o desfecho da investigação, os familiares decidiram continuar a busca por responsabilização na Justiça Civil. É nesse processo que a família apresenta documentos e depoimentos de testemunhas que afirmam ter presenciado o acidente e sustentam que Jardiel Jupi estaria na condução do veículo. Para os familiares, a ação não se resume à busca por uma indenização. Eles afirmam que querem o reconhecimento das consequências provocadas pela morte da mãe e uma resposta da Justiça sobre eventual responsabilidade pelo acidente. A família também acusa o parlamentar de não ter prestado, à época, a solidariedade que esperava e sustenta que ele teria utilizado sua influência para minimizar o episódio. Essas alegações, no entanto, deverão ser confrontadas com as provas apresentadas no processo e com a defesa do deputado. Os filhos da feirante eram crianças quando perderam a mãe. Hoje, alguns são adultos e outros adolescentes. Segundo os familiares, a perda ainda produz consequências emocionais e financeiras. A avó teria assumido parte significativa da responsabilidade pela criação e pelo sustento dos netos após a tragédia. O caso volta a ganhar repercussão em meio ao atual cenário eleitoral. Segundo os familiares, enquanto eles continuam enfrentando dificuldades e recorrendo à Justiça, Jadyel Jupi realiza uma campanha de grande estrutura e investimento, com ônibus e mobilização que, de acordo com a família, envolveria valores elevados. Os familiares afirmam que não buscam qualquer privilégio, mas querem que as provas sejam analisadas, que as testemunhas sejam ouvidas e que a Justiça Civil apresente uma resposta. Seis anos depois da tragédia, a expectativa da família é que, mesmo sem um indiciamento na esfera criminal, a Justiça Civil avalie as provas e determine se houve responsabilidade pelo acidente e eventual direito à reparação. As informações sobre quem conduzia o veículo, a dinâmica do acidente, a velocidade da manobra e as acusações feitas pela família são objeto de apuração e deverão ser analisadas no processo. Eventual responsabilidade civil será definida pela Justiça.
AGORA LASCOU: ICMBIO PEDE CANCELAMENTO DAS LICENÇAS DO PORTO PIAUÍ.
Agora lascou. O Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio) pediu formalmente o cancelamento das licenças ambientais concedidas pela Semarh ao Porto Piauí. O pedido coloca o empreendimento, que já iniciou operações comerciais e realizou embarques de minério para a China, diante de uma situação delicada. O ICMBio sustenta que permanecem problemas relacionados à compatibilidade do projeto com as regras da Área de Proteção Ambiental (APA) Delta do Parnaíba. O órgão federal já havia se manifestado contra o empreendimento e, agora, reforça a posição ao pedir o cancelamento das autorizações concedidas pelo Estado. A situação aumenta a pressão sobre a Semarh e o Governo do Piauí, que terão de explicar como o porto conseguiu avançar no processo de licenciamento e iniciar suas operações mesmo diante das restrições apontadas por órgãos federais. Agora é aguardar os próximos capítulos. O que parecia uma grande vitória para o Porto Piauí pode se transformar numa dor de cabeça ambiental, jurídica e política para o Governo do Estado.
JÚLIO CÉSAR COME MARCELO CASTRO PELAS BEIRADAS E AVANÇA ENTRE PREFEITOS PETISTAS.
O deputado federal Júlio César está fazendo uma operação política silenciosa, mas cada vez mais evidente: está comendo o senador Marcelo Castro pelas beiradas na disputa pela segunda vaga ao Senado dentro da base governista. O movimento mais recente veio de Passagem Franca do Piauí. O prefeito Saulo Trajano, do PT, já declarou voto no senador Ciro Nogueira, do Progressistas, para o primeiro voto. Agora, para a segunda vaga, decidiu apoiar Júlio César. O caso não é isolado. Uma parcela significativa dos prefeitos petistas vem fazendo exatamente esse movimento, escolhendo Ciro Nogueira como primeiro voto e Júlio César como segunda opção, deixando Marcelo Castro em segundo plano. A situação já começa a incomodar o Palácio de Karnak. O governador Rafael Fonteles, segundo informações de bastidores, tem acionado interlocutores para conversar com prefeitos do PT e tentar conter o avanço de Júlio César e preservar a candidatura de Marcelo Castro. Até agora, porém, o movimento não tem produzido o efeito esperado. Júlio César avança sem fazer muito barulho, enquanto Marcelo Castro enfrenta uma perda gradual de espaço justamente onde deveria estar mais forte: dentro do próprio grupo governista e, principalmente, entre os prefeitos petistas. Se esse movimento continuar, a eleição para o Senado pode deixar de ser uma disputa equilibrada pela segunda vaga e se transformar em uma corrida de recuperação para Marcelo Castro. Júlio César está comendo pelas beiradas. E, quando perceberem, pode já estar com o prato quase cheio.
