O que deveria ser uma dedicação exclusiva aos interesses do povo piauiense tornou-se, na prática, um patrocínio estatal para projetos políticos. Washington Bandeira, ex-secretário de Educação, abandonou a pasta, mas não abriu mão dos privilégios do setor público. Ele segue nomeado no cargo de Assessor Especial do Governador, garantindo seu salário pago pelos contribuintes enquanto gasta seus dias articulando o futuro político de Rafael Fonteles.
Ao ser questionado sobre a legalidade e a moralidade dessa manobra, o governador Rafael Fonteles tentou minimizar a situação com uma explicação rasa. Segundo o chefe do Executivo, Bandeira atua como assessor e, "fora do horário de governo", contribui com o partido.
O Conflito Ético
A pergunta que fica para a população é: onde termina o trabalho de assessor e onde começa a militância partidária? É humanamente possível separar essas funções quando o beneficiário é mantido em um cargo de confiança com alto salário?
Para a oposição e especialistas em gestão pública, essa prática configura um claro desvio de finalidade. Enquanto áreas críticas do estado sofrem com a falta de recursos, o governo parece não ver problemas em manter uma estrutura paralela de assessores que, na verdade, estão focados em estratégias eleitorais.
Escudo Político
A manobra de "remanejamento" de Bandeira para a assessoria direta de Fonteles serve como um escudo para manter o aliado próximo e remunerado, sem as cobranças diretas que a Secretaria de Educação exigia. É o uso escancarado da máquina pública para pavimentar o caminho do PT, ignorando os princípios da impessoalidade e da moralidade administrativa.
O povo do Piauí segue pagando a conta de uma campanha que já começou dentro dos gabinetes do Palácio de Karnak.