A participação do deputado estadual Gessivaldo em encontros políticos ao lado do pré-candidato a deputado federal Emanuel Paiva (Progressistas) passou a ser observada como um indicativo de rearranjos políticos dentro do segmento evangélico ligado ao Republicanos no Piauí. A interpretação de integrantes do meio político é de que a aproximação com um nome de outra sigla evidencia uma divisão de apoios que tradicionalmente orbitavam em torno do mesmo grupo político, especialmente em relação ao projeto de reeleição do deputado federal Jardiel Jupi (Republicanos). O entendimento é que a unidade desse segmento pode ter peso relevante no desempenho da chapa proporcional do Republicanos na disputa por vagas na Câmara Federal. A expectativa de lideranças partidárias é que o partido tenha condições de eleger ao menos um deputado federal e manter competitividade na busca por uma segunda vaga, cenário que depende da concentração de votos em candidaturas estratégicas, entre elas a da vereadora Ana Fideles. A pulverização de apoios dentro do mesmo campo religioso pode reduzir a força eleitoral da legenda na disputa federal, impactando diretamente o desempenho da chapa proporcional. Ao mesmo tempo, a aproximação de lideranças evangélicas com nomes de outras siglas amplia as possibilidades de crescimento de partidos concorrentes, como o Progressistas, que busca fortalecer sua composição eleitoral para as eleições de 2026.
Teresina desponta como campo decisivo para Alepi e Câmara Federal.
Levantamento estimulado ao qual a coluna teve acesso, embora sem registro oficial, aponta tendências interessantes sobre o potencial eleitoral de nomes já conhecidos da política piauiense na capital. Na disputa por vagas na Assembleia Legislativa do Piauí (Alepi), os deputados estaduais Dr. Vinícius e Draga Alana aparecem como os nomes mais competitivos entre os atualmente detentores de mandato, com potencial para alcançar até 20 mil votos em Teresina. Em seguida, surgem Coronel Carlos Augusto, Gessivaldo Isaías, Fábio Novo, Enzo Samuel e o vereador Petrus Evelyn, com capacidade de atingir até 15 mil votos na capital. Outro grupo reúne Flávio Júnior, Themístocles Filho, Júlio César e Severo Eulálio, que aparecem com projeções de até 10 mil votos entre os eleitores teresinenses. O levantamento também indica que nomes sem mandato eletivo apresentam desempenho expressivo. Entre eles, Breno Macedo, Vinícius Dias e Silas Freire despontam com potencial para atingir entre 10 mil e até 20 mil votos em Teresina, demonstrando que a disputa estadual pode reservar surpresas fora do grupo dos atuais parlamentares. Já na corrida para a Câmara dos Deputados, alguns parlamentares federais e lideranças políticas aparecem com potencial para superar a marca dos 20 mil votos na capital. Nesse grupo estão Marco Aurélio Sampaio, Jadyel Alencar, Átila Filho e a vereadora Samantha Cavalca. Entre os nomes sem mandato, o destaque fica para o delegado Charles Pessoa e o humorista Cachorro, que aparecem com potencial para ultrapassar os 20 mil votos em Teresina e alcançar votações expressivas. Também figura no levantamento o ex-superintendente da Polícia Rodoviária Federal, Fabrício Loyola, que surge em uma faixa de crescimento eleitoral considerada promissora. Embora não tenha caráter oficial e não possa ser tratada como pesquisa eleitoral registrada, a sondagem reforça a importância estratégica de Teresina para as eleições de 2026. Com o maior colégio eleitoral do estado, a capital poderá ser decisiva tanto para a formação da próxima Assembleia Legislativa quanto para a composição da bancada federal piauiense.
Emendas milionárias para festas e beach tênis exigem explicações.
Enquanto milhares de piauienses enfrentam dificuldades na saúde, na segurança e na infraestrutura básica, documentos públicos apontam que quase R$ 4 milhões em emendas parlamentares do deputado estadual Dr. Vinícius foram destinados a eventos, festivais, cavalgadas, festas populares e jogos esportivos. Entre os repasses que mais chamam atenção está a destinação de R$ 500 mil para a realização da Piauí Cup – Hand Beach. O valor levanta um questionamento inevitável: qual foi o retorno efetivo desse investimento para a população? Quantas pessoas foram beneficiadas? Quais resultados concretos permaneceram para o estado após a realização do evento? Não se trata de condenar o esporte, a cultura, o lazer ou as manifestações populares. O debate está na definição das prioridades para a aplicação dos recursos públicos. Em um estado que ainda convive com desafios históricos em áreas essenciais, é legítimo que a sociedade questione se a destinação de milhões de reais para festas e jogos esportivos representa a melhor utilização dessas verbas. Diante disso, torna-se fundamental que os órgãos de controle e fiscalização acompanhem de perto a execução desses recursos. Os eventos ocorreram conforme o planejado? Os valores foram integralmente aplicados nas finalidades previstas? Houve prestação de contas adequada? Os objetivos estabelecidos foram efetivamente alcançados? O contribuinte piauiense tem o direito de obter respostas claras e transparentes. Afinal, o dinheiro público deve gerar benefícios concretos, mensuráveis e de interesse coletivo, garantindo que cada investimento realizado produza resultados efetivos para a população.
PF entra em campo para monitorar facções e combater compra de votos nas eleições de 2026 no Piauí.
