Lula impõe escolha a Rafael: só grava com um senador e deixa governador em saia justa.

Lula avisou que só gravará vídeo eleitoral para um dos candidatos ao Senado da chapa governista no Piauí. A estratégia tem uma razão política: preservar uma porta aberta para o União Progressista, uma das maiores forças do Centrão e que tem no Piauí uma de suas principais lideranças, o senador Ciro Nogueira, candidato à reeleição. Por isso, Lula evita fechar essa porta já no primeiro turno. A decisão colocou Rafael Fonteles numa verdadeira sinuca de bico. O governador terá de escolher entre Marcelo Castro e Júlio César para dividir a imagem de Lula na campanha. Se escolher um, o outro zanga. Por isso, Rafael ainda não foi gravar com o presidente. Todos os outros candidatos governistas ligados a Lula já gravaram seus vídeos eleitorais com o presidente. Rafael, até agora, ainda não foi. Existe ainda uma alternativa: Lula não gravar para nenhum dos dois candidatos ao Senado. Mas essa saída teria um custo político alto para a base governista, pois enfraqueceria o discurso de que Marcelo Castro e Júlio César contam com o apoio direto do presidente Lula na disputa pelas duas vagas do Senado. A sinuca está armada: Rafael precisa decidir entre Marcelo e Júlio César, sabendo que qualquer escolha poderá desagradar o outro. Enquanto isso, Lula mantém sua estratégia de não fechar a porta para o União Progressista e para uma eventual composição no segundo turno.


BARRO DURO: ELEIÇÃO ANTECIPADA CAI NO STF. 

O Supremo Tribunal Federal considerou inconstitucional a eleição antecipada da Mesa Diretora da Câmara de Barro Duro e determinou a realização de um novo pleito. A decisão segue o entendimento da Corte contra antecipações excessivas das eleições para as Mesas Legislativas. (Radar Piauí⁠). Na prática, a decisão mexe no tabuleiro político da Câmara e devolve aos vereadores a necessidade de uma nova composição para o comando da Casa, dentro do período considerado constitucional pelo STF.

MAIS UMA DECISÃO DA JUSTIÇA ELEITORAL MEXE NO TABULEIRO DO AVANTE. 

A disputa interna do Avante ganhou mais um capítulo  e novamente com impacto direto sobre o projeto de Gustavo Henrique, o “Pancadinha”. Em decisão liminar, o TRE-PI determinou que a coligação “A Força da Fé”, formada por Avante e Novo, seja considerada na distribuição do horário eleitoral gratuito. Na prática, o tempo de rádio e televisão destinado ao Avante será utilizado pela chapa de Elizeu Aguiar, candidato ao Governo, e Antônio José Lira, candidato ao Senado.  A decisão é do desembargador Olímpio José Passos Galvão, que também reconheceu a validade da convenção do Avante realizada em 5 de agosto e considerou inválida a convenção anterior, de 30 de julho, que havia lançado Gustavo Henrique candidato ao Governo. Ou seja: o tabuleiro se move novamente contra Gustavo Henrique. Embora uma decisão anterior do TSE tenha determinado o processamento do registro de sua candidatura, a nova decisão do TRE-PI produz um efeito político imediato: Gustavo fica, neste momento, fora da divisão do tempo de rádio e televisão do Avante, enquanto a coligação com o Novo ganha espaço e estrutura para a campanha de Elizeu Aguiar. É mais um revés para o projeto de Gustavo Henrique, que críticos do Palácio de Karnak chegaram a classificar como uma candidatura de apoio ao grupo governista. Para o Palácio, o problema é que aquilo que parecia uma alternativa no tabuleiro eleitoral vai perdendo espaço a cada nova decisão judicial.

NO PIAUÍ, ATÉ O VOTO JÁ TEM TAXA: PREFEITA TERIA RETIDO 30% DE RECURSOS PARA VEREADORES. 

