Os bastidores da política de Teresina registram um movimento que já está sendo apontado por aliados como uma das maiores traições eleitorais rumo às eleições de 2026. O protagonista da história é o vereador Luiz André, político que construiu uma forte ligação com o suplente de deputado estadual Tiago Vasconcelos. Durante a campanha municipal, Tiago esteve entre os principais apoiadores da reeleição do vereador, contribuindo diretamente com a estrutura política e eleitoral que ajudou a garantir a permanência de Luiz André na Câmara Municipal. Agora, porém, o cenário mudou. Luiz André deverá anunciar nos próximos dias apoio ao projeto político do ex-prefeito de Nossa Senhora dos Remédios, Zé Fernando, pré-candidato a deputado estadual pelo Progressistas. O detalhe que mais chama atenção nos bastidores é que a articulação estaria sendo conduzida pelo vice-prefeito de Teresina, Jeová Alencar, principal responsável pela montagem da estratégia de expansão eleitoral de Zé Fernando na capital. Entre lideranças políticas, a movimentação é vista como um duro golpe em Tiago Vasconcelos. A avaliação é de que poucos episódios recentes tiveram tamanho impacto nas relações políticas da capital. Alguns observadores chegam a comparar o caso a outras rupturas marcantes da política teresinense, mas avaliam que a mudança de posição de Luiz André possui um peso ainda maior pelo histórico de proximidade entre os dois grupos. Enquanto isso, o ex-prefeito Zé Fernando vai consolidando uma estrutura competitiva em Teresina. Sob a coordenação política de Jeová Alencar, a expectativa entre seus aliados é de que o pré-candidato alcance uma votação expressiva na capital, transformando-se em uma das surpresas da disputa proporcional de 2026. Nos corredores da política, a leitura é simples: se a eleição ainda está distante, a guerra pelos votos já começou e algumas alianças que pareciam inabaláveis começam a ruir antes mesmo da abertura oficial da campanha.
CIRO REÚNE VEREADORES E EXPÕE DILEMA DOS APOIOS NA CORRIDA PELO SENADO.
O café da manhã promovido pelo senador Ciro Nogueira com vereadores de Teresina ontem (08) acabou revelando uma situação curiosa e que promete movimentar a disputa pelo Senado nos próximos meses. Pelo menos sete dos parlamentares presentes no encontro já haviam participado anteriormente de agendas políticas com outros dois pré-candidatos ao Senado: Marcelo Castro e Júlio César. No caso de Marcelo Castro, alguns desses vereadores estiveram envolvidos nas articulações relacionadas ao programa de pavimentação asfáltica anunciado para Teresina, indicando demandas de suas comunidades para inclusão no pacote de obras apresentado pelo senador. Já com Júlio César, os mesmos vereadores também participaram de eventos e encontros políticos promovidos pelo grupo liderado pelo deputado federal, demonstrando proximidade com seu projeto para as eleições de 2026. Agora, ao aparecerem no café da manhã de Ciro Nogueira, os parlamentares reforçam uma realidade que deverá se tornar cada vez mais evidente até o período eleitoral: a convivência política com diferentes pré-candidatos antes da definição oficial dos apoios. A matemática da disputa é simples. Embora três grandes lideranças estejam em campo na busca pelo apoio das bases municipais, o eleitor poderá votar em apenas dois candidatos ao Senado. Em algum momento, vereadores, prefeitos e lideranças terão de fazer suas escolhas e formalizar compromissos políticos. A presença dos sete vereadores em agendas de Marcelo Castro, Júlio César e Ciro Nogueira mostra que a disputa pelas lideranças de Teresina está longe de ser definida. Mais do que um registro de ocasião, o encontro evidenciou que a guerra pelos apoios municipais deverá ser uma das mais intensas da eleição de 2026. A pergunta que já circula no meio político não é quem esteve com quem, mas com quem cada liderança permanecerá quando começar, de fato, a campanha nas ruas.
PESQUISA DO IPPI MOSTRA RAFAEL À FRENTE EM FLORIANO E COLOCA PRESSÃO SOBRE REDUTO DE JOEL.
A mais recente pesquisa divulgada pelo Instituto IPPI Pesquisas e Consultorias trouxe um dado que certamente repercute no cenário político piauiense: o governador Rafael Fonteles (PT) aparece liderando a disputa pelo Governo do Estado no município de Floriano, principal base eleitoral do ex-prefeito Joel Rodrigues (PP). Segundo o levantamento, Rafael Fonteles registra 50,2% das intenções de voto, contra 43% de Joel Rodrigues. Os demais nomes aparecem bem distantes: Tony Rodrigues (PL) com 2,5%, Elizeu Aguiar (Novo) com 1%, Mainha (Podemos) com 0,8% e Professor Gisvaldo (PSOL) com 0,5%. A pesquisa ouviu 400 eleitores entre os dias 25 e 28 de maio de 2026, possui margem de erro de 4,9 pontos percentuais e nível de confiança de 95%. O estudo foi registrado junto à Justiça Eleitoral. O resultado chama atenção por ocorrer justamente em Floriano, cidade que historicamente é considerada o principal reduto político de Joel Rodrigues. Ainda assim, os números divulgados pelo IPPI apontam vantagem para o atual governador dentro do território eleitoral do adversário. Por outro lado, o levantamento também reacende o debate sobre a credibilidade dos institutos que atuam no estado. O IPPI é frequentemente apontado nos bastidores políticos como um instituto próximo ao Palácio de Karnak, tendo realizado pesquisas contratadas por grupos alinhados ao governo estadual. Além disso, integrou o conjunto de institutos que, durante a disputa pela Prefeitura de Teresina em 2024, chegaram a divulgar cenários que indicavam vitória de Fábio Novo ainda no primeiro turno, projeção que não se confirmou nas urnas. Mesmo diante das controvérsias e questionamentos políticos, o fato concreto é que os números divulgados nesta segunda-feira pelo próprio IPPI mostram Rafael Fonteles liderando a corrida eleitoral em Floriano, justamente na cidade onde Joel Rodrigues construiu sua principal base política.
Silas Freire