A Polícia Federal decidiu antecipar as ações de fiscalização para as eleições de 2026 e anunciou o reforço do monitoramento de facções criminosas e crimes eleitorais em todo o Piauí. A medida foi apresentada pela delegada Léa Mesquita durante reunião do Comitê de Segurança das Eleições do TRE-PI. O anúncio ocorre em um momento em que crescem as preocupações com a influência do crime organizado e do poder econômico na disputa eleitoral, especialmente nos maiores colégios eleitorais do estado. Em Teresina, principal reduto eleitoral do Piauí, relatos e denúncias de bastidores apontam para possíveis tentativas de cooptação de eleitores e montagem de estruturas ilegais de mobilização política. Segundo a Polícia Federal, o plano prevê a ampliação das ações de inteligência e o envio de agentes para atuar de forma preventiva nos principais municípios piauienses. O objetivo é identificar e combater práticas como compra de votos, boca de urna, transporte irregular de eleitores e eventuais interferências criminosas no processo eleitoral. A movimentação da PF é interpretada como um sinal de alerta diante das suspeitas que cercam o processo eleitoral antes mesmo do início oficial da campanha. Com a aproximação da disputa, a expectativa é de uma fiscalização mais rigorosa para impedir a atuação de organizações criminosas e garantir que o resultado das urnas reflita exclusivamente a vontade do eleitor.
Karnak deve suspender apoio financeiro e logístico ao Avante após impasse em articulação no Piauí.
Nos bastidores da política piauiense, a avaliação é de que o grupo ligado ao Palácio do Karnak deve suspender o apoio financeiro e logístico à sigla Avante no estado. A movimentação ocorre após a orientação da direção nacional do partido para incluir o nome do filiado Antônio José Lira na composição de uma possível chapa majoritária no Piauí. Lira é visto por aliados do governo como um nome crítico às articulações do grupo governista e às definições relacionadas à disputa ao Senado. A estratégia inicial de aproximação com o Avante teria como objetivo reduzir o espaço de atuação de Lira dentro do cenário político estadual e enfraquecer sua influência nas discussões sobre a sucessão ao Senado. Com a manutenção do nome dele na construção da chapa, a leitura interna é de que o chamado “time carnaquiano” deve recuar no suporte financeiro e na estrutura logística que vinha sendo articulada para fortalecer uma possível candidatura majoritária ligada ao partido no estado que, nos bastidores, é tratada como uma candidatura alinhada ao próprio Palácio Karnak, em meio ao cenário da reeleição do governador. A tendência, segundo essas avaliações, é de esfriamento da relação entre o governo e o Avante, o que pode impactar diretamente os planos eleitorais da sigla para 2026.
ALEPI discute projetos sobre vício em jogos enquanto cresce pressão sobre regulação de “bets” no Piauí.
O avanço do vício em jogos de apostas esportivas e plataformas digitais as chamadas “bets” entrou em pauta na Assembleia Legislativa do Piauí (ALEPI), onde tramitam diferentes propostas que tratam do tema sob perspectivas distintas. Entre os projetos em discussão, há iniciativas que buscam restringir a atividade, com propostas de proibição de divulgação e publicidade de apostas, especialmente voltadas ao público jovem. Em outra frente, existem matérias que propõem a criação de políticas de prevenção e tratamento para pessoas com comportamento compulsivo em jogos, incluindo campanhas educativas e diretrizes de acolhimento na rede pública de saúde. Apesar da multiplicidade de iniciativas, o avanço das discussões tem sido lento. Nos bastidores do Legislativo, a avaliação é de que o tema enfrenta forte resistência e falta de consenso entre os parlamentares. Informações de bastidores indicam que o debate estaria travado por divergências políticas e econômicas, já que o setor de apostas digitais tem ampliado sua presença no estado e movimentado interesses variados. Ainda segundo essas versões, haveria influência indireta de atores com vínculos ao setor, o que contribuiria para o engessamento das pautas mais restritivas embora tais apontamentos não tenham comprovação oficial. Enquanto isso, o tema segue sem uma regulamentação estadual clara, mesmo diante do aumento de relatos de endividamento, conflitos familiares e busca por ajuda relacionada ao vício em jogos. Independentemente da regulação das apostas, o ponto central deveria ser a criação de políticas públicas permanentes de prevenção e tratamento da ludopatia, com integração entre saúde, educação e assistência social.
Por que a PF rejeitou a delação?
A revelação de que a proposta de delação apresentada pelo fundador do Banco Master mencionava contratos milionários entre a instituição financeira e o escritório da esposa do ministro Alexandre de Moraes ainda aguardam esclarecimentos públicos. Segundo informações divulgadas pela imprensa nacional, a colaboração relatava vínculos contratuais entre o banco e o escritório de advocacia, além de mencionar o próprio ministro do Supremo Tribunal Federal. Apesar disso, a proposta acabou rejeitada pela Polícia Federal sob o argumento de que não preenchia os requisitos necessários para a formalização de um acordo de delação premiada. A decisão, porém, alimenta dúvidas e especulações. Afinal, se o conteúdo trazia informações consideradas relevantes pelo autor da proposta, por que a colaboração não avançou? A rejeição ocorreu exclusivamente por questões técnicas e jurídicas ou o material apresentado carecia de provas capazes de sustentar as alegações?Até agora não há elementos públicos que permitam concluir que a menção ao ministro Alexandre de Moraes tenha sido a causa da rejeição da proposta. O que existe são questionamentos legítimos sobre um caso que envolve personagens influentes da República e que, justamente por isso, exige máxima transparência das autoridades responsáveis pela apuração. Assim, mais do que conclusões precipitadas, o episódio reforça a necessidade de esclarecimentos claros para que a sociedade compreenda os motivos que levaram ao arquivamento da proposta de colaboração.
Silas Freire