As críticas à atuação do presidente da OAB Piauí, Raimundo Júnior, ganharam novos capítulos e alimentam um forte debate nos bastidores da advocacia e da política piauiense. A avaliação de parte da classe é que a Ordem tem assumido um protagonismo excessivo na disputa travada com a Prefeitura de Teresina em torno da taxa do lixo, do IPTU e de outras questões tributárias. O debate ganhou dimensão depois que o prefeito de Teresina, Silvio Mendes, acusou publicamente Raimundo Júnior de atuar em defesa de interesses de empresas ligadas ao setor da limpeza pública. A declaração repercutiu no meio jurídico e político, ampliando os questionamentos sobre a atuação institucional da presidência da OAB. Nos corredores da advocacia, há quem avalie que a sucessão de embates com a Prefeitura vem desgastando a imagem da entidade e provocando desconforto entre advogados que defendem uma atuação mais distante das disputas político-administrativas. Até o momento, Raimundo Júnior tem o direito de apresentar sua versão sobre as críticas e acusações que lhe são dirigidas.
RELAÇÃO OBSCURA ENTRE CONTRATOS DA CEMPOL E EMPRESAS SOB SUSPEITA DE SEREM DE FACHADA.
Uma investigação do jornalista Ribas Doran expõe uma relação considerada obscura entre contratos da Coordenadoria de Enfrentamento às Drogas e Eventos ao Lazer (CEMPOL) e empresas que, segundo os indícios apresentados na reportagem, podem funcionar como empresas de fachada. O levantamento aponta que empresas ligadas ao mesmo grupo familiar movimentaram aproximadamente R$ 45 milhões em contratos com o Governo do Piauí, principalmente para shows e eventos. Parte significativa dos recursos teria saído justamente da CEMPOL, em contratações que, segundo a investigação, ocorreram sem licitação. Entre os pontos que chamam atenção está um único endereço, na Rua Jacó Barchi, nº 724, registrado como sede de empresas que, juntas, teriam recebido dezenas de milhões de reais do poder público. A reportagem também aponta vínculos familiares entre os responsáveis pelas empresas: pai, filha e esposa aparecem ligados a diferentes CNPJs beneficiados pelos contratos. No local indicado como sede de duas dessas empresas, a equipe encontrou uma estrutura que, segundo a investigação, seria incompatível com o volume milionário de recursos movimentados. Durante a gravação, inclusive, a energia elétrica do imóvel estava sendo cortada. A investigação de Ribas Doran levanta dúvidas sobre a real estrutura e atuação dessas empresas e sobre os critérios utilizados pelo Governo do Estado para as contratações.
DOUTOR PESSOA DESISTE DO SENADO E CONDICIONA APOIO À COMPANHEIRA A CANDIDATURA DE MAINHA.
O ex-prefeito de Teresina, Doutor Pessoa, desistiu da disputa pelo Senado, mas ainda pretende participar ativamente das eleições de 2026. A condição para apoiar a candidatura da atual companheira, doutora Daniele, a deputada federal é que o presidente estadual do Podemos, Mainha, também entre na disputa pela Câmara. Doutor Pessoa afirma que existe um “pacote fechado” dentro do partido para a formação da chapa proporcional e critica a falta de transparência sobre os entendimentos. Segundo ele, a estratégia teria como objetivo alcançar a cláusula de desempenho, mas não estaria sendo apresentada de forma clara aos demais filiados. Apesar das críticas, o ex-prefeito sinalizou que poderá entrar de cabeça na campanha de doutora Daniele caso Mainha confirme sua candidatura a deputado federal.
CARA ESPERTO”: ELOGIO DE LULA A RAFAEL FONTELES VIRA MUNIÇÃO PARA CRÍTICOS DO GOVERNADOR.
Uma expressão usada pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva para elogiar o governador Rafael Fonteles acabou ganhando outra leitura no ambiente político do Piauí. Ao chamar Rafael de “o cara mais esperto que eu já vi”, Lula pretendia destacar a inteligência e a capacidade de articulação do governador. A escolha da palavra, porém, abriu espaço para os adversários explorarem um significado diferente de “esperto”, associado a quem sabe driblar situações, contornar problemas ou até fazer promessas que ainda não saíram do papel. A interpretação passou a circular justamente em meio às críticas da oposição a projetos e promessas do governo, entre eles o hidrogênio verde, o Porto Piauí e a ampliação do abastecimento de água no estado. Entre aliados, a fala de Lula é tratada como reconhecimento à habilidade política de Rafael Fonteles. Para os adversários, virou munição para reforçar críticas à gestão. No jogo político, uma palavra pode ganhar vida própria. E o “esperto” de Lula já começou a ser usado pela oposição como mais uma arma na disputa pelo discurso sobre o governo Rafael Fonteles.
