Donald Trump, o “porra-louca” da economia global, o “gângster” da diplomacia internacional em um movimento antiglobalização.

Por Washington Sucupira

A Organização Mundial do Comércio (OMC), criada em 1995, atualmente conta com 164 membros, entre eles os países do BRICS, e possui sede em Genebra, na Suíça. Sua criação teve como objetivo garantir maior liberdade no comércio internacional — bilateral ou multilateral —, tornando-o mais aberto, buscando criar um comércio mais justo e mitigar práticas comerciais desonestas. Órgão que, neste momento, encontra-se fragilizado.

Depois de muitas críticas pela ausência da China e após anos de negociações com o governo chinês, a OMC aprovou sua entrada. A adesão foi oficializada durante a Conferência Ministerial da OMC, realizada em Doha, em 2001.

No contexto da globalização contemporânea, a entrada do “Dragão Asiático”, representante do socialismo de mercado e liderado por Xi Jinping, muda a correlação de forças existente, pois a China altera profundamente a estrutura da economia mundial. O país deixa de ser uma economia periférica e passa a ocupar uma posição central, ampliando sua capacidade de atrair capitais, estabelecer acordos comerciais nos quatro quadrantes do planeta e tornar-se extremamente competitivo entre os países-chave do comércio global.


Eis o grande problema!

O governo estadunidense não se encontra confortável diante do crescimento das economias dos países do Sul Global, com destaque para a China, e da capacidade do Brasil de se articular e driblar as chantagens e as pressões políticas e econômicas do “gângster da diplomacia internacional”, Donald Trump.

No conjunto de ações do “Make America Great Again”, em português, “Tornar a América Grande Novamente”, Washington, a Casa Branca, o Pentágono e o Departamento de Comércio dos Estados Unidos não estão alheios às resistências de alguns países do Sul Global e ao chamado “Efeito China”, protagonizado pelo silencioso Xi Jinping.

No caso da China, o tamanho de sua capacidade produtiva e financeira impressiona. Em julho de 2026, as reservas internacionais da China chegaram a quase US$ 3,5 trilhões, segundo a Administração Estatal de Divisas da China, o que demonstra que o país não é apenas uma potência industrial. A China também possui uma enorme capacidade financeira para enfrentar períodos de instabilidade, sustentar sua moeda e atuar de maneira decisiva no sistema econômico internacional.


A lógica mudou!

Se as regras do sistema internacional não favorecem mais os Estados Unidos, Washington passa a utilizar seu próprio poder econômico, financeiro, tecnológico e militar para consolidar a promessa do “Make America Great Again”, mesmo que, para cumprir essa promessa de campanha, Donald Trump — um dos presidentes mais perigosos e inconsequentes da história recente dos Estados Unidos — tenha que iniciar uma guerra comercial com o mundo, fragilizar organismos supranacionais e apoiar ou financiar práticas que afrontam e ferem o direito internacional.

Entre essas práticas, podem ser citadas ações como o sequestro de presidentes, o saque de fontes de energia de origem fóssil e o financiamento ou endosso de práticas que podem ser interpretadas como crimes de guerra, tudo isso em nome de uma suposta defesa da democracia.