Uma pesquisa eleitoral que teria sido apresentada recentemente ao Palácio de Karnak provocou forte desconforto em setores do governo. Segundo informações repassadas à coluna, o levantamento apontaria uma vantagem de aproximadamente 12 pontos percentuais do governador Rafael Fonteles sobre o pré-candidato da oposição, Joel Rodrigues. O resultado teria desagradado integrantes da comunicação governista, principalmente porque ficou distante dos números mais amplos que costumam ser divulgados por aliados do governo. A reação, segundo relatos que circulam no meio político, foi imediata. A pesquisa ganhou ainda mais relevância porque surgiu após a intensa exploração política do caso Banco Master por setores ligados ao governo contra a oposição e contra Joel Rodrigues, mesmo sem qualquer vinculação direta do líder oposicionista com as investigações do banco. Fontes ouvidas pela coluna afirmam que a repercussão interna do levantamento foi tão negativa que a continuidade da relação com o instituto responsável passou a ser questionada. A avaliação seria de que números mais apertados atrapalham a estratégia de consolidar perante a opinião pública a imagem de uma eleição definida e de uma vantagem confortável do atual governador. Nas entrelinhas, fica patenteado que a disputa eleitoral pode estar longe do cenário de “já ganhou” propagado por setores do governismo.
DECEPÇÃO: Governador perde a razão e constrange equipe de comunicação em evento público.
O episódio protagonizado pelo governador Rafael Fonteles durante o lançamento de seu plano de governo repercutiu negativamente e deixou uma sensação de decepção até entre aliados. Ao reclamar da exibição de um vídeo institucional, o governador expôs publicamente integrantes da equipe de comunicação, fazendo críticas duras e cobrando a identificação do responsável pela falha. O problema é que a cobrança acabou recaindo sobre profissionais da linha de frente, enquanto os verdadeiros responsáveis pela coordenação e organização do evento passaram praticamente ilesos. Para quem acompanhou a cena, a atitude foi desproporcional e teve tom de constrangimento público contra subordinados que apenas executavam suas funções. As imagens circularam nas redes sociais e alimentaram críticas à postura adotada pelo governador, considerada por muitos como incompatível com o tratamento que deve ser dispensado a servidores e colaboradores. A cobrança faz parte da gestão. A humilhação pública, não.
Flávio Nogueira propõe aumento de pena para crimes de ameaça via PIX.
Em meio às novas formas de violência e perseguição contra mulheres, avançou na Comissão de Constituição e Justiça da Câmara dos Deputados o projeto do deputado federal Flávio Nogueira que endurece as penas para crimes praticados por meio do PIX. A proposta mira situações em que o sistema de transferências é utilizado para enviar mensagens de ameaça, intimidação ou constrangimento às vítimas, prática que tem se tornado recorrente em casos de violência psicológica. Com o avanço de medidas judiciais e bloqueios em redes sociais, criminosos passaram a usar transferências simbólicas, como valores de centavos, para manter o contato e continuar as intimidações. O projeto busca atualizar a legislação para coibir esse tipo de conduta, reforçando a proteção às vítimas e reconhecendo o PIX como possível instrumento de perseguição e violência.
Banco Master chega ao coração do PT e atinge Jaques Wagner.
O escândalo envolvendo o Banco Master entrou de vez no núcleo político do governo federal. A nova fase da Operação Compliance Zero, da Polícia Federal, teve entre os alvos o senador Jaques Wagner, líder do governo no Senado e um dos principais nomes do PT nacional. A investigação, autorizada pelo Supremo Tribunal Federal, apura suspeitas de corrupção e lavagem de dinheiro relacionadas ao Banco Master. Além de mandados de busca e apreensão, a Justiça determinou medidas cautelares contra investigados. O avanço das investigações coloca o caso em um novo patamar político. Até agora tratado como um problema restrito ao mercado financeiro e a empresários ligados ao banco, o escândalo passa a atingir diretamente uma das figuras mais influentes do Partido dos Trabalhadores e da base de sustentação do presidente Lula no Congresso Nacional.
Aliados de Joel Rodrigues temem que Jeová Alencar leve desgaste da gestão Silvio Mendes para a campanha estadual.
A possibilidade de o vice-prefeito de Teresina, Jeová Alencar, ganhar protagonismo na chapa encabeçada por Joel Rodrigues começa a gerar inquietação entre apoiadores e aliados do pré-candidato ao Governo do Estado. Nos bastidores, cresce a avaliação de que Jeová, por ocupar posição estratégica na administração do prefeito Silvio Mendes e participar das principais articulações políticas da gestão, acabou se tornando uma das figuras mais identificadas com os resultados e também com os problemas enfrentados pela Prefeitura de Teresina. A preocupação de parte dos aliados de Joel Rodrigues é que a vinculação de Jeová à administração municipal possa representar um fator de desgaste eleitoral, principalmente diante das críticas recorrentes relacionadas à saúde, ao transporte público e à limpeza urbana da capital. Embora seja reconhecido por sua capacidade de articulação política e trânsito entre lideranças, alguns defensores da candidatura de Joel avaliam que uma eventual indicação de Jeová para compor a chapa majoritária poderia trazer para a disputa estadual questionamentos ligados à gestão de Teresina. A leitura entre setores da oposição é que, à medida que a pré-campanha avança, a imagem de Jeová Alencar será cada vez mais analisada não apenas por suas habilidades políticas, mas também pela associação direta com uma administração que ainda enfrenta cobranças da população em áreas consideradas essenciais.
Silas Freire