DOIS MEDALHÕES PODEM FICAR SEM MANDATO NA DISPUTA PELA ALEPI.
A matemática eleitoral costuma surpreender. E, na disputa por vagas na Assembleia Legislativa do Piauí, dois nomes tradicionais podem acabar pagando a conta da renovação dentro de seus próprios partidos. No MDB, a principal aposta do senador Marcelo Castro atende pelo nome de Avelar Ferreira. O objetivo político seria fortalecer um novo espaço na região da Serra da Capivara, tradicional reduto onde o deputado Hélio Isaías exerce forte influência e com quem Marcelo trava uma conhecida disputa política. Mas, na prática, quem pode acabar atingido por essa estratégia é um aliado histórico: o deputado Henrique Pires, que corre o risco de ver sua vaga ameaçada pela redistribuição dos votos dentro da chapa. No PT, outro movimento chama atenção. Nos bastidores, há quem aposte que a vereadora Euzuila Calixto, filha do experiente articulador político Calixto, pode surpreender nas urnas e ultrapassar o deputado Evaldo Gomes, que tem repetido publicamente a meta de alcançar 40 mil votos. A leitura é de um veterano da política piauiense, daqueles de cabelos brancos de tanto fazer contas de eleição para deputado estadual. E, segundo ele, quando o assunto é projeção de Assembleia Legislativa, o histórico de acertos fala por si. Se algum dia errou, poucos conseguem lembrar.
TRANSBORDO QUE NÃO ACONTECE GERA EXPECTATIVA E FRUSTRAÇÃO NO PIAUÍ.
A expectativa em torno da primeira operação de transbordo de minério no litoral do Piauí continua crescendo. Passados mais de 40 dias desde a chegada da embarcação de maior porte, que aguarda em alto-mar para receber a carga, a primeira transferência de minério ainda não foi concluída. A operação é considerada decisiva para testar a viabilidade logística do projeto. Para completar o carregamento do navio transatlântico, seriam necessárias diversas viagens da embarcação de menor porte entre o terminal e o navio fundeado em alto-mar. No entanto, nem mesmo a primeira etapa foi finalizada, aumentando a apreensão em torno do empreendimento. A demora alimenta dúvidas e preocupações. Entre elas, a possibilidade de novos entraves operacionais envolvendo a embarcação utilizada no transbordo e os impactos econômicos para o setor mineral do Estado. Mineradoras da região de Piripiri relatam dificuldades diante da paralisação das exportações pelo novo modelo logístico, enquanto aguardam uma solução que permita a retomada regular dos embarques. Mesmo entre críticos do projeto, o sentimento predominante é de expectativa para que a operação finalmente seja realizada. Neste 4 de agosto, a torcida é para que o primeiro transbordo aconteça com sucesso, trazendo respostas concretas sobre a capacidade operacional do empreendimento e evitando que a frustração em torno do projeto continue aumentando.
MINISTÉRIO PÚBLICO ABRE INQUÉRITO PARA APURAR CONTRATAÇÕES PRECÁRIAS NA SAÚDE DE CAMPO MAIOR.
O Ministério Público do Estado do Piauí instaurou inquérito civil para investigar possíveis irregularidades na contratação e manutenção de profissionais da saúde em vínculos considerados precários no município de Campo Maior. A apuração tem como foco a gestão do prefeito Joãozinho Félix (PP). A investigação é conduzida pelo promotor de Justiça Maurício Gomes de Souza e busca verificar a existência de eventual ato de improbidade administrativa relacionado às contratações de servidores da área da saúde. De acordo com a portaria do Ministério Público, o procedimento teve origem em uma Notícia de Fato que apura indícios de irregularidades no pagamento do piso nacional da enfermagem a profissionais contratados pelo município. Com a instauração do inquérito civil, o MPPI poderá requisitar documentos, ouvir testemunhas e solicitar esclarecimentos da administração municipal para verificar se houve violação da legislação. A abertura da investigação não representa condenação, mas marca o aprofundamento das apurações sobre o caso.
Silas Freire