O que era tratado como praticamente certo nos bastidores virou frustração política. O governador Rafael Fonteles chegou a embarcar para Brasília confiante na vitória de Jorge Messias para uma vaga no Supremo Tribunal Federal. Para acompanhar de perto a sabatina e a votação, Rafael cancelou toda a agenda da tarde em Teresina e se posicionou como defensor de um “nome do Nordeste”. Mais do que isso: pesou também a ligação pessoal. Messias, indicado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva, tem passagem pelo Colégio Dom Barreto, onde foi contemporâneo de Rafael , um detalhe que alimentou o discurso simbólico dos chamados “Rafa Boys”. Nos bastidores, a aposta era alta. O senador Wellington Dias também entrou no circuito, chegando a se afastar do ministério para reforçar presença no Senado durante o processo. Mas o resultado foi outro. A derrota de Jorge Messias acabou transformando o entusiasmo em crítica. Entre adversários e até aliados, o comentário que correu solto foi direto: Rafael e Wellington teriam sido “pé frios” na tentativa de emplacar o nome no STF.
PT rejeitado no Maranhão lança candidatura própria para não ficar sem palanque.
No Maranhão, o Partido dos Trabalhadores prepara um movimento estratégico diante de um cenário político cada vez mais adverso: lançar candidatura própria ao governo do Estado. A decisão ganha força após sucessivas sinalizações de que os principais nomes da disputa não querem o partido em seus palanques. O vice-governador Felipe Camarão deve ser confirmado como pré-candidato, garantindo ao PT presença na eleição e, sobretudo, um palanque para o presidente Luiz Inácio Lula da Silva em um estado historicamente alinhado à legenda. A resistência é clara. O ex-prefeito de São Luís, Eduardo Braide, líder nas pesquisas, evita qualquer aproximação com o PT, avaliando que a associação pode comprometer seu desempenho eleitoral. No campo governista, o grupo do atual governador Carlos Brandão também articula sua sucessão sem abrir espaço para o partido, enquanto o ex-prefeito Laércio Bonfim se mantém como alternativa independente, igualmente distante de alianças com a sigla. Nos bastidores, a leitura é de que o PT tenta evitar um cenário histórico: ficar sem palanque relevante no Maranhão. Com as principais candidaturas buscando distância, a saída encontrada é lançar seu próprio nome , ainda que isso represente mais uma divisão no já fragmentado tabuleiro político do estado.
Racha no MDB isola Júlio César e amplia chance de recuo na disputa pelo Senado.
A situação do deputado federal Júlio César dentro da base governista, especialmente no MDB, se deteriora a cada dia e já preocupa seu grupo político Levantamentos internos indicam que cerca de 80% dos integrantes do MDB não apoiam sua candidatura ao Senado Federal, o que fragiliza de forma significativa seu projeto majoritário. O cenário adverso não se restringe ao MDB. Júlio também enfrenta resistências em outras siglas da base, como o PT e setores do Republicanos, o que amplia o isolamento político e dificulta a consolidação de sua candidatura. Diante desse quadro, cresce dentro do próprio grupo de Júlio César a avaliação de que um recuo pode se tornar inevitável. Alidos próximos admitem que, embora o deputado ainda negue publicamente qualquer mudança de planos, a possibilidade de desistir da disputa ao Senado e buscar a reeleição para a Câmara Federal já é tratada como real. Se antes era considerada remota, hoje essa hipótese é vista como equilibrada , “50% a 50%”, segundo avaliações internas. Outro ponto observado é das articulações é a relação com o grupo governista. Embora seja negado de forma enfática qualquer rompimento com o governo até as convenções, o ambiente político é descrito como tenso. Ainda assim, aliados descartam, ao menos publicamente, qualquer ruptura com o bloco liderado pelo PT. Nos bastidores, porém, a leitura é de que será difícil sustentar uma candidatura ao Senado dentro de um grupo onde Júlio César se sente cada vez mais pressionado e politicamente enfraquecido. O desfecho deve depender das próximas movimentações e do grau de isolamento que se consolidar até o período das convenções partidárias.
Rafael Fonteles bota pra lascar e banca jatinho de mais de R$ 5 milhões para autoridades.
No Piauí, o aperto parece ser só para o povo. O governador Rafael Fonteles decidiu autorizar um contrato de mais de R$ 5,4 milhões para aluguel de um jato executivo, com custo que beira os R$ 34 mil por hora de voo , um luxo que chama atenção em um dos estados mais humildes do país. As informações dão conta que, mesmo com um contrato anterior em vigor, com valor praticamente pela metade e válido até o fim de 2026, o governo optou por um novo acordo. A decisão foi tocada pelo Gabinete Militar e, mais grave, sem licitação, usando a justificativa de emergência. O detalhe é que o “pacote” não é qualquer um: aeronave biturbinada, cabine pressurizada, assentos de couro, serviço de bordo e até lavatório privativo. Um padrão executivo de alto nível, distante da realidade da maioria da população piauiense. A escolha levanta suspeitas inevitáveis: se já havia contrato ativo, por que pagar mais caro? Onde está a emergência que justifique esse gasto? No fim das contas, a conta , como sempre , fica para o contribuinte.
Messias é barrado no Senado, e derrota leva Lula a romper com Alcolumbre.
A indicação do advogado Jorge Messias foi definitivamente barrada no Senado Federal. O nome não avançou na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) e, na prática, perdeu qualquer condição de seguir adiante, configurando uma derrota política pesada para o governo. O episódio é tratado nos bastidores como um fato raro e de grande impacto, comparado a momentos históricos de rejeição de indicados ao topo do Judiciário, algo que não se via desde os tempos de Floriano Peixoto. A leitura dentro do Palácio do Planalto é clara: houve articulação forte da oposição, mas também participação de setores da própria base. O presidente do Senado, Davi Alcolumbre, entrou diretamente no radar da crise. Nos bastidores de Brasília , a avaliação é de que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva considerou o episódio uma ruptura política. A relação com Alcolumbre e seu grupo passa a ser vista como de enfrentamento, não mais de alinhamento.
Piauí sob alerta de chuva forte e risco de inundação, enquanto defesa civil vira alvo de críticas.
O Piauí está sob alerta amarelo, com previsão de chuvas intensas e risco de inundações em várias regiões. É cenário que exige preparo, resposta rápida e equipe qualificada. Mas o que preocupa é o outro lado da história. Nos bastidores, cresce a crítica de que a Defesa Civil do Piauí pode não estar estruturada como deveria. A avaliação é de que, se a situação apertar, o trabalho vai recair principalmente sobre os servidores concursados um quadro técnico reconhecidamente competente. Enquanto isso, cargos de direção, estudos e estratégia estariam ocupados por indicações políticas ligadas ao deputado Nerinho, sem preparo técnico para a função. E é aí que está o ponto: usar uma área que precisa ser essencialmente técnica para acomodação política assusta ainda mais quando o risco bate à porta. Se a chuva vier forte como previsto, não tem discurso que segure. É trabalho, preparo e resposta. E o povo vai cobrar.
Silas Freire