A Polícia Federal (PF) deflagrou, nesta terça-feira (2), a segunda fase da Operação Conectados, que investiga um suposto esquema de fraudes em licitações, corrupção, lavagem de dinheiro e direcionamento de contratos públicos em municípios piauienses. A ação conta com o apoio da Controladoria-Geral da União (CGU) e do Ministério Público Federal (MPF).
Ao todo, estão sendo cumpridos 12 mandados de busca e apreensão nas cidades de Teresina e Oeiras, por determinação da Justiça Federal. A nova etapa da investigação busca aprofundar as apurações sobre a atuação de um grupo suspeito de manipular processos licitatórios e obter vantagens indevidas em contratos custeados com recursos federais destinados principalmente às áreas da saúde e educação.
Segundo a Polícia Federal, a investigação teve início após auditorias da CGU apontarem irregularidades em contratos firmados por uma empresa de informática com prefeituras piauienses. Na primeira fase da operação, realizada em 2024, foram apreendidos mais de R$ 1,6 milhão em dinheiro vivo em um endereço ligado a uma empresa de contabilidade investigada.
A análise dos documentos, equipamentos eletrônicos e registros financeiros recolhidos anteriormente revelou indícios de que o esquema criminoso era mais amplo do que se imaginava inicialmente. As investigações apontam que integrantes do grupo utilizariam contratos de assessoria junto a administrações municipais para obter informações privilegiadas sobre futuras licitações e, assim, favorecer empresas ligadas à organização.
De acordo com o MPF, as apurações identificaram contratos milionários firmados por empresas investigadas com diversas prefeituras do Piauí, além de possíveis casos de sobrepreço e prejuízos aos cofres públicos. A nova fase da operação também busca identificar sócios ocultos, operadores financeiros e recuperar recursos supostamente obtidos de forma ilícita.
Durante o cumprimento dos mandados, os agentes apreenderam aparelhos eletrônicos, documentos, registros financeiros e valores em espécie sem origem comprovada. Os investigados poderão responder por crimes como associação criminosa, fraude em licitação, corrupção ativa e passiva, lavagem de dinheiro e outros delitos que venham a ser identificados ao longo das investigações.