Gleisi é cotada para substituir Wellington Dias, que pode perder espaço no governo Lula

A possível chegada de Gleisi Hoffmann ao Ministério do Desenvolvimento e Assistência Social, responsável pelo Bolsa Família, pode marcar uma mudança importante na distribuição de forças políticas dentro do governo Lula. O atual titular da pasta, Wellington Dias (PT-PI), não deve permanecer no cargo no quarto mandato do presidente e pode retornar ao Senado Federal, segundo informações divulgadas pelo jornalista Igor Gadelha, do Metrópoles.

A eventual saída do ministro ocorre em meio à reorganização do governo para o próximo mandato e a uma nova distribuição de espaços entre aliados do presidente. Wellington, que já governou o Piauí por quatro mandatos e construiu uma longa trajetória dentro do PT, pode deixar de ocupar uma posição de destaque na Esplanada dos Ministérios.

O cenário ganha novos contornos diante da ascensão do governador Rafael Fonteles (PT), cujo nome passou a ser citado para assumir o Ministério da Fazenda. Segundo reportagem do UOL, Rafael ganhou projeção nacional após atuar na articulação política da campanha de Lula no segundo turno. A possibilidade de sua ida para a equipe econômica amplia o contraste entre a projeção do governador e o futuro ainda indefinido de Wellington.

A relação política entre os dois também faz parte da leitura desse rearranjo. Wellington teve papel importante na construção do grupo político que levou Rafael ao governo do Piauí. Agora, enquanto o governador aparece entre os nomes cotados para uma pasta estratégica, Wellington pode deixar o ministério e voltar ao mandato para o qual foi eleito senador.

Nos bastidores, esse movimento pode ser interpretado como uma perda de espaço do ministro piauiense dentro do núcleo de decisões do governo federal. A eventual volta ao Senado, porém, não significa necessariamente afastamento da articulação política: o próprio Wellington afirmou que estará à disposição de Lula caso o presidente precise de sua atuação nas negociações com o Congresso.

Gleisi, por sua vez, aparece como uma possível alternativa para comandar o Desenvolvimento Social depois de não conseguir se eleger senadora pelo Paraná. De acordo com as informações divulgadas, sua indicação seria uma forma de mantê-la em posição de destaque no governo, dada sua proximidade com Lula e sua experiência na direção nacional do PT.

Até o momento, não há anúncio oficial sobre a substituição. A definição dependerá das escolhas de Lula para a formação da equipe que assumirá em 2027.

A possível troca, no entanto, já expõe uma questão política relevante: enquanto Gleisi pode ganhar espaço na estrutura ministerial e Rafael Fonteles é cotado para uma das principais pastas econômicas, Wellington Dias corre o risco de deixar o primeiro escalão e retornar ao Senado, em um rearranjo que pode alterar o peso das lideranças petistas do Piauí no governo federal.