No Piauí, pelo visto, a criatividade tributária não tem limites. Já tem taxa da energia solar, taxa do poço e, agora, começa a surgir uma novidade no mercado político: a taxa do voto. A história vem de uma cidade da região Norte do Estado, nas proximidades da Cachoeira do Urubu. Por lá, segundo relatos de bastidores, uma prefeita teria recebido recursos enviados por um candidato ao Senado para serem distribuídos entre vereadores aliados. Só que, antes de o dinheiro chegar às mãos dos parlamentares, a gestora teria feito a chamada “retenção na fonte”: ficou com 30% e liberou apenas 70% para cada vereador. A justificativa seria de que os votos obtidos pelos vereadores para o candidato passam pela estrutura da prefeitura afinal, a prefeita é quem comanda a máquina municipal. É a famosa taxa de administração eleitoral. Se essa moda pegar, a Justiça Eleitoral vai ter que ficar de olho não apenas na compra de votos, mas também no novo modelo de cobrança: o imposto da compra de votos já viria descontado na fonte. O eleitor recebe o voto, o vereador recebe 70%, a prefeita fica com 30% e todo mundo sai ganhando menos a democracia, naturalmente. No Piauí, pelo visto, só falta criar o PIX do voto com desconto automático.

FIO PELADO NA OPOSIÇÃO AO KARNAK. 

A oposição ao Karnak em Teresina está com o fio desencapado. E a faísca agora vem de dentro do próprio grupo que deveria estar unido para enfrentar o governo Rafael Fonteles. O vereador Petrus Evelyn, do Progressistas, pré-candidato a deputado estadual, partiu para cima do colega de partido Pedro Alcântara, com críticas públicas e tentando colar no adversário a imagem de proximidade com os problemas da cidade. Ontem, chegou a dizer que Pedro estaria “puxando o saco” do prefeito Silvio Mendes. Mas, nos bastidores, o motivo parece ser outro: a disputa pelo eleitorado de oposição. Pedro Alcântara vem aparecendo, segundo levantamentos e aferições que circulam no meio político, de forma surpreendentemente competitiva entre os votos de direita e os chamados votos livres. E isso começa a representar uma ameaça ao espaço eleitoral de Petrus. Petrus construiu sua força política justamente na comunicação, especialmente por meio das denúncias e críticas publicadas na página O Piauiense, no Instagram. Só que Pedro também vem crescendo nesse mesmo terreno: o da comunicação política, conquistando visibilidade e aparecendo melhor nas sondagens. A ascensão do colega, portanto, mexeu com um território que Petrus considerava seu. E aí está o problema: enquanto a oposição deveria estar olhando para o Karnak, os próprios oposicionistas começam a olhar uns para os outros. A disputa pelo espaço, pelo voto e pela comunicação revela que a oposição ao governo do Estado está longe de estar unida. No campo adversário, Rafael Fonteles agradece. Porque quando a oposição briga pelo mesmo eleitor, quem está no poder ganha um adversário a menos para enfrentar.

OPOSIÇÃO JÁ TRABALHA COM A QUARTA VAGA NA ASSEMBLEIA. 

Nos bastidores da oposição, a avaliação que começa a ganhar força é de que a chapa proporcional poderá conquistar quatro cadeiras na Assembleia Legislativa. E, dentro dessa conta, quatro nomes aparecem como aqueles que, na leitura de aliados, vêm se distanciando dos demais na corrida: Gustavo Neiva, José Fernandes, Dr. Erivelto e Pedro Alcântara. A reeleição de Gustavo Neiva é tratada como uma das apostas mais seguras do grupo. O deputado já possui uma base consolidada e entra na disputa com o peso de quem busca renovar o mandato. Também aparecem com força nos cálculos oposicionistas José Fernandes, ex-prefeito de Nossa Senhora dos Remédios, e Dr. Erivelto, ex-prefeito de Bocaina. Os dois carregam bases municipais importantes e representam a força do voto interiorano. A grande surpresa dessa conta é Pedro Alcântara. O jornalista vem crescendo principalmente no chamado voto livre, especialmente nas maiores cidades, e consolidando uma posição de oposição ao PT tanto no cenário nacional quanto no Piauí. Em Teresina, a avaliação de aliados é ainda mais ousada: Pedro Alcântara já estaria brigando pelas primeiras posições entre os nomes que disputam o voto espontâneo. A força de sua comunicação e a identificação com um eleitorado de direita e independente podem transformar esse capital político em uma votação expressiva para deputado estadual. A leitura que circula na oposição é de que esses quatro nomes Gustavo Neiva, José Fernandes, Dr. Erivelto e Pedro Alcântara  abriram uma distância considerável em relação aos demais candidatos e hoje formariam o grupo mais forte na briga pelas vagas. É claro que eleição proporcional é uma disputa dinâmica e a campanha ainda pode alterar o cenário. Mas, neste momento, a oposição já não trabalha apenas com a possibilidade de fazer três deputados estaduais. A quarta vaga entrou de vez nos cálculos. E, nessa conta, os quatro nomes que começam a despontar são esses.