O discurso do Governo Rafael Fonteles de que o Piauí tem uma das melhores seguranças públicas do país esbarra em uma realidade que chama atenção: os policiais militares e bombeiros militares piauienses estão entre os profissionais mais mal remunerados do Brasil. Dados do 19º Anuário Brasileiro de Segurança Pública, elaborado pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública (FBSP), colocam o Piauí na última posição entre os estados brasileiros no ranking de remuneração média dos policiais militares. O dado revela uma defasagem significativa em relação à média nacional. O contraste é evidente. De um lado, o governo apresenta indicadores positivos na área da segurança e destaca os resultados alcançados. Do outro, os profissionais que estão diariamente nas ruas, enfrentando a criminalidade e colocando a própria vida em risco, aparecem na base do ranking salarial. Investimentos em viaturas, equipamentos, tecnologia e estrutura são importantes. Mas segurança pública também depende de quem está na linha de frente. A valorização desses profissionais precisa incluir condições adequadas de trabalho e uma remuneração compatível com a responsabilidade que carregam. O dado do anuário coloca uma questão que não pode ser ignorada: se o Piauí quer ser reconhecido pela qualidade de sua segurança pública, também precisa avançar na valorização de quem garante essa segurança todos os dias.
CENÁRIO DA DISPUTA PARA DEPUTADO FEDERAL COMEÇA A GANHAR FORMA NO PIAUÍ.
Faltando mais de um ano para a eleição, o desenho da disputa pelas 10 vagas do Piauí na Câmara dos Deputados começa a se consolidar. As articulações partidárias indicam quem larga em posição mais confortável e quem ainda precisará crescer para garantir espaço. Na base governista, o PT aparece com uma chapa robusta. Dr. Francisco, Delegado Charles e Flávio Nogueira surgem como nomes em posição mais consolidada. Na sequência, Merlong Solano, Florentino Neto e Zé Santana travam uma disputa direta pelas vagas restantes que o partido ou a federação conseguir conquistar. No PSD, Georgeano Neto e Wilson Martins despontam como os principais candidatos da legenda. No Republicanos, Jardiel Jupi aparece como favorito à vaga, enquanto a principal batalha deve ser pela primeira suplência, envolvendo Loiola e Fábio Abreu. No MDB, Castro Neto larga como principal aposta do partido para a Câmara Federal. Já Marcos Sampaio trabalha para que a legenda alcance votação suficiente para conquistar uma segunda cadeira, cenário considerado mais difícil e que dependerá do desempenho da chapa. Na oposição, a União Progressista apresenta Júlio Arcoverde e Átila Lira como nomes consolidados para buscar a reeleição. Emanoel Martins entra na disputa apostando na possibilidade de a federação conquistar uma terceira vaga, objetivo que dependerá de uma votação expressiva do conjunto dos candidatos. É importante destacar que esta é uma projeção baseada no cenário político atual. Em eleições proporcionais, não basta a votação individual. O resultado coletivo de cada partido ou federação é o fator determinante para definir a distribuição das 10 cadeiras do Piauí na Câmara dos Deputados, podendo alterar significativamente a posição de candidatos considerados favoritos ou azarões.
GRACINHA MÃO SANTA CONSOLIDA LIDERANÇA POLÍTICA NA PLANÍCIE LITORÂNEA.
Entre os parlamentares piauienses que mudaram de partido na atual legislatura, a deputada estadual Gracinha Mão Santa é apontada por analistas como o caso de maior consolidação política. Ao trocar o Progressistas pelo MDB, partido da base governista, a parlamentar preservou seu capital eleitoral e ampliou sua presença em toda a Planície Litorânea. As avaliações e pesquisas de cenário eleitoral indicam que Gracinha caminha para uma votação expressiva na região, com projeções que apontam para mais de 30 mil votos somente na Planície Litorânea. Se esse desempenho se confirmar nas urnas, será uma das maiores votações já registradas por um deputado estadual no litoral piauiense. Mesmo após o desgaste político decorrente da ruptura com o grupo que assumiu a Prefeitura de Parnaíba, episódio interpretado por seus aliados como uma traição política, Gracinha manteve sua força eleitoral. Sua presença se consolidou nos municípios da Planície Litorânea por meio de uma votação espontânea e de forte identificação popular. Assim como ocorreu com o ex-governador Mão Santa, sua principal referência política, Gracinha demonstra possuir um estilo próprio de fazer política. Embora conte com o apoio de prefeitos, vereadores e lideranças locais, sua força eleitoral é vista como independente dessas estruturas, sustentada por uma relação direta com o eleitor. No cenário atual, a deputada é considerada favorita à reeleição e desponta como uma das principais puxadoras de votos do MDB na região Norte do Piauí, reforçando sua posição como uma das lideranças mais influentes da política litorânea.
PT DENUNCIA O PRÓPRIO PT: VEREADOR ACUSA ACÚMULO DE CARGOS E PERSEGUIÇÃO POLÍTICA NO HOSPITAL INFANTIL.