PREFEITO ECLÉTICO
O prefeito de Morro Cabeça no Tempo mostrou que, na política, é possível agradar a gregos e troianos. Josué Alves anunciou apoio a três candidatos ao Senado, dois a deputado federal e dois a deputado estadual. A estratégia é eclética: na zona urbana, uma composição; na zona rural, outra. Assim, o prefeito distribui seus apoios entre diferentes grupos e lideranças políticas. Em tempos de eleição acirrada, Josué parece ter encontrado uma fórmula própria: não colocar todos os ovos na mesma cesta e tentar manter portas abertas com todo mundo. Um prefeito, definitivamente, eclético.
DECISÃO DO TCE VIRA DESGASTE NA CAMINHADA DE PERCY.
O Tribunal de Contas do Estado do Piauí (TCE-PI) manteve, por unanimidade, a decisão contra o ex-prefeito de Buriti dos Lopes, Raimundo Nonato Lima Percy Júnior, o Percy, em processo que apurou irregularidades em contrato de limpeza urbana. Segundo o TCE-PI, houve superfaturamento, além de falhas na fiscalização e na liquidação das despesas. A decisão aplicou multa de R$ 34.386,05 ao ex-gestor e determinou o envio dos autos ao Ministério Público Estadual. Percy recorreu, mas o Pleno do TCE-PI rejeitou o recurso e manteve a decisão. Candidato a deputado estadual, Percy vê a decisão como uma mancha em sua caminhada eleitoral. O episódio certamente será usado pelos adversários na campanha e coloca o ex-prefeito diante da necessidade de prestar esclarecimentos ao eleitorado sobre as irregularidades apontadas pelo Tribunal.
ÁGUAS DO PIAUÍ GANHA DECISÃO NO TJ-PI, MAS SILÊNCIO DO GOVERNO LEVANTA SUSPEITAS SOBRE RELAÇÃO COM A CONCESSIONÁRIA.
O Tribunal de Justiça do Piauí (TJ-PI) concedeu efeito suspensivo à Águas do Piauí SPE S.A. em uma disputa envolvendo problemas históricos no abastecimento de Redenção do Gurguéia. A decisão afasta, neste momento, a obrigação da concessionária de assumir falhas anteriores ao início de sua operação. Mas, para além da decisão judicial, permanece uma questão política que merece ser encarada: por que o Governo do Estado, responsável pela fiscalização e pela regulação do setor, não exerce uma cobrança mais firme sobre a concessionária? A Águas do Piauí assumiu a operação recentemente e, diante dos problemas encontrados, sustenta que parte significativa da responsabilidade está relacionada ao passivo deixado pela antiga gestão da Agespisa e pelos operadores anteriores. O argumento foi levado à Justiça e acabou encontrando respaldo na decisão do desembargador José Wilson Ferreira de Araújo Júnior, que considerou as regras previstas no contrato de concessão. O que chama atenção, entretanto, é a aparente falta de cobrança pública do Governo do Estado sobre a concessionária. Não se vê a mesma energia para exigir soluções da Águas do Piauí que se observa em outras situações envolvendo serviços públicos. Essa postura alimenta suspeitas sobre a relação entre o Governo do Estado e a concessionária. É uma questão que precisa ser esclarecida e confrontada com documentos, contratos, fiscalizações e atos da agência reguladora. A população quer água na torneira. E, nesse caso, não basta discutir quem é o culpado pelo passado. É preciso saber quem está cobrando a solução no presente. A Águas do Piauí não pode simplesmente atribuir todos os problemas à antiga Agespisa, assim como o Governo do Estado não pode permanecer em silêncio diante das dificuldades enfrentadas pelos consumidores. A decisão judicial trata de responsabilidades contratuais e passivos anteriores. A cobrança política e administrativa pela qualidade do serviço, porém, continua sendo necessária.
Silas Freire