Em tempos de disputa eleitoral, o velho ditado de que “na política, vaca desconhece bezerro” parece se confirmar. Desta vez, o embate acontece dentro do próprio PT. O vereador Joaquim do Arroz utilizou a tribuna da Câmara Municipal de Teresina para denunciar um suposto acúmulo de cargos por parte do chefe de gabinete do vereador João Pereira, que, segundo ele, também exerce a função de diretor do Hospital Infantil do Estado. Durante o pronunciamento, Joaquim do Arroz afirmou que, após deixar de apoiar politicamente o deputado estadual Dr. Vinícius, sua esposa foi exonerada da chefia da enfermagem do Hospital Infantil. Também declarou que uma pessoa de sua confiança, que trabalhava na marcação de consultas, teria sido retirada da função e transferida para outra atividade. Para o vereador, os episódios caracterizam perseguição política dentro da unidade de saúde. Paralelamente às declarações feitas na tribuna, há comentários recorrentes nos corredores da Câmara Municipal e do próprio Hospital Infantil sobre a situação administrativa da unidade. Entre as críticas que circulam estão relatos de falta de insumos para atendimento aos pacientes, enquanto haveria distribuição de gratificações e cargos por indicação política. Essas alegações, entretanto, não fizeram parte do pronunciamento do vereador Joaquim do Arroz e não foram comprovadas. O episódio expõe divergências dentro da própria base governista e coloca integrantes do PT em lados opostos de uma disputa política que envolve cargos, exonerações e acusações de perseguição dentro de uma unidade de saúde estadual.
RAFA BOYS INVESTEM NO ESPORTE, MAS SEGUEM SEM CONQUISTAR OS PRINCIPAIS TÍTULOS.
O Clube Atlético Piauiense (CAP), equipe que conta com o apoio de empresários ligados ao grupo conhecido como “Rafa Boys”, voltou a bater na trave em uma decisão. Na noite de ontem, o clube chegou à final do Campeonato Piauiense Sub-20, uma das principais competições das categorias de base do Estado, mas acabou derrotado pelo Fluminense nos pênaltis e ficou com o vice-campeonato. O CAP é frequentemente associado ao apoio financeiro de empresários próximos ao governador Rafael Fonteles, entre eles Felipinho e outros nomes que, segundo adversários políticos, acumulam contratos públicos. Esses empresários mantêm investimentos significativos na estrutura esportiva do clube. É preciso reconhecer que o investimento privado no esporte representa uma contribuição para a juventude piauiense, oferecendo oportunidades de formação e desenvolvimento a atletas nas categorias de base, no futebol masculino, feminino e também no futsal. A origem dos recursos e a fiscalização de eventuais contratos públicos cabem aos órgãos de controle competentes. No aspecto esportivo, porém, os resultados continuam aquém da estrutura montada. Apesar dos investimentos, do centro de treinamento e das equipes competitivas, o CAP tem acumulado presenças em decisões sem transformar esse desempenho em títulos. A derrota para o Fluminense, equipe comandada pelo ex-senador João Vicente Claudino, reforça essa sequência de finais sem conquista. Entre torcedores e pessoas ligadas ao futebol piauiense, começa a ganhar força a percepção de que existe uma espécie de “enigma esportivo” envolvendo o clube: mesmo dispondo de uma das maiores estruturas do Estado, os títulos mais importantes seguem escapando. O investimento permanece, as campanhas são consistentes, mas a taça continua distante.
ESCÂNDALOS AUMENTAM DESGASTE POLÍTICO DO GOVERNO LULA ÀS VÉSPERAS DA CAMPANHA.
Os dois principais escândalos que dominam o noticiário nacional voltam a atingir nomes próximos ao governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. De um lado, o caso envolvendo o Banco Master. De outro, as investigações sobre as fraudes no INSS. Em ambos os episódios, integrantes ou aliados da base governista passaram a ocupar espaço central nas apurações. No caso do Banco Master, o senador Jaques Wagner (PT-BA), então líder do governo no Senado, tornou-se alvo de investigação. O parlamentar nega ter cometido irregularidades e afirma confiar no andamento das apurações. Wagner deixou a liderança do governo no Senado em junho. Já no caso das fraudes no INSS, o nome que aparece é o do senador Weverton Rocha (PDT-MA), vice-líder do governo no Senado. Familiares do parlamentar foram alvo de medidas de busca e apreensão no âmbito das investigações sobre o esquema de descontos irregulares em benefícios de aposentados e pensionistas. As investigações também alcançaram Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha. O filho do presidente passou a ser citado nas apurações relacionadas a suspeitas de corrupção e tráfico de influência. Até o momento, não há decisão judicial que estabeleça responsabilidade criminal, e eventuais acusações ainda dependem do avanço das investigações. Os episódios oferecem à oposição novos argumentos para tentar associar o governo federal a casos de corrupção e influência política. A poucos meses da eleição e às vésperas do início da campanha, a tendência é de que os casos sejam explorados com intensidade no discurso dos adversários de Lula. Para o Palácio do Planalto, o desafio será evitar que as suspeitas envolvendo integrantes da base política sejam transformadas em uma crise de imagem do próprio governo. Independentemente do desfecho das investigações, o impacto político já está colocado. Em um momento decisivo para a disputa eleitoral, casos envolvendo nomes próximos ao presidente podem se transformar em munição importante para a oposição e aumentar a pressão sobre o governo Lula.
Silas Freire